ESPAÇO ABERTO
Dez dicas para o advento
Dom Orlando Brandes
Advento quer dizer vinda, chegada, visita. É o tempo de quatro semanas que antecede o Natal. Portanto, é um tempo santo de preparação para o nascimento de Jesus. Como viver este tempo?
1. Participar das Novenas de Natal nas casas e transformá-las em Grupos de Reflexão. O melhor presépio é um grupo de pessoas reunidas nas casas em nome de Jesus.
2. Meditar a Bíblia. O profeta Isaias agora nos fala de esperança: As espadas se transformem em enxadas, o luto em alegria, o deserto em Jardim. Sejamos testemunhas da esperança. O leão e o cordeiro, o urso e o cabrito, o lobo e o boi estarão juntos. Eis o tempo de paz.
3. Não falar, nem propagar o papai-noel, mas o Menino Jesus. Papai-noel é sedutor do mercado. Com abraços, risos, beijos seduz as crianças a serem consumistas. O velho matou o Menino. Um Menino nos foi dado (Is 9,5).
4. O advento pede mais oração, meditação e silêncio. Nada de correria e menos televisão. Tenhamos tempo para os filhos, para o casal e os vizinhos. Voltemos a participar da Igreja, da religião. Eis o tempo de conversão e salvação.
5. Uma boa confissão é o melhor presente que podemos dar a Jesus. Nasceu para vós um Salvador (Lc 2, 11). Ele quer nossos pecados. Advento com um perdão a quem nos ofendeu é recuperar a alegria, a saúde e a paz.
6. Neste Advento de 2007, lembrando a Fraternidade e Amazônia, vamos cuidar da mãe terra, das águas, do verde, com reciclagem do lixo, plantação de árvores, não lavar a calçada com água. Jesus é a árvore da vida.
7. Um pouco de penitência é saudável. Não dirigir embriagado. Não transmitir doenças contagiosas. Não justificar o mal. Pelo contrário, doar órgãos, doar sangue, adotar uma criança e evitar a dengue. Ser mais generoso na Campanha de Evangelização. Eis o verdadeiro advento.
8. Os pobres, doentes, as crianças, pecadores são o centro do Natal. Daí que um gesto de acolhimento, de hospedagem, de visitação, de reconciliação pode marcar este tempo. Não economizar elogios, perdão, acolhimento, abraço, amizade e compaixão.
9. Ser positivo, alegre, principalmente ter os olhos fixos em Jesus, Maria e José. As mães gestantes têm em Maria grávida do Espírito Santo, a proteção, a ternura, a paz. Os maridos como José, voltem para casa, a família. O bem primário e fundamental da vida é a família.
10. As crianças não só recebam presentes, mas aprendam a partilhar. Que se encantem por Jesus. Amemos as crianças desde o ventre materno. Não percam elas a inocência. Cresçam em idade, sabedoria e graça. Neste Advento: Escolhamos, pois, a vida! (Deut 30, 15).
DOM ORLANDO BRANDES é arcebispo de Londrina
Lentidão ou inchaço?
Alvaro Rodrigues Jr.
A lentidão do Poder Judiciário é antiga e crônica. No entanto, as estatísticas são reveladoras. De 1940 até setembro de 2007, houve um crescimento de 3.156% dos processos que chegam ao Supremo Tribunal Federal (STF). No mesmo período, segundo o IBGE, a população brasileira cresceu 446,3%. Ou seja, o número de processos no STF aumentou sete vezes mais que a população. Somente em 2006, os 11 ministros do STF julgaram 110.284 processos. Ora, é humanamente impossível que cada ministro esteja decidindo mais de 10 mil causas por ano.
O inchaço também é notório no Superior Tribunal de Justiça (STJ), que de 1989 até setembro de 2007, julgou mais de 2 milhões de processos. Um crescimento de 393,7%, enquanto a população brasileira, no mesmo período, cresceu em torno de 25,4%.
Em Londrina, a situação não é diferente. Cada uma das 10 Varas Cíveis têm entre 8.000 e 10.000 processos, enquanto cada uma das 5 Varas Criminais têm, pelo menos, 2.000, sendo que cerca de 350 são de réus presos. Já as 2 Varas de Família contam com, no mínimo, 3.400 e a Vara da Infância e Juventude com aproximadamente 5.000.
Tais números, embora alarmantes, não servem, por si só, para justificar o fato de que a prestação jurisdicional não atende os anseios da sociedade e o próprio conceito de Justiça. Segundo Joaquim Falcão, ministro do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), análise mais rigorosa sobre a natureza das causas revela que: a) são causas repetitivas; b) são causas que envolvem principalmente interesses ligados ao Estado, sejam disputas intra-estatais com funcionários públicos, sejam disputas fiscais e previdenciárias; c) são milhões de processos decorrentes de planos econômicos que feriram direitos adquiridos, contrariaram o Estado de Direito, afetando pensionistas, trabalhadores e investidores. Trata-se, portanto, de verdadeira estatização da pauta de julgamentos.
Segundo o Diagnóstico do Judiciário, elaborado pela Secretaria de Reforma do Judiciário, nada menos do que 79% dos processos autuados no STF de 1999 a 2003 tinham como parte alguma entidade do Poder Público. Considerando apenas entidades públicas federais, seriam 65% dos processos. De modo que para combater o inchaço do Judiciário não basta o compromisso permanente com o crescimento da qualidade da prestação jurisdicional.
Mostra-se imprescindível um esforço de diminuição quantitativa das demandas judiciais, seja através do incentivo à conciliação, seja ao se repensar a utilização da Justiça pelo Poder Executivo. Caso contrário, a lentidão, que é crônica, ficará insustentável, em prejuízo de toda a sociedade.
ÁLVARO RODRIGUES JUNIOR é juiz de Direito da 10ª Vara Cível e diretor do Fórum de Londrina





