Os sete pecados capitais globalizados

Dom Orlando Brandes
  1. O orgulho que é a soberba, ostentação, vanglória, presunção. A globalização do orgulho está no mau uso do poder, nas atitudes de dominação, de intolerância, de discriminação, de prepotência. É a onipotência da economia intencional, cujo rosto mais concreto é a exclusão, a miséria e a superprodução para uma minoria. Hoje o orgulho tem seu rosto mais visível nas guerras e na violência.
  2. A avareza que é a ganância do ter, a ambição. A globalização da avareza é o jogo do mercado, o consumismo mundial com a depredação do meio ambiente, as manobras dos países ricos, mais a corrupção. A concentração da renda, a competição, o lucro são formas globalizadas da avareza.
  3. A gula. Sua globalização se expressa no consumismo e no desperdício. O narcotráfico, o alcoolismo, são também expressões globalizadas da gula ao lado da miséria galopante e das novas pobrezas que surgem. As multinacionais e o mercado se encarregam de globalizar a gula, impondo necessidades desnecessárias e aguçando o desejo do consumo.
  4. A luxúria, ou seja, a permissividade, o hedonismo, a exasperação do prazer, a Aids, a pornografia agora na internet, a pedofilia, o turismo sexual, a prostituição, agora estão globalizados, endeusados, liberados e mesmo assim a humanidade não alcançou a felicidade esperada.
  5. A Ira. Sua globalização é a violência e agressividade, especialmente o terrorismo e as guerras. Ira hoje é ‘‘cultura da morte’’, violência urbana, armas nucleares. Há no mundo uma multidão de refugiados, prófugos, órfãos, viúvas, encarcerados políticos. São 150 milhões os migrantes das guerras no mundo.
  6. A inveja. Uma vez globalizada se manifesta na concorrência, na competição e nos lobbys, na formação de cartéis, nas empresas multinacionais, na fome de sucesso, no exibicionismo, no supérfluo, nas rivalidades, nas calúnias, difamações. Inveja é infelicidade diante da felicidade do outro, ou, felicidade pela infelicidade alheia.
  7. A preguiça. Sua globalização está na apatia, na acomodação, na mediocridade, na facilidade. No túmulo de Gandhi estão escritos os sete pecados sociais da humanidade moderna: ‘‘política sem princípios; riqueza sem trabalho; prazer sem consciência; conhecimento sem caráter; economia sem ética, ciência sem humanidade; religião sem sacrifício’’.
  A superação dos vícios capitais globalizados acontecerá pela força da educação e da evangelização, até que seja globalizada a solidariedade.
DOM ORLANDO BRANDES é Arcebispo de Londrina

Como prevenir a perda auditiva

Carla Regina Nunes Barcellos
  O ruído é um som prejudicial à saúde humana. O grau de risco depende de outros fatores, como tempo de exposição, acarretando efeitos adversos ao organismo, tanto auditivos quanto extra-auditivos. Os efeitos auditivos são perda auditiva temporária ou permanente, trauma acústico, zumbido, recrutamento, deterioração da discriminação da fala e otalgia (dor de ouvido). Os extras-auditivos são distúrbio de comunicação, do sono, vestibulares, comportamentais, digestivos, neurológicos, cardiovasculares, hormonais, circulatórios, alteração nos reflexos respiratórios, na concentração, na habilidade e no rendimento do trabalho.
  O nível de ruído relacionado à máxima exposição diária permissível ao trabalhador varia de 85dB por 8 horas a 115dB por 7 minutos de trabalho, segundo a NR-15 (Norma Regulamentadora 15 vigente no Ministério do Trabalho). A Pair é a perda auditiva induzida pelo ruído. A Pair é sempre neurossensorial, irreversível e quase sempre similar bilateralmente. Ela raramente leva à perda auditiva profunda. Manisfesta-se primeira e predominantemente nas freqüências de 6, 4 ou 3KHz e, com o agravamento da lesão, estende-se às demais freqüências, que levam mais tempo para serem comprometidas.
  Tratando-se de uma patologia coclear, pode apresentar intolerância a sons intensos e zumbido, comprometendo a intengibilidade da fala em prejuízo do processo de comunicação. A instalação da Pair é, principalmente, influenciada pelos seguintes fatos: características físicas do ruído (tipo e nível de pressão sonora), tempo de exposição e susceptibilidade individual. A empresa é obrigada a fornecer aos empregados, gratuitamente, protetores auditivos adequados ao risco e em perfeito estado de conservação e funcionamento. Para um protetor auditivo ser eficiente, ele deve agir como uma barreira entre o ruído e a orelha interna, onde os danos ocorrem. Ou seja, ele deve construir uma barreira acústica que deve proteger a orelha interna dos níveis elevados de ruído.
  Na avaliação audiológica ocupacional deve constar a Anamnese (entrevista) com informações sobre a história laborativa, existência de exposição ao ruído ou às substâncias ototóxicas (atual e pregressa), qual o ambiente de trabalho e a função (atual e pregressa); história familiar, uso prévio de ototóxicos (que têm efeito tóxico sobre o sistema auditivo), queixas de zumbidos, hipoacusia (diminuição da acuidade auditiva) e a avaliação auditiva propriamente dita, constatando exames como otoscopia e a audiometria.
  As audiometrias devem ser realizadas, no mínimo, na admissão, no sexto mês de trabalho (exame periódico), anualmente a partir de então, e na demissão nos trabalhadores expostos a níveis elevados de pressão sonora acima de 80dB. É sempre importante lembrar que um Programa de Prevenção de Perda Auditiva pode e deve ser desenvolvido em sua empresa. Existem coisas que você não precisa perder. A audição é uma delas. Hoje, Dia Nacional da Surdez, fica o alerta: proteja-se!
CARLA REGINA NUNES BARCELLOS é fonoaudióloga em Curitiba

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