Educação e os limites da escola pública

Edgar Rogério da Costa
  A pedagogia adotada pelos colégios públicos paranaenses dá ênfase a uma educação inclusiva, obviamente necessária e adequada aos nossos dias. O debate sobre a extensão e as conseqüências dessa linha pedagógica, entretanto, nos leva a uma gama de problemas cuja natureza excede o âmbito escolar. O aluno deve ser respeitado em seu contexto, sua condição social e suas limitações; a escola tem de lhes garantir a chamada ‘‘apropriação dos conhecimentos historicamente acumulados’’. Em tese a escola deve falar a linguagem dos alunos, tratar suas limitações e ajudá-los a aprender não obstante suas deficiências.
  Democratizar o ensino é levar em primeira conta o contexto dos alunos mais descontextualizados. Esta idéia reaparece nas questões 4 e 12 do concurso para professor realizado pela Secretaria de Educação há 2 semanas: ‘‘A escola brasileira contemporânea enfrenta um grande desafio, qual seja o de garantir a aprendizagem a todos os seus alunos. Só se consegue atingir esse objetivo, quando a escola assume que as dificuldades de alguns alunos não são apenas deles, mas resultam em grande parte do modo como o ensino é ministrado, como a aprendizagem é concebida e avaliada. Que os professores se conscientizem de que os alunos das escolas públicas, em sua maior parte expostos a processos de exclusão social, são capazes de aprender: não possuem deficiências lingüísticas ou culturais’’.
  Bem, se ‘‘os alunos são capazes de aprender’’ mas não aprendem, a responsabilidade recai sobre o professor e a escola. Torna-se necessário rever a avaliação, ser mais indulgente, dar trabalhinhos, etc. Porém, esta trilha nos mostra que alunos estão concluindo o Ensino Médio incapazes de ler e escrever. A bandeira da inclusão, que alardeia o aluno recebendo um aprendizado individualizado, além de, na prática, estar incorrendo na deterioração da qualidade do ensino, guarda desafios ainda maiores. Ela exige investimentos que o governo não destina e que dificilmente destinará. É só discurso. Na prática, uma escola que realmente crê ‘‘que as dificuldades de alguns alunos não são apenas deles’’ não vai reverter coisa alguma com recursos módicos e um número limitado de profissionais. Se queremos de fato ‘‘responder às necessidades de cada aluno’’, que tal começarmos diminuindo as turmas de 35 e 50 alunos?
  Em tempo: é a escola que tem de se dobrar ao péssimo nível dos alunos? Certa vez, passando um texto de filosofia para uma turma de 2º ano, uma aluna me apostrofou: ‘‘Professor, eu não entendo essas palavras... o senhor precisa passar algo mais simples pra mim’’! Pensei comigo: ‘‘Claro! Um texto que utilize a linguagem simples do MSN, por exemplo...’’ Na última reunião pedagógica, uma novidade: ao professor cabe agora a tarefa de identificar alunos com transtornos de déficit de atenção e hiperatividade! E por aí vai!
EDGAR ROGÉRIO DA COSTA é professor do Ensino Médio em Londrina


O Londrina continua vivo

Sergio Luiz Gonçalves
  Ao que parece ex-jogador e ex-presidente do Londrina Carlos Alberto Garcia continua apostando no fim do clube como demonstrou em entrevista publicada pela FOLHA (Opinião, pág. 3, 09/12). Como presidente jogou o maior patrimônio do clube, a participação na Série B do Brasileiro, pela janela chegando a declarar publicamente que talvez fosse melhor uma reestruturação na Série C. Renunciou e agora faz-de-conta que nada tem a ver com a situação atual.
  Quem não vê que os campeonatos regionais se transformaram em torneios de segunda categoria? E que os grandes clubes levam a sério mesmo são os nacionais, pois sabem que são garantia de calendário, de vitrine e de patrocínio. O Londrina disputou a Série B por quase 20 anos, com dívida e tudo, além das participações na Série A. Qual clube não tem dívida? O Corinthians acaba de cair para a segunda divisão e tem uma dívida de respeito. Qual seria a solução? Apostar no fim do clube?
  Sou torcedor apenas do Londrina, vou a todos os jogos há mais de 30 anos. Sei que o Garcia foi ídolo do Londrina, dentro de campo. Mas como dirigente faz parte de uma negra página da história do clube. Infelizmente, demorou demais para renunciar. De prático, apenas tirou o clube do cenário nacional. Por quais motivos Caxias do Sul, Ipatinga, Florianópolis, Marília, Criciúma e outras cidades do mesmo porte de Londrina, ou menores até, conseguem manter um clube de futebol?
  Todo mundo sabe que é difícil revelar craques que valham milhões. No entanto, parece que todo mundo acredita que temos condições de gerar craques, tanto que até o Inter de Porto Alegre tem escolinha aqui em Londrina. Alimentar a idéia de que não é possível se manter um clube como o Londrina é apenas um pretexto para esconder falta de trabalho e de criatividade, além de alimentar o calote para com os seus credores. Se o Londrina fosse tão frágil já teria acabado.
  O que se espera de qualquer dirigente é que esteja preparado para proteger e resguardar o clube e o seu calendário. É assim que em muitos lugares o futebol sobrevive. Inclusive no interior. Por isso, eu aposto no Londrina. É cedo demais para morrer!
SERGIO LUIZ GONÇALVES é engenheiro agrônomo em Londrina

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