ESPAÇO ABERTO
A Medicina e a Folha de Londrina
Marcio Almeida
Estamos comemoramos 40 anos de funcionamento do curso de Medicina da UEL. Em 1967 eu era mais um candidato a uma das 40 vagas iniciais da recém-criada Faculdade de Medicina do Norte do Paraná. O que sei da história da criação do curso é muito pouco. Tenho registrado o que ouvi falar a respeito em alguns eventos da área médica, especialmente nas comemorações dos 25 anos, em 1992.
Mas o que sei é suficiente para fazer alguns agradecimentos, em nome dos atuais 246 professores, dos 496 estudantes e dos quase dois mil funcionários técnico-administrativos, incluídos os que trabalham no Hospital Universitário, principal campo de aprendizagem prática que temos. Agradecimentos também, por que não, em nome dos 2.624 médicos formados até hoje. Agradecimentos aos pioneiros, na maioria anônimos, que discutiram, estudaram e se mobilizaram para vencer as resistências que se interpunham, principalmente na capital do Estado, à criação da Faculdade.
As movimentações, articulações e pressões que foram feitas durante anos seguidos, tendo à frente lideranças como Ascêncio Garcia Lopes (ex-presidente da Associação Médica e primeiro diretor da Faculdade) e Dalton Fonseca Paranaguá (ex-presidente da Associação Médica, secretário de Saúde do Estado e prefeito), tiveram maior significado e repercussão por terem tido a participação de líderes religiosos e comunitários como Dom Geraldo Fernandes e o jornalista João Milanez. Foi a união de sonhos e de vontades que viabilizou em 1967 a conquista da Faculdade que, quatro anos depois, seria um dos alicerces da criação da UEL.
Naqueles anos, a Folha de Londrina foi o principal instrumento de luta daqueles pioneiros, registrando e repercutindo as iniciativas da Associação Médica, da Associação Comercial, da Câmara de Vereadores e de outros segmentos da sociedade. Se não fosse o engajamento da FOLHA naquele anseio comunitário, não estaríamos comemorando os 40 anos do curso e, muito provavelmente, a história e a realidade da assistência médico-hospitalar e da atenção à saúde no Norte do Paraná seria outra.
Nesse momento, nosso maior sentimento é de gratidão. E é com base nele que foi programada a abertura das comemorações dos 40 anos, que acontecerão na semana de 14 a 20 deste mês. Neste domingo, convidamos toda a sociedade para participar de um evento que, novamente, terá a FOLHA como um dos seus apoiadores. Será o II Treinamento Comunitário em Suporte Básico de Vida, no Ginásio Moringão, das 8 às 18h. Na quadra de esportes, 400 pessoas estarão sendo treinadas de forma intensiva. São donas de casa, porteiros de edifícios, motoristas de ônibus, funcionários de clubes, agentes comunitários de saúde, profissionais da imprensa, líderes comunitários e estudantes. Das arquibancadas os presentes poderão acompanhar pelos telões e adquirir os conhecimentos básicos para atuar em emergências antes da chegada das equipes de socorro.
Professores e estudantes de Medicina estão à frente desse trabalho. Desta forma, estamos aprendendo e praticando Medicina, fazendo saúde e construindo cidadania. Agradecemos o apoio da FOLHA e da sociedade para que pudéssemos ter entre nós um dos melhores cursos de Medicina do País. Participe você também!
MARCIO ALMEIDA é médico e coordenador do curso de Medicina da Universidade Estadual de Londrina
E assim caminha a humanidade
Nélio Roberto dos Reis
O rei da Inglaterra, Henrique VIII, católico, casado com a espanhola Catarina, amante de Ana Bolena, 23 anos mais nova, quis se divorciar dela. Papa Clemente (só no nome) não permitiu. O que fez o rei? Brigou com o papa e criou uma nova igreja, onde ele era o chefe e fez o que fez. Parece um fato vergonhoso, mas que acontece todo dia em nossa volta e nem percebemos.
Veja bem, Lula, católico, casado com as promessas de acabar com a CPMF, rompeu com as promessas de cuidar do povo brasileiro e fundou a sua própria crença, a ponto de dizer que: ''O fato do povo brasileiro pagar mais imposto hoje, se justifica porque está ganhando mais''. Isso não aconteceu comigo. Aconteceu com vocês? Isto é tão verdadeiro como o fato do presidente do Irã declarar: ''Nós não temos homossexuais no Irã''.
O fato do rei da Inglaterra ter estudado e Lula não não seria tão catastrófico se o presidente do Brasil não pregasse via rádio, jornais e TV que isto foi uma grande vantagem. Prefiro a Marta, camisa 10 da seleção. É séria e acredita no que faz.
Dentro disto, o presidente Lula não deve estranhar que o movimento dos sem-terra, que ela acha lindo (deveria ser), chamar o filósofo Marx de Marcus. Quem já visitou um assentamento sabe disso. Os pseudos revolucionários brasileiros endeusarem Ernesto ''Che'' Guevara, que consideram herói cubano, e mal sabem que ele era um médico argentino e pregava constantemente a seus subalternos frases do tipo: ''Estou vivo e sedento de sangue'', ''fuzilamos e seguiremos fuzilando enquanto for necessário'', ''o ódio nos converte em uma fria máquina de matar e temos que ser assim''. Diferente do altruísmo e juramento que se aprende em uma faculdade de Medicina.
Por que não poderíamos ter um presidente como o ministro do Supremo Tribunal Federal, Joaquim Barbosa? Não por que ele é um professor de História e fala três idiomas, mas sim pela investida em manter a esperança de acabar com a impunidade dos corruptos.
Morando e gostando do Brasil, me sinto confuso, pois quem deveria pregar a ordem, não prega nada. Como já dizia o grande Millor: ''Muitos dão vida por suas crenças, nunca arrisquei a vida pelo meu ceticismo, e não há nada mais equivocado do que ter certeza.''
NÉLIO ROBERTO DOS REIS é professor universitário em Londrina





