Tropa de Elite

Sérgio Dalbem
  O filme Tropa de Elite é para ser assistido mais de uma vez. Mostra detalhadamente como a Segurança Pública é tratada no Brasil pelos políticos que detêm o poder de liberar verbas para a compra de viaturas, equipamentos, combustível e, principalmente, contratação de pessoal.
  Todo aquele relato feito pelo capitão Nascimento no início do filme – falta de peças em viaturas, combustível, viaturas inadequadas – só ocorre no Rio de Janeiro? Será que os presidentes de associações de bairros, conselhos de segurança, donos de autopeças, oficinas mecânicas, postos de combustível, e muitos outros, já ouviram esta história em outros Estados da Federação?
  Não é à toa que o Rio de Janeiro se transformou em área de guerra, campo de batalha. Foram muitas administrações estaduais equivocadas e baseadas no achismo e com projetos de segurança inacabados, enganosos, verdadeiros ‘‘pilotos’’ que nunca aterrissaram.
  O filme mostra que, ao contrário do que se fala, o crime é um problema social. Verifica-se que na favela há até universidade e ONGs com trabalhos assistenciais, escolas e postos de saúde, porém, fica claro que só não tem a polícia do Estado, pois do bandido são centenas.
  Não tendo polícia, a lei do mais forte é que prevalece como ensinavam os filósofos. Logo, o professor não consegue dar aulas, os médicos não querem trabalhar nesses bairros, e assim por diante.
  Os manuais de técnica policial, ensinam que toda vez que uma tropa de elite ocupa uma área de guerra, deve ser instalada no local uma tropa regular, de ocupação permanente, não dando margem para que os marginais voltem a dominar o local.
  Toda vez que a tropa de elite tiver que retomar o mesmo local haverá inúmeras baixas, principalmente de inocentes, que são reféns dos marginais e objeto de votos dos políticos de plantão.
  A crítica não deveria só analisar a violência física apresentada pela polícia em um campo de guerra, mas a violência causada pela omissão e prevaricação dentro dos gabinetes que causam a morte de milhares de pessoas sem disparar um único tiro.
SÉRGIO DALBEM é major da reserva da Polícia Militar do Paraná em Londrina


Toxoplasmose, antes e depois

Parreiras Rodrigues
  Santa Isabel do Ivaí quase sempre foi assim. Difícil aparecer na mídia e quando acontece é por causa de coisas ruins. Quando abrigava cerca de 25 mil habitantes e era tida como a cidade que mais se desenvolvia no Noroeste do Estado, os meios de comunicação se resumiam a esta FOLHA (da qual fui correspondente) ainda em fase de expansão e às rádios, a maioria do Estado de São Paulo. Já próximo ao final da década de 50, nos orgulhávamos da nossa cerâmica, a maior área do segmento em toda a América do Sul.
  E a gentarada derrubando mato, à época uma atividade heróica, alimentando quase duas dezenas de serrarias. E dá-lhe plantar cafezais. Nos meios das ruas de café, mamona, feijão, milho, amendoim e arroz de sequeiro. Tinha também muito plantio de algodão. Nas beiradas dos córregos, as pastagens para abrigar as vacas de leite e os tourinhos. Era uma safra atrás da outra, todas destinadas à Sanbra, Anderson Clayton, IBC.
  O município, entre 65 e 70, ficou no sexto lugar em todo o Brasil e o terceiro no Estado na produção de café. Lembro-me que perdeu para Londrina e Jandaia do Sul. No Clube II de Julho aconteciam os mais concorridos bailes da região e a fama do seu carnaval mostrava que, além de trabalhar, a gente gostava de festar. De repente, a azaração bateu na nossa porta com a derrubada de Jango Goulart. O prefeito era do PTB e havia uma enorme expectativa de grandes conquistas para a cidade. Que se arquivou com o golpe de primeiro de abril de 64. Fecharam a coletoria federal e a construção do armazém do IBC foi transferida para Loanda.
  Tínhamos até concessionárias da Ford e da Transparaná que tomaram outros rumos. Somemos a isso tudo, a geada de 75, a erradicação do café, o advento da pecuária que exige grandes extensões de terra e pouca gente para o seu trato. Instalou-se a indústria da mudança. Dava dó ver famílias inteiras lotando caminhões indo para Rondônia, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, São Paulo e Curitiba e região metropolitana, quando não, até o Paraguai. Mais adiante, o importante distrito de Santa Mônica se desmembrou da matriz.
  Não bastassem estes golpes, ainda fomos gerenciados por alguns administradores que deixaram marcas como inércia, corrupção e falta de criatividade. No último dia 16, no Folha Cidades (pág. 3), a ferida provocada pelo surto de toxoplasmose, o maior do mundo, registrado na cidade foi reaberta. E a punção foi profunda e oportuna. Muito profissionalmente, a matéria nos desperta para a eterna vigilância. E não podemos esquecer que a cidade também se apresentou muito mal nas estatísticas da dengue, recentemente. Permaneçamos alertas, portanto, mesmo que sabedores das corretas providências por parte da atual administração, principalmente quanto ao aproveitamento do reservatório elevado para a distribuição de água, pois a culpabilidade daquela mãe gata continua sendo posta em dúvida.
PARREIRAS RODRIGUES foi correspondente da FOLHA em Santa Isabel do Ivaí e é assessor parlamentar na Assembléia Legislativa do Paraná


- Os artigos devem ter, no máximo, 30 linhas. Os artigos publicados não refletem, necessariamente, a opinião do jornal. [email protected].

mockup