Corintianismo crístico

Rodirlei Guimarães Pereira
  O título acima parece bastante antagônico ou mesmo uma blasfêmia. Mas na verdade quero enfocar a grande ‘‘devoção’’ dos corintianos pelo seu clube sob um foco psicocristão. O que vimos nos últimos dias da torcida corintiana e o que ela fez nos estádios a favor do seu time é algo de extrema emoção. Para qualquer pessoa, visualizar aquelas imagens é algo que arrepia e enche de emoção. A doação de cada um pelo clube é algo muito raro de se ver em qualquer outra atividade, seja de lazer, trabalho ou comunitária.
  O corintiano é geralmente intitulado de chato pelos demais torcedores, pois defende seu clube sobre qualquer aspecto e o considera sempre o melhor. No entanto, o que tem de importante na grande ‘‘devoção’’ dos corintianos com algo crístico? É que mesmo diante de todas dificuldades havidas nos últimos meses deste clube, mesmo diante de só haverem corintianos - os demais são anticorintianos - mesmo diante de jogos fracos e sabedores do sofrimento de chacotas e outras coisas mais que terão de passar, sabe-se lá por quanto tempo, esta torcida não desiste jamais, é eternamente apaixonada pelo clube ou como eles mesmos dizem: são loucos pelo Corinthians.
  É com este espírito de devoção e de paixão que devemos nos prostrar e agir diante dos fatos de nossas vidas, vez que nem sempre somos campeões. Também temos nossos dias de rebaixamento para a segunda divisão. E nesses momentos, a exemplo da torcida corintiana, podemos até sofrer, como vimos ela sofrer, mas, rapidamente devemos voltar a torcer e proclamar o nome do maior e melhor ‘‘clube’’ do mundo, o mais poderoso de todos os tempos e capaz de vencer todos os campeonatos, o nosso Criador e Senhor de todas as coisas.
  Com Ele, não importa a derrota daquela partida (o dia ruim) não importa a perda do campeonato (um desejo não realizado) não importam as chacotas alheias (as palavras contrárias a nós) enfim, não importa ter acontecido algo ruim de maneira inédita, pois se acredita na força do clube e que este voltará a brilhar, pois o coração ‘‘corintiano’’ é algo diferenciado, acredita cegamente, crê diferente, mesmo sabendo que suas forças materiais não são suficientes para vencer (o time é limitado/somos limitados fisicamente). É algo que vem do espírito desses torcedores. É assim que um grande cristão deve ser; um corintiano de Cristo: acreditar que o ‘‘seu clube’’ (Deus) apesar de todas adversidades que passamos na vida, vai nos conceder eterna alegria para viver de maneira completa, cheios de espírito crístico, voltado às coisas Dele, e não do mundo da bola (mundo geral). Que o fervor dessa torcida externa (coros e festas) seja transformada em vontade interna de torcer/lembrar do nosso Cristo em todas as coisas e agir segundo seu jogo.
RODIRLEI GUIMARÃES PEREIRA advogado em Santo Inácio

Mais espiritualidade que escolaridade
Walmor Macarini
  Uma grande maioria defende que, para solucionar os problemas brasileiros e sair da linha do subdesenvolvimento, da corrupção e de outros males, há que se empreender uma revolução educacional. Isto pode ajudar, mas não há garantia de sucesso. Se, por revolução educacional entende-se uma retomada da consciência, então pode funcionar. Mas educação no sentido de formação puramente acadêmica pode apenas acumular a pessoa de informações e conhecimentos mas não fazê-la integral, consciente, solidária, iluminada.
  A população da Europa inteira é alfabetizada e culta e, no entanto, vive desencantos individuais, pelo alto grau de individualismo e materialidade. O povo dos Estados Unidos, onde quase todos têm formação escolar, é amante da guerra e foi com essa gente elevada em escolaridade que o mundo aprendeu todas as formas de violência, por via de seus filmes e seus exemplos.
  Lutas armadas, assaltos, seqüestros, ação de trombadinhas, formação de tribos radicais, concorrências e destruições, propagação de medos, muito disto emanou da escola norte-americana. Então, ali, a dita revolução educacional não funcionou. É bom sempre lembrar que os alemães foram induzidos a entrar numa guerra mundial pelo comando de um único homem, e quando todo seu povo era alfabetizado.
  Educação deveria resultar em nações sábias, mas o que ocorre é que elas ficam apenas informadas e cultas, o que não é a mesma coisa. O novo aceno de salvação da humanidade aponta para o desenvolvimento da espiritualidade. Um tema abominado pela grande maioria das pessoas, porque confundido com religião.
  Fora do caminho do desenvolvimento espiritual não há salvação. E ele não conduz à porta de nenhuma corporação religiosa e sim ao recôndito iluminado de cada um. Espiritualidade é despertamento, e isto é algo que precisa ser buscado e cultivado. Significa o homem voltar-se para dentro de si próprio e ouvir o mestre que lhe fala, e este não se equivoca.
  Se cada um não se melhorar interiormente e não fizer a sua parte, formação educacional nenhuma resolverá. Estão entre os homens formados nas melhores academias os que fazem as guerras e elaboram grandes projetos que resultam em destruição, inclusive do ambiente e da dignidade de tantas pessoas. A espiritualidade trilha pela senda da sabedoria e se nutre não de intelectuais mas de sábios. Estes, eventualmente até subletrados e aparentemente deslocados da realidade do mundo.
  São os estrategistas altamente preparados nas melhores universidades que engendram as competições predadoras e os conflitos humanos daí decorrentes. É preciso que cada um ser extraia de seu âmago mais profundo a sua porção sábia. Que pode ser compreendida como a sua porção divina. Ela está ali, pronta para manifestar-se. Não é algo incompatível com a intelectualidade, mas não pode ser sufocada por ela.
WALMOR MACARINI é jornalista na FOLHA DE LONDRINA

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