Fé e resiliência: arte de enfrentar desafios
Margareth Alves
  Resiliência é um termo que vem da física e significa a capacidade de um material voltar ao seu estado normal depois de ter sofrido uma pressão. A psicologia usa este conceito para descrever a capacidade do ser humano de responder de forma mais consistente aos desafios e dificuldades que aparecem na vida.
  Então, resiliência é saber se adaptar e reajustar confortavelmente às mudanças, reagir de forma inteligente às pressões e pressentir e antecipar acontecimentos.
  As pessoas resilientes acreditam em si e naquilo de que são capazes de fazer, gostam e aceitam mudanças, encaram as situações de stress como desafios, mantêm calma e foco diante de situações adversas. E o que podemos observar em quem tem baixa resiliência?
  A pessoa tem o foco no problema e não na solução, dispersão em vez de concentração, desvio de rota e propósito, costuma dizer ou pensar ‘‘eu sempre fiz assim, vou ser sempre assim’’. Alguém derrotado pela adversidade costuma culpar o outro, reclama o tempo todo, evita responsabilidade, tem aversão ao risco e é resistente à mudança.
  Podemos concluir que as pessoas não são perturbadas pelas coisas em si, mas pela idéia que fazem dela. Pessoas que têm baixa resiliência costumam ser pessimistas porque estão sempre olhando para o problema, para aquilo que deu errado, para o negativo e não pensam nas soluções. Todos nós temos uma habilidade natural para superar crises, por mais devastadoras que pareçam.
  Saiba como desenvolver essa força transformadora e usá-la a seu favor nos momentos difíceis:
  1- Admitir a própria vulnerabilidade: ‘‘O bambu se curva sob uma tempestade e é essa ‘humildade’ que faz com que a tempestade não o destrua’’.
  2- Contar com o apoio das pessoas: ‘‘Ter amizades é sinônimo de força e realização’’.
  3- Reconhecer e desenvolver talentos e dons pessoais: ‘‘Tenha sempre um projeto em vista’’.
  4- Saber perdoar: ‘‘Por meio do perdão e do cultivo da compaixão verdadeira, podemos retomar a nossa força e abrir a porta para a liberdade’’.
  5- Ter senso de humor: ‘‘O que importa é se você consegue se fazer rir’’.
  6- Suportar a dor: ‘‘As pessoas podem aprender a lidar com a dor e com a decepção’’.
  7. Buscar sentido em uma crise: ‘‘Perceber que você pode aprender com o sofrimento e se tornar uma pessoa melhor’’.
MARGARETH ALVES é psicóloga, terapeuta familiar e trabalha como coach em Londrina

Judiciário e o combate à violência
Walter Nunes da Silva Júnior
  A morosidade do Judiciário, que está diretamente associada ao sentimento de impunidade, se reaviva sempre que algum caso de corrupção é denunciado ou o autor de um homicídio bárbaro é solto, apesar de o senso comum apontar para a grave ameaça que este representa à sociedade. É um tema recorrente que desafia os magistrados a identificar causas e buscar soluções.
  O ponto de partida é a análise da duração do processo judicial, com a discussão das diversas noções de ‘‘tempo razoável’’ para a magistratura, mídia, sociedade, o Parlamento e o empresariado. O debate dessa questão nasce da necessidade de se buscar um entendimento comum sobre um problema cuja solução envolve vários fatores e atores, dentre os quais os juízes. É, além disso, um princípio elevado à categoria de direito fundamental pela Emenda Constitucional 45, a respeito do qual existem as mais acesas indagações.
  Certamente, os diversos níveis de complexidade de uma causa são determinantes na duração do processo. Aqueles contra o crime organizado, pelas inúmeras conexões e atividades ilícitas envolvidas, não podem ser resolvidos com a mesma rapidez que se espera quando se trata de um furto simples. O inadmissível é que um processo, de qualquer natureza, esteja em tramitação pelos tribunais há mais de uma década, o que não é tão raro de ocorrer no nosso país.
  Algumas das causas dessa morosidade são conhecidas. A permanência de um processo penal anacrônico. Chegamos ao ponto em que a sentença do juiz é um ‘‘nada jurídico’’, porque há inúmeras maneiras de postergar o seu cumprimento. Os juízes federais estão empenhados em mudar essa situação. A reforma do Processo Penal é uma das iniciativas mais importantes para pôr fim ao sentimento de impunidade. A Ajufe encaminhou ao Congresso Nacional uma série de propostas referentes a mudanças da Lei de Execução Penal e de reforma do Processo Penal destinados a melhorar o controle da população carcerária e a corrigir as normas que tornam as sentenças condenatórias destituídas de qualquer eficácia.
  Rever os critérios estabelecidos para a decretação da prisão preventiva, redefinir o papel da fiança e dotar a sentença condenatória de primeiro grau de maior eficácia são algumas das medidas fundamentais para minorar a sensação de impunidade que angustia a todos. A atuação do Judiciário, entretanto, será inócua, se a crise do sistema penitenciário não for resolvida. O crime organizado nasceu dentro dos presídios e, hoje, é de lá que sai o comando das ações criminosas. É preciso modificar esse quadro, com iniciativas que são de responsabilidade do Executivo.
  A lei de informatização do processo (nº 11.419/2006) é também um instrumento poderoso de combate à morosidade, pois racionaliza uma série de procedimentos necessários à formação do processo em papel. Há um longo caminho a percorrer, a começar pela transformação da cultura do burocratismo, assentada nos carimbos e no hábito arraigado da leitura de documentos em papel. A discussão do tempo razoável do processo, a informatização, as mudanças do processo penal e a sistematização de um banco de dados representam, portanto, o compromisso dos juízes federais e de todos integrantes do Judiciário.
WALTER NUNES DA SILVA JÚNIOR é presidente da Associação dos Juízes Federais do Brasil (Ajufe)

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