'Quem não se comunica se trumbica'
Lair Ribeiro

Popularizada pelo saudoso comunicador Abelardo Barbosa Figueiredo, Chacrinha, a expressão-título deste artigo é uma premissa cada vez mais válida no mundo globalizado. Hoje, para ser bem-sucedido, não basta exibir diploma de faculdade. É preciso falar outros idiomas, fazer mestrado, doutorado e MBA apenas para concorrer a uma vaga em um conceituado escritório de advocacia... Portanto, para se destacar você tem de se habituar a pensar nos detalhes, pois são eles que fazem a diferença no mundo em que vivemos.
A comunicação é parte de nossas atividades vitais, mas muita gente não dá muita importância a ela, limitando-se a falar-ouvir-falar continuamente, sem provocar nenhuma ação e desperdiçando palavras. O ato de comunicar-se abre possibilidades e leva a resultados. Um bom comunicador interage com o mundo, sem se deixar levar pelos acontecimentos. Ao comunicar-se, você consegue expor suas idéias, solicitar, declarar, proclamar, delegar, manifestar e, principalmente, criar novas possibilidades.
Algumas pessoas são mais comunicativas que outras, mas isso não caracteriza um ''dom''. Apenas sugere que há pessoas introvertidas e extrovertidas, sem determinar que uma seja mais hábil que a outra em comunicar-se, mesmo porque, hoje, existem muitas técnicas específicas para o desenvolvimento do poder de comunicação das pessoas. Se você se propôs a ler este artigo, certamente tem interesse em melhorar o seu poder de comunicação. Então, o primeiro passo é ter consciência de que comunicar-se não se restringe ao uso das palavras; aliás, o tom da voz e a postura corporal contam mais que as palavras.
Ao interagir com as pessoas, imediatamente provocamos nelas alguma reação. É a famosa ''primeira impressão''. Garantir uma ''primeira impressão'' positiva é condição número um para o sucesso. Nessa ocasião, quatro fatores são importantes: o que você faz, o que diz, como diz e como se apresenta (sua aparência). O conteúdo do seu discurso também é importante. É preciso preparar-se para o que vai dizer, a fim de transmitir seus conhecimentos com tranquilidade, garantindo que seus interlocutores o escutarão. É preciso atenção ao modo como você diz, pois uma ênfase mal colocada pode mudar todo o sentido de um discurso. Controle o tom de sua voz e a velocidade da fala.
No campo da comunicação não-verbal, a aparência é um quesito muito importante, que abrange desde a roupa que se está vestindo até cuidados com higiene pessoal, gestos e postura corporal. O corpo fala... e não mente! E as pessoas prestam mais atenção a ele do que às nossas palavras. Isso significa que, se suas palavras não estiverem de acordo com sua aparência e com sua postura corporal, dificilmente acreditarão em você. Sabendo disso tudo, comece a preparar-se para ser um bom comunicador. Peça a um amigo ou parente de sua confiança que preste atenção em você enquanto se comunica e, depois, lhe fale a respeito do que observou. Outra opção é filmar-se e, depois, assistir cuidadosamente à fita, procurando identificar possíveis vícios, manias e qualidades, tanto na fala, quanto na aparência. Mas seja sincero e observador. Lembre-se que, para melhorar, é preciso conhecer o déficit; portanto, não tenha medo de reconhecer seus defeitos.
LAIR RIBEIRO é médico cardiologista e palestrante internacional em São Paulo (www.lairribeiro.com.br)

Espaço para a paz
Valmir de França

Quando aquecemos o leite no forno microondas; quando usamos o radar ou o sonar; quando viajamos em aeronave a jato, devemos lembrar que são todas tecnologias desenvolvidas pelo esforço de guerra. Até o início da década de 1950, a tecnologia surgia para as necessidades bélicas.

Agora olhemos a nossa volta. Usamos tênis como um calçado confortável; nossos bebês usam fraldas descartáveis que possuem um gel especial; para a nebulização eficaz usamos máscaras que cobrem nossas bocas e narizes; assistimos a uma partida de futebol pelo televisor no mesmo instante que a mesma acontece no Japão; telefonamos para qualquer parte do globo usando o telefone celular. São tecnologias oriundas das pesquisas espaciais. Podemos afirmar que a partir da década de 1950 a humanidade passou a absorver tecnologias resultantes das pesquisas espaciais e não das guerras.
No dia 4 de outubro de 1957 foi lançado o primeiro satélite artificial, o Sputnik, responsável por um gigantesco marco para a humanidade pela mudança de paradigmas. Os avanços tecnológicos foram variados como os complexos sistemas microeletrônicos, passando pela biomedicina espacial, e outra gama de ciências correlatas.
O grande ganho foi a medicina preventiva. De que forma seriam monitoradas as funções vitais do astronauta em órbita? Daí passaram a estudar o corpo do astronauta em toda a sua complexidade, antes de enviá-lo ao espaço, com segurança. Todo o processo salientou a importância da medicina preventiva, como um dos novos paradigmas concebidos durante as pesquisas espaciais.
O novo salto paradigmático pelas tecnologias desenvolvidas nas pesquisas espaciais tem um substancial ganho para a humanidade, representado pelo aumento dos índices de esperança de vida ao nascer (Ievn), no Brasil e no mundo. Conforme o IBGE, o Ievn geral do Brasil saltou de 34 anos em 1910 para 72,4 anos em 2006. No Japão, o Ievn é de 82 anos. O mundo tem hoje uma população crescente de idosos que pressiona os governos a rever suas legislações previdenciárias.
Este sim é um dos méritos principais da ''corrida espacial'' com resultados que contemplam todas as camadas sociais, e pela paz que resultou neste gigantesco salto para a humanidade. Este ano, é o tema da Semana Mundial do Espaço promovida pela ONU.
VALMIR DE FRANÇA colaborou com o Programa Educacional Aeroespacial Brasileiro/IAE/CTA (1976-1986) e é integrante do Grupo de Pesquisa Núcleo de Atividades Aeroespaciais no CTU/UEL em Londrina

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