ESPAÇO ABERTO
Albertina Berckenbrock, um sinal dos tempos
Dom Orlando Brandes
Será beatificada hoje, em Tubarão (SC), Albertina Berckenbrock, a jovem que morreu esfaqueada para defender sua fé, sua castidade, sua inocência. Esta beatificação fala alto e veio em boa hora. Quando o Papa Bento XVI pediu aos jovens, no Pacaembu, que valorizassem e vivessem a castidade, todo o estádio prorrompeu numa calorosa e longa salva de palmas. Já o sociólogo italiano Sergio Cotta afirmara que todas as revoluções sociais querem implantar a inocência no lugar da corrupção.
Desde a tragédia de Adão e Eva, no Paraíso, estamos em busca da inocência, da coerência, da transparência. O novo Adão, Jesus Cristo, recupera o plano original do Pai e Nele temos a nova criação desde o nosso batismo. Somos também puros, santos, imaculados no seguimento de Jesus. Os puros de coração verão a Deus. (Mt 5, 8).
A castidade é uma possibilidade embutida na própria sexualidade humana. Ninguém morre por ser casto ou virgem. Não morremos por falta de sexo, morremos por falta de afeto. Muitas pessoas guardam a castidade e são sadias, alegres, centradas. Sempre podemos readquirir a castidade através do Sacramento da Confissão. Pela castidade humanizamos nossos instintos, ordenamos os afetos desordenados, nos libertamos da escravidão das paixões e das pulsões. Castidade tem muito a ver com liberdade, maturidade, humanização de si.
Pio XII, falando de Santa Maria Goretti, também jovem virgem e mártir, afirma: Nossa luta pela vivência da castidade também é um martírio cotidiano. Nestes tempos de liberação do aborto, da pílula do dia seguinte, da permissividade sexual, pedofilia, turismo sexual e tráfico de adolescentes, a beatificação de uma jovem de 12 anos, virgem e mártir, é um sinal dos tempos.
Na educação para o amor, não basta distribuir preservativos, nem ensinar fisiologia e anatomia sexual. Precisamos de valores, de famílias bem constituídas, de fé e oração, de respeito pela dignidade humana, de limites e sublimação do erotismo. Ser casto não é ser ingênuo, recalcado, bobo, infantil. Castidade é sabedoria, ética, maturidade, amor maior, grandeza interior. O mundo não evoluiu depois da revolução sexual, pelo contrário, o que aumentou foi a Aids, o alcoolismo, o consumo de drogas, a decadência familiar, a exploração de crianças.
Todos sabemos que a castidade é uma característica do Novo Testamento, uma novidade trazida por Jesus de Nazaré em contraposição ao mundo pagão. As civilizações decaem por muitos motivos, um entre eles, é a decadência familiar e sexual. Hoje existe a obrigatoriedade do orgasmo. Eis um novo tabu, uma nova repressão. Como é difícil o verdadeiro humanismo sexual. Não devemos ser nem anjos, nem bestas, mas pessoas em busca da humanização do sexo no amor, eis o que a beatificação de Albertina Berckenbrock assinala.
DOM ORLANDO BRANDES é arcebispo de Londrina
A identidade do professor
Cinthia Gonzaga Aguillera
Acredito que identidade profissional docente é construída a todo instante no decorrer da atividade laboral. Fazer este exercício demanda buscas, pesquisas que o levem a compreender os labirintos do seu ser humano. Neste contexto de atuação docente, que compreende a teoria e a prática, está o aluno (avaliado) apresentando-nos seus acertos, falhas, erros, enganos, pontos positivos e negativos. Nesta soma, tenho como resultado, a minha própria atuação. Contudo, ainda o olho como olho para mim - um ser incompleto, que vive aprendendo a cada instante e que passa por inúmeras avaliações. Avaliamos sim! Rigorosa e radicalmente. Penso que é porque queremos saber o que somos e o que estamos fazendo com nosso saber. Queremos medir a nossa capacidade de agente transmissor para que no ato de ensinar esteja implícita a responsabilidade de saber se sei ensinar.
Quando o aluno aprende, identifico-me com ele, ressalto sua inteligência, alegrando-se com a minha. Com resultados positivos, seu mundo intelectual se alarga, se clarifica, foge do senso comum sobre ensino-aprendizagem. A atuação profissional dificilmente terá um peso maior do que o peso do resultado de avaliações que fazemos. Portanto, tudo isso e outras coisas, alimentam mais ainda a construção da identidade docente como um todo. É a única justificativa que pode sinalizar uma mudança na figura da identidade do professor, ou seja, quanto mais reconhecimento e respeito perante a sociedade em geral o avaliado conquistar mais tendemo-nos revelar sobre a (re)construção da nossa identidade.
Uma vida profissional sem as experiências avaliativas, torna-se oca. Neste caminhar que compreende o exercício da teoria e prática avaliativa, o professor terá muito mais possibilidade de se conhecer, de se aceitar. É nas coisas, nos fatos, e nos objetos mais simples que podemos encontrar o conhecimento consistente e real do significado da nossa profissão, a essência das coisas estão expostas nele e em mim.
Sócrates afirmara que ...só sei que nada sei.... Como ilustre pensador reconhecera que não sabia muita coisa diante da extensa e imensa complexidade do conhecimento humano. Contudo, não era à toa que ele indagava as pessoas, os escravos de sua época em relação às questões atemporais e outras. Sócrates tinha plena consciência de suas limitações. Por isso continuava na busca da compreensão do homem, da vida, sua sociedade. Um outro pensamente socrático com muita simplicidade, mas com um peso de extrema profundidade e ampliação indagava conhece a ti mesmo?. Dá a entender é que o ser humano não se conhece profundamente, desconhece sua verdadeira origem, não sabe para onde vai... Ainda mais quando se aventura a ensinar alguém. Quando avalia alguém.
CINTHIA GONZAGA AGUILLERA é educadora em Londrina
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