ESPAÇO ABERTO
Juntar esforços contra a fome
Patrus Ananias
O Dia Internacional da Alimentação foi celebrado no último dia 16. Na semana passada, a comunidade internacional discutiu o flagelo da fome num debate onde nós, do Brasil, pudemos participar de maneira ativa, não só com reflexões, mas também com indicadores de boas experiências.
A alimentação é reconhecida pela FAO (Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação) como direito elementar e precedente a todos os outros. Isso representa um avanço na área e se coloca como um desafio a todos os governos do mundo: começa por defini-lo como direito e não como benesse, elevando-o ao patamar das políticas públicas.
No Brasil, essa concepção se traduz na implementação do Fome Zero, estratégia do governo federal de integrar políticas para garantir acesso à alimentação, sobretudo aos mais pobres, implantando no país as bases de uma política nacional de segurança alimentar e nutricional.
O combate à fome está se dando em muitas frentes para materializar o acesso à alimentação como um direito possível a todos. As ações para garantia e manutenção da estabilidade econômica são fundamentais, uma vez que, sem ela, os programas sociais, notadamente os direcionados à distribuição de renda, perdem eficácia.
O efeito da distribuição de renda sobre a qualidade da alimentação dos cidadãos está devidamente comprovada, como demonstra uma pesquisa sobre o Bolsa-Família feita no ano passado em conjunto pela Universidade Federal da Bahia e pela Universidade Federal Fluminense. Das famílias pesquisadas, 93% das crianças e 85% dos adultos fazem três ou mais refeições diárias.
O Brasil já ultrapassou o primeiro dos oito Objetivos do Milênio da ONU reduzindo o índice de brasileiros que vivem com menos de um dólar por dia de 11,7%, em 1992, para 4,6%, registrados no ano passado.
Estamos também vencendo o desafio de acabar com a fome no país e esperamos, a partir disso, consolidar a base de um forte projeto de nação onde todos tenham as mesmas condições e oportunidades.
PATRUS ANANIAS é ministro do Desenvolvimento Social e Combate à Fome
Por quê as empresas não crescem?
Abraham Shapiro
Acabo de finalizar um estudo que denominei Levantamento das Principais Causas de Limitação ao Desenvolvimento de Empresas das regiões de Londrina e Maringá no qual analiso fatores comportamentais que dificultam o relacionamento interno e a expansão de negócios de empresas do porte e cultura encontrados nestas regiões. Registrei ao longo de dez anos as principais observações colhidas de conversas com líderes empresariais. As narrativas importantes e casos emblemáticos somei às minhas consultorias e constatei um padrão repetitivo de fatores em uma amostra significativa deste universo.
As informações convergiram para a comunicação como maior responsável por impactos negativos nas organizações. Há dois tipos de contabilidade na empresa: a contabilidade externa e a interna. A externa é aquela que se ocupa com os relatórios, com a técnica e com os detalhes. A interna se ocupa com os pensamentos, o conhecimento, o comportamento e a percepção das pessoas que integram a empresa. Dos olhos para fora é a contabilidade externa - necessária e de múltipla utilidade. Mas a interna - dos olhos para dentro - é fundamental.
Pense, por exemplo, em uma empresa de cem milhões de reais de faturamento ao ano, cujo planejamento das ações anuais cai numa gaveta onde ninguém quer lê-lo por falta de entendimento e esclarecimento de seus objetivos. Isso lembra aquela célebre questão filosófica que busca saber qual o som de uma árvore que cai na floresta onde ninguém pode ouvi-la.
Para ter efeito, toda informação necessita ser digerida pela consciência de um indivíduo. Na empresa, o processo deve ir mais longe. As pessoas devem encontrar uma interpretação coletiva que integre as interpretações individuais. Essa integração é uma das atribuições do líder. E a chave para se conseguir isso é o domínio da comunicação.
No entanto, ninguém está disposto a investir tempo em explicações e conversas, ou seja, a comunicação não é prioridade. Por quê? Acredita-se que ela ocorrerá naturalmente, sem qualquer esforço ou orientação. É um erro grave. Comunicação em negócios não é simples blá-blá-blá. É uma competência. E como tal, precisa ser desenvolvida, estudada. Em termos mais simples, comunicação é uma habilidade. Quem não a tem, pode adquirir - com esforço, é claro.
As conseqüências disso aparecem nos resultados. Se não existe entendimento interno em relação às propostas, metas e alvos, como será possível estabelecer comunicação satisfatória com o cliente? Faltarão confiança, persuasão e, portanto, resultados. Na prática, um cenário de negócios baseado na comunicação natural é sempre negativo. E, conseqüentemente, ninguém se compromete com aquilo que desconhece. Enfim, sem comunicação perdem todos. E perdem realmente. Falar é prata; calar-se é ouro. Contudo, a prática tem demonstrado que seríamos muito mais felizes e ricos se edificássemos nossa cultura e comportamento sobre a máxima que nos aconselha a falar tudo o que vale mais do que ficar calado.
ABRAHAM SHAPIRO é consultor empresarial em Londrina
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