O que é co-dependência?

Margareth Alves
  Todos nós sabemos ou temos idéia do significado da palavra dependência e as formas como ela se manifesta. Uma pessoa pode se mostrar dependente de outra, emocional e financeiramente. Pode se mostrar dependente de drogas, bebidas, etc. Pode se mostrar dependente de remédios. Enfim, são várias as formas com que a dependência pode se manifestar.
  Os especialistas começaram a perceber que parentes, cônjuges, filhos, etc., também apresentavam comportamentos muito semelhantes às pessoas que tinham e conviviam com o mesmo tipo de problema. E passaram a voltar sua atenção e seus estudos também para essas pessoas próximas. Eles perceberam que não somente as pessoas que conviviam com dependentes químicos apresentavam esses problemas. Quem convivia com pessoas com problemas compulsivos como jogar, comer demais, desvios sexuais, etc., apresentava o mesmo tipo de comportamento ou reação a esses distúrbios. Um denominador razoavelmente comum era ter-se um relacionamento, pessoal ou profissional, com pessoas perturbadas. Um mais freqüente denominador parecia ser as regras silenciosas e não escritas que geralmente se desenvolvem na família próxima e estabelecem o ritmo dos relacionamentos. Essas regras proíbem: a discussão dos problemas; as expressões abertas de sentimentos; comunicação honesta e direta; expectativas realistas, como a de ser humano, vulnerável ou imperfeito; confiar em outras pessoas e em si mesmo; brincar e divertir-se; e balançar o barco familiar, tão fragilmente equilibrado, através de crescimento ou mudança, por mais saudável ou benéfico que esse movimento possa ser.
  O problema que essas pessoas apresentavam foi chamado de co-dependência e quem o apresentava passou a ser conhecido como co-dependente. As principais características do co-dependente são tomar conta, controlar, preocupar, negar os problemas, dependência, baixa auto-estima, falta de comunicação, entre outros. E o mais importante e que envolve todos esses: viver em função do outro tomando conta, preocupando-se, salvando, assumindo suas responsabilidades e vivendo para ele ou por ele. E o que é mais grave: mantendo as pessoas na posição que estão, dependentes, problemáticas e não assumindo a responsabilidade pela própria vida e não cuidando de si mesmas.
  A co-dependência surge da história de vida da pessoa. Ela acredita que não é boa, não é digna de ser amada porque sentiu algum abandono em sua infância. Sentiu que dentro de si só existe dor e mais nada de bom. Passa-se a acreditar que a chave da felicidade está com os outros. Estas pessoas buscam no outro a felicidade que não encontram em si mesmo. O outro passa a ser a vida do co-dependente. O primeiro passo é assumir a responsabilidade pela própria vida. Deixar que o outro cuide e tome conta de si mesmo, assuma suas responsabilidades. Desligar-se do outro e se ligar à sua própria vida. É passar a identificar, reconhecer e aceitar seus desejos e necessidades. Na verdade, é preciso dar o primeiro passo e começar.
MARGARETH ALVES é psicóloga, terapeuta familiar e coach em Londrina


Pobre EUA: longe do Euro e perto do México

Beto Mansur
  Fui aluno do professor Luis Alberto de Araújo no curso de Direito da Universiade Estadual de Maringá (UEM) e pela paixão por fatos históricos levei a disciplina de Direito Internacional muito a sério. Na época, vivíamos intensamente os valores do momento e, talvez, não era importante o passado e nem o futuro, já que tínhamos consciência de que jamais ficaríamos velhos e que a nossa juventude se estenderia fácil, fácil, até o século XXI.
  Na aula sobre o Acordo de Bretton Woods, nos Estados Unidos (EUA), em 1944, para deixar o dólar forte, lembro-me que desse acordo nasceriam, pela estabilidade econômica dos países, o FMI e o Banco Mundial. Disso, vieram as conseqüências: a volta do liberalismo e os EUA, direta ou indiretamente, tendo poder econômico sobre boa parte do planeta - o dólar tornou-se moeda de referência mundial.
  No fim da aula, o professor falou das interferências dos EUA na gestão de certos países e, citando o mexicano Porfírio Dias, emendou: ‘‘Pobre México! Tão longe de Deus e tão perto dos Estados Unidos’’. Nunca me esqueci disto. Dessa aula, esperaríamos o dia em que os EUA deixariam de ser, pela força de sua moeda, o país das determinações econômicas.
  Porém, o tempo passa, o tempo voa e os EUA não estão numa boa. Os preços dos imóveis em queda, o preço do barril do petróleo quase aos
US$ 100 e o governo norte-americano gastando mais do que arrecada. Frente a isso, é impossível que o consumo não seja afetado. Hoje, estima-se em 1,5% o crescimento dos EUA para o ano de 2008.
  Neste final de década, temos o renascimento do ciclo dos grãos. Isto, graças a alguns fatores: a alta dos Hedge Funds (investimentos indexados em commodities); a ascensão da demanda por biocombustíveis; e a demanda asiática que consome 45% dos grãos produzidos no mundo, o que representa 45% da soja produzida na América Latina e 37% nos EUA; a desvalorização do Dólar frente ao Euro (em 19 de novembro de 2007, numa proporção de 1,475 Dólar para cada Euro); o final de fronteira agrícola dos EUA e a expansão agrícola da América Latina e do Brasil como centro mundial do biocombustível.
  Hoje, as cotações das commodities agrícolas atingiram significativa valorização mensal, com os preços dos grãos subindo 14,7%, pela alta expressiva do trigo, milho e soja. Porém, nesse cenário, podemos visualizar a América Latina num expressivo crescimento do agronegócio e a transferência do valor econômico para fora dos EUA. Nestes tempos, podemos pensar: ‘‘Pobre EUA! Tão longe do Euro, tão perto do México’’.
BETO MANSUR é palestrante de Empreendedorismo em Londrina

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