A importância dos partidos políticos

Maurício Barros
  Os partidos políticos deveriam representar setores da sociedade de maneira aberta, transparente e democrática. No entanto, eles se tornaram aparelhos burocráticos onde não há acesso direto do povo nas decisões. A ideologia política não existe, a não ser na representação política de interesse individual e de conquista de poder. Para isto, muitas vezes, utiliza-se de expedientes escusos e antidemocráticos.
  É notório que os partidos vivem um descrédito em relação ao que pensa a sociedade, em função de uma série de fatores históricos, culturais e, especialmente, em decorrência de sucessivos escândalos que nunca são apurados e punidos os responsáveis.
  Esta é uma situação em que todos são atingidos negativamente: os cidadãos porque não vêem seus anseios, desejos e aspirações representados ideologicamente nos partidos políticos; a democracia porque a representação está fragmentada, individualizada e sem o poder de decisão da maioria.
  É necessário reverter esta situação. Os partidos, a exemplo de outras instituições, são importantes e precisam ser preservados, valorizados, tratados com respeito e terem credibilidade perante a sociedade.
  Um passo importante foi dado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) quando decidiu que o mandato é do partido e não do candidato, a exemplo do que já havia decidido o Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
  Evidentemente, que a decisão do STF foi fundamental para o fortalecimento da instituição partidária, assim como essencial também será a participação da sociedade na vida partidária. É através da inserção dos cidadãos e cidadãs na vida partidária que teremos condições, não apenas de reverter esta situação que vivemos de absoluto descrédito, mas especialmente de sermos capazes de exigirmos respeito como cidadãos e, conseqüentemente, como sociedade.
  A saída é sem dúvida pela participação da sociedade na vida partidária, a responsabilidade é nossa. Com participação, garantiremos as mudanças do quadro que vivemos hoje, e só ela garantirá partidos ideologicamente identificados que respeitem decisões da maioria com transparência e democracia plena.
MAURÍCIO BARROS é servidor público federal em Londrina


Não estamos aqui por acaso

Walmor Macarini
  Tenho escrito que jovens em conflito com os pais ou com a vida costumam dizer que não pediram para nascer, e imaginam que chegaram a este mundo como resultado de um divertimento sexual, ou por acaso. Nada mais equivocado, porque ninguém está aqui sem vontade própria. Acrescente-se a essa livre vontade um mútuo acordo com o círculo em que cada qual se encontra. O destino de que se fala não é uma sentença que os céus proclamam e sim uma predeterminação de cada indivíduo. Então, este é o destino que foi previamente traçado antes da descida a este plano.
  Ocorre que ao aportar nesta densidade tridimensional, em cada nova vida, o ser perde a memória do seu prévio autodeterminismo, e isto ocorre para que se opere o mérito. A Terra é um campo destinado ao exercício do livre-arbítrio, portanto, um privilégio mas também exigente da responsabilidade pertinente.
  Esse esquecimento temporário foi pré-deliberado e faz parte da mesma livre escolha. Porque de outro modo o perdão, a doação, o amor, não aconteceriam espontaneamente e seriam exercidos de forma mecânica, por conta de resgates dos quais nos lembrássemos. Se pagamos uma dívida conhecida, sabemos por que o estamos fazendo e o fazemos naturalmente. Mas doar uma mesma importância graciosamente é mais difícil, porque não nos julgamos obrigados a isso. Exige a vontade.
  Não só cada um de nós pediu para nascer como pediu para nascer no lar ou na situação em que vive, e neste país, e com os pais que tem, familiares, sócios, amigos. São pessoas que tomaram uma decisão conjunta, estabelecida em vivências anteriores para a cura de resgates entre si, ou para missões especiais. A memória remota de cada um sabe por que as coisas acontecem, mas a racionalidade dos sentidos não.
  Ninguém é inocente e ninguém é culpado neste mundo. Cada qual com as suas incumbências e exercitando a livre decisão, que permite inclusive alterar os planos pré-traçados ou fugir de um compromisso assumido. Só depois de sua transcendência para outra dimensão saberá o que não cumpriu. E eventualmente retornará, não por punição divina mas por própria vontade. Daí o princípio das reencarnações, que dão resposta a todas as indagações.
  Se as pessoas escutassem mais a voz da intuição, que lhe fala de dentro e é a voz de sua porção divina, descobririam que aqui vieram com missão específica. Não existe isto de que ‘‘Deus quis assim’’ e que determinada missão que o homem exerce foi ‘‘um chamado divino’’. A vontade foi de cada um, mesmo que uma coisa ocorra aparentemente por acaso. É também o pré-determinismo que aciona o chamado acaso.
  Mesmo uma tragédia pode ter sido um experimento pré-programado pelas partes envolvidas ou outras que sofrerão conseqüências. É um expediente para que se operem grandes saltos de evolução - individual ou em grupo - que de outra forma demandariam muitas vidas. Nada que não se deseje. Ter consciência sobre a razão de estarmos aqui nos fará libertos. Este é o sentido da salvação.
WALMOR MACARINI é jornalista na FOLHA DE LONDRINA


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