A corrupção perpassa a escola

Demilson Parolin
  Todos ficamos estarrecidos com as notícias diárias sobre corrupção em nosso país, envolvendo autoridades públicas do Executivo, do Legislativo e do Judiciário. Contudo, deixamos de observar a rede iníqua de corrupção instalada em todos os setores da sociedade brasileira.
  Se ousássemos entender o significado amplo do termo corrupção, identificaríamos inúmeras atitudes corruptas corriqueiras, como ‘‘furar’’ a fila do banco, avançar o sinal vermelho, oferecer propina ao policial, comprar a obediência do filho com presentes, etc.
  Esse contexto submete as crianças a um modelo infame para construção de sua identidade, impregnando sua cultura de uma doença quase incurável.
  A ausência cada vez maior dos pais, devido à lida alienante dos ‘‘tempos modernos’’, exige políticas públicas mais eficientes na formação integral das crianças e jovens.
  A discussão sobre o papel da escola nesse momento é fundamental. Não é possível mais ouvirmos que o papel da escola é ensinar os ‘‘conteúdos’’ e que não é sua responsabilidade a ‘‘educação’’ das crianças. Se não é função da escola zelar pela formação integral do cidadão, então deveríamos incorporar o Ministério da Educação ao Ministério da Ciência e Tecnologia. Ser educador é mais do que transmitir os conhecimentos socialmente construídos. O contexto histórico atual exige do educador uma postura muito mais complexa. Para muitos alunos, o vínculo com o professor é o único fio condutor que o levará à convivência harmônica com a sociedade. É assustador verificar que a educação no Brasil está sem um caminho de consenso a percorrer. O que há são modelos invariavelmente incompreendidos e brutalmente impostos, ou por políticas públicas, ou pela autonomia de instituições privadas.
  A desqualificação da educação é crescente. Diante do terror da crise, vemos um aprisionamento cada vez maior do professor a práticas corruptas incorporadas à cultura escolar.
  Em nome de uma avaliação processual e formativa que garanta a ‘‘recuperação de conteúdos’’, a escola faz ‘‘vistas grossas’’ sobre o desempenho real dos alunos, submetendo-os a ‘‘trabalhinhos’’ vazios de sentido, que elevam a média para ‘‘passar de ano’’. É um mascaramento corrupto da ineficiência burocrática da péssima escola brasileira. Tornou-se jargão popular: ‘‘O professor finge que ensina, e o aluno finge que aprende’’.
  A pressão sobre os professores para a aprovação do maior número de alunos já se tornou parte da cultura das escolas. Mais grave que ser submetido a essas loucuras, é não se indignar e não denunciar. Falta seriedade. Aterrador é perceber que a sociedade está conivente com esse processo, incorporando no discurso de seus interlocutores a defesa de um modelo que nos mantêm nas piores colocações nas avaliações nacionais e internacionais.
DEMILSON PAROLIN é professor de História da rede pública e privada em Londrina


Rio desaparece sob as águas do mar

Nelio Roberto dos Reis
  A Nasa, Agência Aérea Espacial dos Estados Unidos, está prevendo que o gelo da Antártida pode acabar em apenas seis anos – isto é em 2013 –, elevando assim os oceanos em 12 metros e o mar invadindo cidades como Rio de Janeiro, Recife e Florianópolis.
  A Nasa foi criada em 1958 para propor uma exploração espacial responsável para enviar o homem à Lua no Projeto Apollo. Hoje, prevendo um quase final do mundo para daqui a seis anos, já não está mais responsável como na sua criação. Os Estados Unidos (EUA) estão cheios de organizações importantes que procedem irresponsavelmente como a Nasa. Haja vista a Agência Central de Inteligência (CIA), que deveria sediar atitudes em prol da segurança americana, já previra que era seguro o presidente John Kennedy andar em carro aberto em Dallas, arquitetou por 20 anos o assassinato de Fidel Castro, achou que a morte do pastor Marthin Luther King apaziguaria os negros americanos e deu no que deu.
  Quando ao FBI, que deveria levantar informações para proteger o povo, a história mostra que este órgão detectou, distorceu e caluniou todas as informações possíveis, sempre para proteger o ‘‘bem’’ do modo de vida americano. Diante disso, deveríamos nos preocupar com o telescópio Kleper proposto pela Nasa para funcionar em 2008 procurando vida em outros planetas. E do SIN, projeto para precisar a posição exata das estrelas. Corre o risco de encontrarem Bin Laden escondido em Marte e desaparecerem com o sol de cada manhã. Seria mais próximo da verdade do que as geleiras desaparecerem em 6 anos. Para cientistas que trabalham em universidades sérias, as práticas agrícolas de nossos ancestrais dispararam o aquecimento global milhares de anos antes de começarmos a queimar carvão e andarmos de automóvel.
  Também é certo que até o final deste século e não daqui a seis anos, o aumento da temperatura média na Terra deve ficar entre 1,8 a 4 graus, e isso acarretará uma série de catástofres naturais e o nível dos mares deverá subir, em média, 38 cm, o que provocaria inundações em série e poria as cidades costeiras em risco. Também é verdade que um aumento de mais de 2 graus na temperatura média da Terra até 2050 poderá provocar a extinção de milhares de espécies de animais. Ainda, o aumento da temperatura causará epidemias de doenças tropicais, como a malária, em várias regiões onde já se erradicou o mosquito transmissor.
  Fotos de satélites mostram que a massa glacial vem se reduzindo progressivamente com o derretimento das geleiras. Mas podem ficar tranqüilos que nada vai acontecer em 6 anos, além dos EUA perderem sua credibilidade. Realmente não sei como um país deste continua no topo do mundo com suas instituições mais importantes falando mais bobagens que escolas de periferia de país de terceiro mundo. O atual responsável e inteligente diretor da Nasa se chama Michael Griffin.
NELIO ROBERTO DOS REIS é professor universitário em Londrina


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