Revista da PM no Colégio Vicente Rijo
Gonçalo José Machado Júnior
Não posso deixar de me posicionar sobre a revista feita pela Polícia Militar nos alunos do Ensino Médio do Colégio Estadual Vicente Rijo no último dia 5. Respeito e admiro a gestão dos diretores da escola, que tem uma estrutura física fantástica, mas que necessita de investimentos tecnológicos, um corpo de funcionários dedicados, professores com um enorme potencial e alunos que, em sua imensa maioria, me alegram e me orgulham. Respeito, e muito, o projeto da Patrulha Escolar, mas não posso concordar com o ''espetáculo'' e a ineficiência dessa operação já que houve um atraso enorme entre a chegada dos policiais e o início da revista. Minha crítica, reconheço, remete-se a um fragmento dessa ação que pude vivenciar.
Após orientar os alunos sobre a revista, inclusive exigindo ser o primeiro e deixando claro ao oficial que não concordava com a operação, espero nunca me acostumar com a cena que presenciei: 35 jovens, com idade média de 17 anos, sentados, de braços cruzados - segundo a ordem dada pelo oficial -, com olhares de temor e ansiedade foram, um a um, revistados fisicamente e em seus pertences por mais de uma dezena de soldados armados, sem que nenhuma acusação de violência, indício ou suspeita de tráfico ou de consumo de drogas legitimasse tal ação, pelo menos naquela turma.
Terminada a revista, o oficial solicitou que aguardasse mais dez minutos para devolver os celulares que foram colocados em minha mesa e esperasse na sala com os alunos até que a operação terminasse, o que só ocorreu por volta das 11h30. Durante 90 minutos fomos cerceados do direito de ir e vir, enclausurados numa sala, numa complacência bovina, enquanto cerca de 200 policiais vasculhavam as dependências do colégio.
Não posso concordar que tal operação possa se naturalizar em nosso cotidiano como fosse algo normal e necessário e me julgo no direito de questionar se tal estratégia de repressão seria politicamente aplicável em instituições privadas. Não posso concordar que tal fato se transforme em mercadoria cultural nos meios de comunicação de massa, para ser vendida nos horários das refeições, encapsulada, entre anúncios de vendas de celulares e refrigerantes, e sem o devido espaço para a reflexão, banalizando o debate e estigmatizando alunos como infratores.
Não posso concordar que tal operação possa se legitimar pela autorização das instituições sociais responsáveis (família, escola, Estado), permitindo que o ambiente escolar se transforme em caso de polícia, como se fosse algo positivo. Não podemos, e não devemos, admitir que essas instituições, num processo irresponsável de omissão, permitam, autorizem e transfiram ao aparato repressor militar e policial, a tarefa e a missão de introjetar as normas e regras em jovens estudantes. No ambiente escolar, nossa juventude deve se instrumentalizar do conhecimento científico, dos valores sociais, culturais, econômicos e políticos e desenvolver a capacidade crítica para exigir e praticar a cidadania e não reproduzir o ''mais da mesma coisa'' que conhecemos há mais de 500 anos.
GONÇALO JOSÉ MACHADO JÚNIOR é professor de Sociologia em Londrina

Polícia Militar e juventude
Nelson Villa Junior
  Um dos fatores que caracterizam um Estado Democrático de Direito é a liberdade de opinião. Críticas, ainda que acerbas, fomentam o aperfeiçoamento. No entanto, há que se ressaltar que, para que sejam consideradas contributivas, devem vir precedidas de conhecimento acerca de seu objeto, sem o que não passam de exercício de direito, que pouco agrega.
  O Projeto Patrulha Escolar objetiva, dentre outros, proporcionar a integração da Polícia Militar (PM) com a escola. Em sua atuação, destacam-se as visitas escolares, o assessoramento atinente à segurança, as dinâmicas com a comunidade escolar, palestras sobre temas variados, etc. Tudo em busca da construção de um congraçamento que invariavelmente traz bons frutos para o jovem e para a sociedade, não só no que está afeto à segurança, mas para a própria formação cívica das gerações que se incumbirão de dirigir a vida do cidadão.
  Nesse rumo, é fundamental a presença do policial dentro das escolas, marcando a quebra de um paradigma que advém de preconceitos que consubstanciam verdadeiro recalque de um passado em que polícia era vista como órgão eminentemente repressivo a serviço de um Estado autocrático, utilizada como verdadeira massa de manobra que fazia cumprir, pela força, atos institucionais constritivos de direitos.
  Para que se obtenha uma polícia que possa bem atender a comunidade é necessário que se aceite a idéia de polícia comunitária. Sem a integração entre comunidade escolar e polícia, a sociedade perde já que o aluno fica vulnerável e a polícia deixa ser um instrumento importante ao alcance do estudante. A polícia, longe das escolas, mitiga as possibilidades de se diagnosticar a solução de problemas crônicos ligados à segurança, já que deixa de colher, in loco, informações peculiares a cada situação. Opiniões separatistas que avocam concepções que entendem que polícia está num pólo e escola em outro devem ser combatidas.
  A Patrulha Escolar Comunitária é um projeto que tem dado certo. A integração tem sido realizada com sucesso. Os resultados estão aí, à disposição de todos, respeitando uma atuação de caráter programático extremamente importante para a comunidade escolar. Só sabe disso quem está envolvido diretamente. Não pode a sociedade se render a pensamentos conservadores que não acompanham a evolução social. Conclamo estudantes, pais e mestres para que continuem acreditando no sério serviço que a Patrulha Escolar vem desenvolvendo e vejam no policial um amigo, porque - tenham certeza disso - ele quer ser seu amigo. Para os que não conhecem o projeto, venham conhecê-lo. As portas do batalhão sempre estarão abertas para a comunidade escolar e para a comunidade em geral.
NELSON VILLA JUNIOR é comandante da Patrulha Escolar Comunitária no 5º Batalhão da Polícia Militar em Londrina

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