Jovens e tráfico de drogas

Neemias Moretti Prudente
  Não há a menor dúvida de que o tráfico de drogas ilícitas, afinada com a lógica de acumulação e produção capitalista já que movimenta cerca de US$ 380 bilhões/ano, constitui um mal que afeta de uma maneira ou outra todas as instituições do Estado e da sociedade. O que nos inquieta são os jovens envolvidos com o tráfico levando a uma provocação que deve ser enfrentada.
  Em geral, é possível estabelecer três níveis relacionados ao tráfico: 1- Nível sofisticado: são aqueles contatos mantidos entre criminosos e parceiros influentes (internacional, nacional e regional) para negociar a compra de grandes quantidades de drogas. Também envolve corrupção e lavagem de dinheiro; 2- Nível médio: são empresários da economia informal que trocam bens roubados por drogas, armas e contrabando; e 3- Nível inferior: esse nível de criminalidade é representado por indivíduos que compram, estocam e distribuem drogas.
  Este último nível se dá em grande parte nos bairros e periferias, marcada pela miséria da população, por absoluta falta de opções e oportunidades, levando principalmente os jovens a tornarem-se alvos fáceis do tráfico, que vêem no ‘‘movimento’’ uma possibilidade de renda e prestígio pessoal.
  O rendimento que obtêm é suficiente para a aquisição de artigos amiúde cobiçados (roupas de marca, motocicletas, etc.) e cujo consumo, aos seus olhos, somente se realiza por jovens de classes sociais privilegiadas. Mesmo aqueles que têm oportunidades de empregos são seduzidos a ingressar em sua estrutura, tamanha é vantagem que dele podem auferir, já que a atividade do tráfico é muito mais rentável se comparada a qualquer tipo de trabalho.
  Há também todo um fascínio exercido pelas armas de fogo e pelo poder que desejam obter. Além, é claro, do status social, capaz de fazê-los serem respeitados na comunidade. Precisam da admiração ou do respeito por meio do medo imposto aos outros. Por isso, se exibem com armas e demonstram crueldade diante do inimigo.
  Assim, sequiosos de ascender social e financeiramente os jovens quase imploram aos donos das bocas-de-fumo um posto hierárquico do tráfico. Não raro iniciam seus trabalhos como ‘‘aviões’’, transportando pequenas quantidades de droga. Paulatinamente, vão galgando novos degraus até chegarem a gerentes ou, quiça, ‘‘donos do morro’’.
  Para o ‘‘empregador’’, a oferta de mão-de-obra, além de farta e barata, é ideal, já que os menores de 18 anos são inimputáveis juridicamente. Fica a provocação: quais são as soluções para o enfrentamento deste flagelo social?
NEEMIAS MORETTI PRUDENTE é pesquisador do Núcleo de Estudos de Direitos Fundamentais e da Cidadania (Unimep) em Piracicaba (SP)


Existe algum refúgio além da Terra?

Dario Rostirolla
  A resposta à pergunta acima é, infelizmente, não. Ao redor de uma estrela da classe G, como o Sol, existe uma faixa, denominada zona habitável, onde a água pode ser encontrada sob forma líquida. Essa faixa inclui a Terra, a Lua, e o planeta Marte.
  Contudo a Lua não é muito amigável - um vasto deserto sem água e com baixa gravidade. Nestas condições, os ossos perdem 1% de massa a cada mês, e uma parte disso é irreversível. O coração diminui de tamanho. Além disso, ao contrário da Terra, ela não tem ionosfera nem camada de ozônio. Com isso, radiações nocivas provenientes do Sol, bem como de outras origens cósmicas, a transformam num esterilizador ultravioleta.
  O Sol é como um grande acelerador de partículas, e o mesmo acontece com o campo gravitacional da galáxia. Partículas eletricamente carregadas, raios cósmicos, raios ultravioleta, podem ser mortíferos. Quando atravessam o interior do cérebro, eles fazem um astronauta ver flashes luminosos no seu campo de visão. No caso de uma explosão solar coronal, como aquela que atingiu a Lua pouco antes da descida dos astronautas da Apolo 17, isso poderia ser fatal.
  Marte é algo mais acolhedor, possui atmosfera, nuvens (de dióxido de carbono), está dentro da zona habitável. Enfim, é o lugar mais parecido com a Terra no sistema. Contudo, ele também não possui ionosfera, e também é bombardeado diretamente pelas radiações. Sua massa é pequena, sua atmosfera é tóxica, extremamente rarefeita, e com isso ele não pode conter uma biosfera acolhedora.
  Além disso Marte, na melhor das hipóteses, é congelante. Na pior das hipóteses, esse imenso deserto é varrido por tempestades de areia. Elas podem encobrir toda a superfície do planeta. Com isso, o dia vira noite, e a temperatura decai até próximo do zero absoluto. Os jipes americanos radiocontrolados, Spirit e Opportunity, que passeiam pela superfície do planeta há quatro anos, quase foram destruídos por uma tempestade dessas.
  Portanto, é melhor cuidar bem da Terra enquanto há tempo...
DARIO ROSTIROLLA é astrônomo amador em Londrina

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