ESPAÇO ABERTO
Um tiro no próprio pé!
Marcio Almeida
Os colegas professores que estiveram no recente 45º Congresso Brasileiro de Educação Médica, realizado em Uberlândia (MG), trouxeram-me exemplar de um manifesto no qual é feita a defesa do boicote ao Exame Nacional do Desempenho do Estudante (Enade), programado pelo MEC para acontecer no próximo dia 11, domingo. Não é verdade que o exame seja constituído da aplicação de uma prova no final do curso. A mesma prova é aplicada também a alunos ingressantes dos cursos, o que permite análises sobre o diferencial de acréscimo de conhecimento que os cursos/os currículos propiciam aos estudantes. Os outros pseudo-argumentos que o manifesto arrola são tão contaminados por um posicionamento político na linha do hay gobierno soy contra, que não merecem contraposição.
O curso de Medicina da UEL tem por tradição participar de todo processo avaliativo. Seja ele interno ou externo. Nos últimos 15 anos participamos da Comissão Nacional Interinstitucional de Avaliação do Ensino Médico (Cinaem), dos programas nacionais Promed e Pro-Saúde, que analisam o projeto pedagógico dos cursos, da Comissão de Avaliação da Educação Médica (Caem), da Associação Brasileira de Educação Médica, constituímos comissões de avaliadores externos constituída por representantes do CRM-PR, da ABEM, do Conselho Municipal de Saúde, do Ministério da Saúde e do Mecanismo Experimental de Avaliação do Mercosul Mexa-Mercosul). Em todos esses processos, além da participação dos estudantes, em muitos casos respondendo a testes/provas, temos tido a análise de outras dimensões. Como é o caso do Enade, uma dimensão entre outras que constituem o Sistema Nacional de Avaliação do Ensino Superior (Sinaes).
Graças a essa postura de transparência e de permanente prestação de contas junto à sociedade e aos governos, nosso curso tem sido merecedor de elogios e desfruta de bom conceito nacionalmente, como aliás atesta o Guia do Estudante. Isso representa um motivo de orgulho para nós, professores e dirigentes e significa também, e isso é inegável, um ponto positivo para os futuros profissionais quando enfrentam os desafios de inserção no mercado de trabalho cada vez mais competitivo.
Por tudo isso, afirmo com convicção, boicotar o Enade é dar um tiro no próprio pé. Com o agravante de que, assim procedendo, além de prejudicarem a si próprios, os que aderirem ao boicote estarão prejudicando o curso e os demais colegas. Simplesmente porque ficará mais difícil identificar nossas debilidades e tomar as providências para corrigi-las. Esta é uma manifestação pessoal. A próxima reunião do colegiado do curso será realizada depois do dia 11. Mas tenho a impressão que minhas palavras são representativas do sentimento e pensamento da maioria dos professores e estudantes do curso de Medicina da UEL. Termino desejando aos nossos alunos da 1ªe da 6ªsérie que foram selecionados para a amostra, que tenham sucesso na prova no próximo domingo, assim como tenham sucesso na vida profissional futura!
MARCIO ALMEIDA é coordenador do curso de Medicina da Universidade Estadual de Londrina
A cadeia produtiva do leite
Alexandre Lopes Kireeff
As fraudes identificadas no leite produzido por duas cooperativas de Minas Gerais chocaram toda a sociedade, abalando, inclusive, a confiança do consumidor no que se refere à qualidade e segurança do produto.
Importante esclarecer que a cadeia produtiva reserva responsabilidades óbvias a cada um dos envolvidos: ao produtor, produzir; à indústria, industrializar e à fiscalização oficial, fiscalizar. Todos, sem exceção, obrigados a seguirem normas.
Simplificadamente, quando o produtor entrega à indústria o leite, automaticamente está sujeito à fiscalização independente promovida pela inspeção oficial. Esta inspeção, seguindo normas e parâmetros regulamentados, deve avaliar a qualidade daquele leite e determinar seu destino dentro dos diversos processos industriais.
Neste momento, o produtor tem seu produto avaliado quantitativamente e qualitativamente e as regras de inspeção determinam, inclusive, o descarte do leite, se for o caso. O produtor, como conseqüência, pode sofrer sanções que variam entre o desconto e a ausência de remuneração, dependendo da qualidade do produto entregue.
Apesar de tentador, não se pretende, aqui, assumir uma postura corporativa, transferindo a responsabilidade sobre a qualidade do leite ofertado aos consumidores a este ou aquele elo da cadeia produtiva.
A qualidade do leite se inicia na produção das fazendas, continua na indústria e se conclui no varejo, quando é disponibilizado à população. A fraude, que não é a mesma coisa que falta de qualidade, pode ocorrer em qualquer uma destas etapas e envolver, inclusive, aqueles que têm como obrigação fiscalizar o processo.
Por outro lado, a descoberta da fraude mineira é a demonstração de que a cadeia do leite está sob vigilância, o que, certamente, além de comprometer ainda mais todo o processo com a qualidade, certamente desencorajará novos irresponsáveis.
Com relação aos fraudadores identificados em Minas Gerais, esperamos que reflitam sobre seus atos em um outro tipo de cadeia e por um bom período.
ALEXANDRE LOPES KIREEFF é presidente da Sociedade Rural do Paraná
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