ESPAÇO ABERTO
Para quem você trabalha?
LAIR RIBEIRO
Para ser uma pessoa bem-sucedida é preciso ter consciência de que, não importa quem seja seu empregador, você trabalha para você! O trabalho vai muito além do esforço recompensado por um salário, envolvendo auto-realização. Quando você trabalha com entusiasmo, sabendo que sua dedicação está sendo reconhecida, que você faz parte daquilo que está produzindo, sua produtividade aumenta e, por consequência, aumentam também sua empregabilidade e suas chances de promoção e de crescimento dentro da empresa. Isso tudo se refletindo na sua compensação financeira! Mas, e se você não gostar do que faz?
A boa nova é que é possível fazer qualquer coisa se tornar interessante. Você só precisa encontrar a motivação certa. Se continuar fazendo o que sempre fez, vai continuar conseguindo o que sempre conseguiu ou menos. Se você quer coisas diferentes tem de fazer alguma coisa diferente. E um bom caminho para colocar isso em prática é desenvolver qualidades como flexibilidade e excelência, pois são fundamentais para a obtenção do sucesso no mundo em que vivemos.
Flexibilidade, porque vivemos num mundo repleto de mudanças e é preciso aceitá-las e adaptar-se a elas. Eu lhe asseguro que você nunca vai ser bem-sucedido fazendo uma coisa à qual não se adapta. E excelência, porque, para se destacar, você precisa fazer mais do que apenas cumprir o seu papel. Você precisa fazer com qualidade, sempre atento à demanda do mercado, pensando sempre à frente, propondo mudanças e antecipando tendências. Não interessa se o negócio é seu ou de outra pessoa. Envolva-se e veja como seus resultados serão cada vez mais positivos. Colaborando com o crescimento da empresa em que trabalha, você contribui também para o seu crescimento pessoal.
Saber disso é tão importante para você, empregado, quanto para o seu empregador. Para uma empresa dar certo, ela precisa não apenas de investimento e lucro, mas de colaboradores motivados e produtivos. Uma das formas de garantir essa sinergia é tendo os objetivos e os valores da empresa bem definidos para, então, contratar pessoas que possam contribuir para que tais objetivos se cumpram a partir dos valores praticados na corporação. Um estudo realizado nos Estados Unidos concluiu que, se uma empresa duplicasse o salário de seus colaboradores, depois de um ano eles estariam fazendo as mesmas reclamações. Isso prova que a retribuição não deve ser apenas financeira. Para produzir mais, uma pessoa precisa sentir-se realizada em seu trabalho.
Para manter uma equipe motivada e trabalhando a todo vapor, é preciso reconhecer que, além de um salário, as pessoas querem poder, responsabilidade, autoridade, desafios e paixão. Ao pensar a respeito de seu trabalho, tenha esses pontos em mente. Pare ver-se trabalhando para alguém e sinta-se na atividade. Permita-se sentir-se apaixonado por aquilo que faz. E se não conseguir, procure outra coisa para fazer, que seja compatível com suas expectativas mais íntimas, que consiga fazê-lo vibrar. Só assim você terá certeza de está no caminho certo para conquistar não apenas o sucesso, mas também para realizar sua missão e seu objetivo de vida.
LAIR RIBEIRO é médico cardiologista e palestrante internacional em São Paulo (webpage: www.lairribeiro.com.br)
Pela ética nas importações de têxteis
Sylvio Mandel
Temos visto muitas notícias sobre a concorrência desleal dos artigos de vestuário da China e de como a indústria têxtil nacional tem sido afetada em termos de crescimento e geração de empregos. Ações paliativas como a elevação da TEC (Tarifa Externa Comum) de 20% para 35% para produtos de vestuário, aprovada pelo Mercosul após duras negociações com Uruguai e Paraguai, só tendem a desviar as atenções do cerne da questão.
Como representante do grande varejo têxtil e dos principais canais de distribuição da indústria têxtil do País, a Abeim manifesta indignação diante das importações ilegais e de acusações levianas de suspeita de subfaturamento pelo grande varejo têxtil. Nosso setor tem sido afetado por ações que, a pretexto de coibir a ilegalidade, oneram diretamente aqueles que realizam suas operações legalmente e pagam impostos em dia.
Uma pesquisa realizada pelo IEMI e denominada ôEstudo do Consumo Aparente de Artigos de Vestuário no Brasil" aponta que as importações representam pouco no consumo de artigos de vestuário. Em toneladas, os importados representavam 2,7% do consumo em 2004 e 3% em 2005. Para 2006, espera-se que cheguem a 3,6% do consumo local, correspondendo a parcela insignificante de produtos que a indústria nacional não está capacitada a atender.
O mapa da produção mundial de vestuário mostra que toda a Ásia (e não somente a China) detém hoje 71% de toda a produção têxtil mundial. É natural que os países de todo o mundo importem produtos dos líderes mundiais, mas o varejo nacional privilegia a produção local. Em artigos de vestuário, o Brasil é o 6º maior produtor do mundo. Ainda assim, aparece apenas na 60ªposição entre os exportadores e na 56ªentre os que mais importam.
O aumento da TEC trata-se de uma decisão equivocada e em nada contribuirá para a redução das importações ou o aumento da capacitação da indústria nacional. Quem perde com isso, mais uma vez, é o consumidor, que ou não encontra produtos diferenciados nas lojas ou tem de pagar um preço maior pelo produto. O que se espera são ações de médio e longo prazo que estimulem o desenvolvimento da indústria local.
Com preços mais elevados, queda na qualidade e elevação do custo, o maior prejudicado pela medida será mesmo o consumidor. Portanto, já é hora de indústria, varejo, governo e consumidores iniciarem um grande movimento pela ética nas importações. O grande varejo têxtil exige tratamento justo e não aceita mais ser colocado na vala comum dos importadores ilegais.
SYLVIO MANDEL é presidente da Associação Brasileira do Varejo Têxtil (Abeim)





