Revelar-se politicamente
Julieta Arsênio
  Recentemente, numa conversa com amigos tentamos falar sobre política. Ao final, concluímos que nada dissemos, nada modificamos, porém cada qual levaria o assunto para reflexões e nos comprometemos a voltar falar sobre o assunto. Por mais que a minha reflexão me direcionasse a mudanças em minha conduta, ainda restava a dúvida se valeria a pena tentar entender a nossa política. Afinal, o que é política? Poderia responder tomando as palavras dos grandes filósofos como Aristóteles, Platão, Rosseau, Thomas Hobbes, etc. Infelizmente, são valores pouco entendidos por muitos que fazem política. Contudo, prefiro entender como: ‘‘Política é a arte de servir bem ao povo’’.
  Será que isso de fato existe no nosso país? Será que existe algum administrador público que conseguiu, com auxílio dos outros poderes, a façanha de servir bem o povo? Os meios de comunicação nos aponta a todo momento um país onde se rouba até as esmolas dos pobres financiados pelo governo federal, onde existe até máfia das ambulâncias, dos correios, dentre outras, e onde os princípios éticos e morais foram abandonados em troca da imoralidade.
  Esse é o nosso cenário político. A culpa não é só de um único partido, mas da grande maioria que não se envergonha de se expor diante do caos político-social, impasse esse que sempre existiu entre os políticos que nos representam, ora camufladamente, ora explícita e vergonhosamente. Decidi mudar minha conduta, pois de nada valeria encontrar-me no grupo de amigos e dizer as mesmices que todos sentem, como eu: o dilema de como se conduzir politicamente.
  Trouxe para essa mudança de conduta as palavras de Martin Luther King, pastor e ativista político, um dos principais líderes do movimento político americano: ‘‘O que mais me preocupa não é o grito dos violentos, nem dos corruptos, nem dos desonestos, nem dos sem-caráter, nem dos sem-ética. O que mais me preocupa é o silêncio dos bons’’. E entre esses bons, estamos nós que diariamente saímos de nossas casas, que enfrentamos filas para cuidarmos da saúde, que recebemos salários minguados, não para poupar, mas para revertermos nas compras de supermercados, remédios, impostos entre outros.
  Entre esses bons, estamos nós que devemos refletir sobre os caminhos das próximas eleições, enxergando nas mesmas palavras dos atuais e futuros candidatos, as mesmas promessas não-cumpridas, os mesmos sorrisos, que não nos tocam, os mesmos olhares ‘‘sérios’’ de sempre, demonstrando o quão bons atores são. Cabe a nós, não nos omitirmos mais se realmente quisermos mudar alguma coisa em nossa cidade, Estado e País, servindo-nos do melhor dos direitos de cidadãos. Não permita que seu silêncio engrosse a derrota de um povo sofrido. Juntem-se a nós. Mudemos nossa conduta e vamos inverter o que não podemos mais aceitar. Façam parte não mais do silêncio dos bons, mas do brado que ora esses bons, como você, se propõem a participar.
JULIETA ARSÊNIO é psicóloga em Londrina

Em busca de bons políticos
Osvaldo Cardoso Ribeiro
  Diante da insensatez da maioria dos políticos e da falta de projetos autênticos em benefício social, da impotência da lei que permite um céu sem limites de impunidade para os figurões que mandam e desmandam neste país, ficamos indignados e sem saber em quem votar. Aqueles líderes em quem confiamos nossos votos, nos decepcionaram. Não dá para acreditar em mais nada da política. Dizem-se inocentes, nada fizeram, embora haja provas em contrário com respingos ilegais. Quando surge a lei eles se juntam na teia política e a impunidade sorri vitoriosa. Em nossa história tivemos homens que honraram as cores brasileiras e mudanças boas ocorreram. Muitos dizem ser inocentes e se emudecem no ‘‘nada a declarar’’. Este jargão serve para encobrir e fechar a boca de muito bandido. Os políticos em sua maioria não se arrependem e nem corrigem os erros praticados, não pagam pelas falcatruas engendradas, a legislação não os atinge, tampouco se afundam no sentimento de culpa.
  O pior de tudo é que as eleições se aproximam e eles voltarão, com certeza. Quem se elege para cargo público é como se tivesse tomado uma droga, contrai a politiquice hipocondríaca, perdendo a ideologia e fazendo a política partidária que lhe convém. Como pensar em política séria para melhorar a vida do povo? Os mesmos candidatos já estão de plantão. Como mudar alguma coisa num país onde se misturam ideologias em que ficam na mesma vala as tendências populistas aliadas às estratégias liberais e conservadoras? Será que vivemos a democracia? Como pode poderosos políticos, autoritariamente, imaginarem-se donos da verdade e acima da lei?
  A genealogia da violência e da mentira assinala exatamente o caminho contrário ao da democracia. Temos que exigir em nome de Deus e da Constituição que os políticos honestos que ainda restam e querem se candidatar nas eleições que, caso sejam eleitos, e se exponham no ‘‘tudo a declarar’’, passando sua vida a limpo, lembrando do povo e lutando para um viver melhor de todas as camadas sociais. O povão anda num estágio semiletárgico, sem dar conta de toda gravidade social em que o país vive. A pobreza aumenta, o desemprego campeia, a riqueza da minoria cresce e os bancos nunca ganharam tanto em tão pouco tempo. Tudo isso reflete em péssima qualidade de vida.
  Vamos procurar de olhos bem abertos e ouvidos atentos os raros homens de bem que estão no mundo político. Dos formadores de opinião dentro de sua sapiência aos mais humildes cidadãos urbanos e rurais devem dizer não aos políticos que não exercem bem os seus papéis e querem voltar. Façam uma reflexão, pois nada é tão óbvio que não mereça ser questionado. A memória do povo não pode ser curta, mas sim culta, sabedora que quem fez errado pode voltar a fazer. Pense melhor ao votar na próxima vez que exercer o dever democrático do voto.
OSVALDO CARDOSO RIBEIRO é jornalista em Londrina

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