Em defesa dos pacientes

Gilberto Martin
  Não é de hoje que há a discussão sobre os medicamentos de alto custo no Brasil. O tema é pauta de gestores da saúde pública de todo o País. No Paraná, o número de pacientes atendidos pelos protocolos clínicos dobrou. Eram cerca de 20 mil em 2003. Agora são mais de 46 mil cadastrados, que recebem mensalmente medicamentos caros, de eficácia comprovada e com cadastro nos protocolos clínicos do Ministério da Saúde. Isso deixa claro que ninguém quer tirar o medicamento de alguém, muito pelo contrário.
  O que defendemos é a eqüidade do sistema. A prescrição judicial de medicamentos sem tratamento comprovado pode inviabilizar o sistema como um todo. Defendo que o poder público forneça todos os medicamentos que curem os pacientes, independentemente de custos. Eles devem, sem sombra de dúvidas, serem inclusos nas portarias.
  Entretanto, medicamentos sem comprovação científica, de uso experimental, sem aprovação de consensos científicos, concebidos para uma doença e prescritos para outras, apenas sangram os cofres públicos e retiram dinheiro de demais áreas essenciais, com tratamentos já comprovados cientificamente. E o pior, não curam os pacientes.
  O ideal é nos basearmos em critérios técnicos para defender a saúde da população e o sistema público de saúde. Por isso, estudamos a viabilidade da criação de uma câmara técnica estadual, além da já implantada pelo Ministério da Saúde, para análise destas novas tecnologias. Assim, deixaríamos de ‘‘achismos’’ e para ter uma fundamentação científica, com acadêmicos e consensos médicos internacionais.
  A discussão de qual medicamento é eficaz será mais clara e eficiente. Paralelamente a esta iniciativa estadual, acompanhamos a tramitação do projeto de lei do senador Tião Vianna (PT-AC) que tem como objetivo regulamentar esta questão.
  Este é nosso objetivo. Clareza e critérios técnicos para mantermos o sistema forte, viável e moderno. Mas que deixe de servir a interesses de terceiros e corra o risco de se inviabilizar. Por fim, quero deixar clara a minha posição, que é em defesa dos pacientes e do Sistema Único de Saúde (SUS).
GILBERTO MARTIN é médico sanitarista e geriatra e secretário de Estado da Saúde


A verdade, apesar dos contrários

Walmor Macarini
  Quando falo de reencarnação muitas pessoas reagem. Imagino que isto as toque em algum ponto que pode ter sido traumático para elas, numa dessas transições. Todos, queiramos ou não, somos reencarnantes e temos passado pelas experiências do processo. O esquecimento é para que se opere o mérito de nossa missão aqui. ‘‘Isto é coisa do espiritismo’’, dizem de pronto os mais radicais, mas o espiritismo não cria leis universais, assim como nenhuma ciência ou doutrina religiosa têm esse poder. A lei das reencarnações não é uma crença e sim realidade comprovada.
  Descrer é uma posição sectária, porque estribada apenas na descrença. ‘‘Não creio, logo não é verdade’’, costuma-se ouvir, sobre isto e outras coisas. Crer ou não crer em reencarnação não faz ninguém melhor nem pior, mas o entendimento desta verdade explicaria muitas coisas para as tantas pessoas atribuladas, que buscam respostas e não as encontram. O espiritismo é a mais nova corrente a ocupar-se da reencarnação, porque a codificação dessa doutrina não tem dois séculos. Iluminadas civilizações do passado já eram conscientes desse fenômeno. Incluindo os essênios, com os quais Jesus conviveu.
  Contestação que recebo, referente ao meu artigo anterior, afirma que ‘‘em tudo há um processo seletivo’’ no que respeita ao nascimento de cada ser e que quem o comanda é Deus. Indiscutível que em tudo está presente a sabedoria divina, mas Deus não selecionaria alguém para nascer perfeito e outro para nascer cego ou com outra deficiência, como é comum acontecer.
  O que ocorre - e aí está a presença de Deus - é que a misericórdia divina permite a oportunidade da correção de faltas de outras existências, e deixa que, pelo livre-arbítrio, cada um escolha uma forma de retornar a este mundo, mesmo que dolorosa. Ao invés do ‘‘inferno de fogo eterno’’, as chances de remissão. Aí a presença de Deus magnânimo e não um implacável punidor. A opção por nascer em ambiente de riqueza e bem-aventurança pode ser um merecimento ou um teste, às vezes mais atribulado que a pobreza. São muitos os que padecem na riqueza e em função dela.
  Os que se declaram tementes a Deus (no sentido real de temor, embora o sentido do texto bíblico não queira dizer isto, e sim admiração) fazem de Deus um tirano. Já os que o entendem como a plenitude da luz e do amor, que perdoa sempre e abre um leque de mil oportunidades para a purificação e o retorno de todos ao lar, sem que nenhum se perca, o glorificam e não o temem.
  A vontade de Deus é que o homem realize suas próprias vontades (dele, homem), por isso lhe concedeu a dádiva da livre escolha. Deus não seleciona. Deus dispõe. A lei das reencarnações sucessivas é uma evidente prova do amor de Deus. Tudo o que acontece no círculo dos homens é vontade dos homens. Porque Deus quer que seja assim. Aí reside sua autoridade.
WALMOR MACARINI é jornalista na FOLHA DE LONDRINA


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