ESPAÇO ABERTO
Política, políticas criminais e impunidade
Marcos Antonio Tordoro
O país está passando e passou por crises políticas das mais variadas ordens. As pesquisas de opinião se repetem e a popularidade de um e de outro resiste aos escândalos. Não há parâmetros para entender a consciência popular, num momento de premente necessidade de mudança de atitudes: do povo e dos governantes. Aquele aceitando e votando nos corruptos, estes insistindo nas maneiras corporativas de governar.
Mas há quem diga que não se governa sem favorecimentos e barganhas. A arrecadação fiscal bate recorde. Dinheiro não falta. Todavia, sobra desfaçatez, esbanjam-se nos acordos e nas maracutaias. Esse é o Brasil que poderá alcançar crescimento similar à Índia ou China? Esse é o Brasil que os pais desejam para seus filhos?
Esse não é Brasil que distribui renda, mas que distribui verbas às vésperas de votação, como ocorreu na votação da CPMF na Câmara dos Deputados, especialmente aos partidos da base aliada ao governo.
Esse não é o Brasil que combate a criminalidade, mas que é exemplo de conduta criminosa na gestão das verbas públicas (Comissões Parlamentares de Inquérito aos montes e nada!).
Esse não é Brasil que formula políticas públicas austeras e adaptadas à realidade, mas é o país que abusa das emendas ao orçamento na tentativa de manter um grupo no poder. É o país da falta de infra-estrutura, suporte para o crescimento. É o país do carnaval, do samba e do sol.
A impunidade está nadando de braçada, como diria certo agricultor que conheço. Está incentivando e motivando as organizações criminosas. A corrupção vem como alicerce dos desmandos e fomentadora dos esquemas ilícitos constatados, apurados e não apurados.
O que falta na educação ou na saúde está nas contas bancárias abertas em nome de laranjas ou no bolso de um criminoso engravatado, cuja conduta, hedionda e rotineira, destrói lares e sonhos de pais e mães que desejavam ver um filho bem educado numa escola pública ou bem assistido num hospital público. Apenas um exemplo do mal que a corrupção provoca na sociedade.
Com tudo isso, sofrem aqueles ou aquelas que são presos pelas polícias (militar e civil) e ficam encarcerados. O sistema prisional não ressocializa e as políticas criminais não acontecem com a efetividade necessária: combater o problema no seu nascedouro, antes de se tornar criminal. Nesse contexto as famílias perdem muito: filhos, esperanças, sonhos e a paz.
MARCOS ANTONIO TORDORO é comandante da 2ªCompanhia de Polícia MIlitar de Bandeirantes
O cidadão-professor
Carlos Eduardo Bobroff da Rocha
Educar é formar cidadãos; basta definir qual o perfil que se busca. No entanto, a educação
no país tem uma função que não é voltada para
a transformação do meio. Ao contrário, o processo educacional é guiado pela idéia de que homens podem transformar outros homens em cidadãos, isto é, segundo o modelo que é tido pelos primeiros como ideal. Como se observa, trata-se somente de um título e, com isso, de um instrumento de alienação.
Todas as pessoas, desde que nascem, têm em comum o fato de terem tido uma educação diferente da que é, normalmente, preconizada na sociedade brasileira: a escola da vida. Vivenciar um determinado momento e lugar influencia no modo como é construído seu processo educacional. O choque do diferente e do alternativo com o atual (a forma de educação planejada pelo governo e, também, influenciada pelo estilo global de vida) leva à seguinte conclusão: ninguém é isento de cultura, pois criar os alicerces para continuar existindo pressupõe construir valores. E essa construção significa criar. Criar é transformar!
Percebe-se que a educação deveria enfatizar a própria pessoa, dando subsídios para que ela se conheça e, assim, possa mudar o meio. Ao invés da passividade do aluno, é este quem procuraria cada vez mais melhorar as condições para os futuros alunos.
Em alguns lugares, há indivíduos que se destacam. Novamente, a educação que eles construíram (e não a que eles receberam passivamente) foi fundamental para que essas pessoas se destacassem em muitas áreas da sociedade. Uma vez inserido em um meio e conhecendo o local onde atuaria, foram realizados os ajustes para que a pessoa se tornasse diferente pelo fato de ter conseguido transformar seu local de trabalho.
Outro exemplo evidente de educação transformadora é o de alguns países desenvolvidos do sudeste asiático. Este saltaram para o progresso material em curto tempo graças a dois pilares: sua cultura tradicional e a necessidade de adaptar-se a uma nova realidade econômica mundial. Mais uma vez, vê-se que a cultura que já estava arraigada foi utilizada a favor desta nova realidade. Isto é, mão-de-obra disciplinada, mentes ávidas para vencer a concorrência, e a ética como conduta (o respeito à nação, aos patrões, e aos ancestrais).
Uma mentalidade que insiste em tratar as pessoas como analfabetas a serem educadas. É o que querem, de fato, os supostos indivíduos analfabetos? Ou são os homens do poder que desejam mentes passivas e não-transformadoras, contribuindo para que continue existindo um país de analfabetos? Como será o cidadão brasileiro de amanhã? Basta perguntar a ele.
CARLOS EDUARDO BOBROFF DA ROCHA é estudante de Medicina na Universidade Estadual de Londrina
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