Pobre dr. Adib Jatene

Virgilio Tomasetti Junior
  A idéia inicial era digna de um brilhante cirurgião transformado em ministro da Saúde: um pequeno percentual de cada cheque emitido serviria para salvar a saúde precária do Brasil. Assim surgiu a Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF). Os políticos roubaram a idéia, aumentaram o seu percentual e a transformaram em contribuição não em imposto (em contribuição o governo federal fica com todo o bolo da arrecadação). Hoje, Brasília arrecada R$ 40 bilhões ano a ano somente com essa ‘‘contribuição’’.
  Sabemos o que, de fato, ocorre: o dinheiro pequeno serve para alguns fins sociais e o grande vai para o bolso dos grandes. A grande piada é ver que aqueles que se colocaram contra a CPMF, são os mesmos que querem prorrogá-la hoje. E dá-lhe barganha: todo projeto pessoal de cada ego parlamentar terá de ser alimentado para glória e voto dele somente. O governo, através do nosso dinheiro, banca a farra, pois tem aumentado, ano a ano em R$ 25 bilhões as despesas do Brasil. Lula está certo: ‘‘O país é ingovernável sem a CPMF’’. Eles não sabem cortar gastos; sabem aumentar despesas.
  Os últimos governos - não apenas o PT - têm desejado estrangular o Brasil que dá certo: querem a falência da escola particular; fingem não entender que é o capitalista do campo e não o MST quem produz riqueza em forma de alimentos. Enfim, é o capitalismo de Estado, aquele em que todos trabalham para o governo e votam sempre com ele, mesmo em caso de pobreza.
  Assusta-me a admiração de grande parte de nossos políticos a líderes anacrônicos e ridículos caudilhos como Fidel, Chávez, Morales, Guevara, etc. O número de brasileiros que já sente saudade dos militares no poder tem aumentado a cada dia: ‘‘Ditadura por ditadura, aquela dos militares era mais branda e roubava menos’’ - ‘‘A ditadura atual não persegue comunistas, mas persegue a todos os segmentos da sociedade que não votam nos homens de poder’’ - ‘‘Pelo menos no tempo dos militares o PCC não atuava como hoje mandando mais que muitos governos estaduais’’.
  Em meio aos roubos e escândalos, o brasileiro confia 75% nas Forças Armadas; 75% na Polícia Federal e somente 11% ainda acreditam nos políticos. Pudera: tanta barbárie, grande arrecadação de impostos e parcos recursos em retorno. O Brasil de hoje deixa pasmado até o ex-ministro Delfim Netto: ‘‘Nunca imaginei que algum governo poderia comprometer 37% do PIB e ainda se fazer de bonzinho’’.
  E o dr. Adib Jatene? Sinto muito por ele. Ele, que tantas vidas já salvou, é obrigado a ver suas intenções nobres usadas por mãos tão inescrupulosas. Gostaria de repetir Chico Buarque de Holanda: ‘‘Apesar de vocês, políticos, amanhã há de ser novo dia... ’’. Não ousem reclamar, pois vocês tiveram o País em suas mãos e olhem só...
VIRGILIO TOMASETTI JUNIOR é professor em Londrina


O chamado da FAO e as respostas na ação

Onaur Ruano
  O Dia Mundial da Alimentação é celebrado anualmente no dia 16 de outubro, tendo sido proclamado pelos estados membros da FAO, organismo das Nações Unidas, em novembro de 1979.
  É uma data-símbolo para alertar a todos que para mais de 850 milhões de pessoas no mundo a fome é uma realidade diária. Diariamente, aproximadamente 24 mil pessoas morrem de fome ou de causas relacionadas. Mais da metade dessas mortes são de crianças abaixo de 5 anos de idade. É necessário agir.
  A Lei Orgânica de Segurança Alimentar e Nutricional (Losan), sancionada em 15 de setembro do ano passado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, criou o Sistema Nacional de Segurança Alimentar, assim como trouxe a alimentação adequada para o campo dos direitos fundamentais do ser humano.
  Segundo vários estudos, a porcentagem de brasileiros abaixo da linha de pobreza tem caído de forma significativa nos últimos anos.
  No quadro geral dos programas de Segurança Alimentar e Nutricional, é fundamental destacar que são políticas fortemente voltadas para o incentivo à Agricultura Familiar, responsável pela produção de mais de 60% do alimento que vai à mesa do brasileiro.
  Um exemplo é o Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) que incentiva a agricultura familiar, por meio de aquisição de produtos, bem como, na outra ponta, promove a doação de alimentos às pessoas em situação de insegurança alimentar e nutricional.
  Não há de se falar em Segurança Alimentar e Nutricional, sem incluir o acesso à água potável como fundamental. Nesse sentido, o Programa de Construção de Cisternas no semi-árido brasileiro, coordenado pelo Ministério do desenvolvimento e Combate à Fome (MDS), já propiciou desde 2003 a construção de mais de 200 mil cisternas, com investimentos de mais de R$ 300 milhões, dos quais R$ 257 milhões disponibilizados pelo MDS.
  Como já disse o ministro do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Patrus Ananias, em seu artigo ‘‘Alimentação o direito número 1’’, estamos trabalhando na perspectiva de construirmos um país sem fome, menos desigual e mais justo. E a segurança alimentar, que é diretamente ligada ao direito do primeiro degrau da dignidade humana, está na base desse projeto.
ONAUR RUANO é secretário Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional do Ministério do Desenvolvimento e Combate à Fome (MDS) em Brasília

- Os artigos devem ter, no máximo, 30 linhas. Os artigos publicados não refletem, necessariamente, a opinião do jornal. [email protected].

mockup