Dia Internacional de Combate à Obesidade

Alberto Toshio Oba
  Onze de outubro foi instituído como o Dia Internacional de Combate à Obesidade visando o estímulo de atividades preventivas e saudáveis. E esta é mais uma oportunidade para refletirmos sobre o tema, que já se tornou um problema sério no mundo. A obesidade, reconhecida como doença pela Organização Mundial de Saúde e pelo governo brasileiro, é um dos maiores problemas de saúde pública. No mundo, cerca de 1 bilhão de pessoas sofrem deste mal, que é fator de risco para várias doenças, especialmente para o diabetes. As estatísticas confirmam que 80% das pessoas que têm diabetes são obesas. É consenso que o melhor tratamento para a obesidade é a prevenção, a mudança dos hábitos alimentares e do estilo de vida. Quando isso não é possível - o que ocorre por uma série de fatores - a cirurgia bariátrica é o melhor e mais definitivo tratamento para a obesidade mórbida. Em Londrina, o único centro de referência para cirurgia bariátrica é o Hospital Universitário, que deveria estar fazendo 100 cirurgias por ano, mas não faz 20% deste total. Isso ocorre por vários motivos, como falta de pessoal, de leito e sobrecarga de trabalho.
  De acordo com os critérios do Ministério da Saúde, deveria existir um Centro de Referência para Obesidade para cada 1 milhão de habitantes, mas essa regra não é seguida. Na região de Londrina, há 1,7 milhão de habitantes e pelos critérios não caberia mais um Centro. Mas Curitiba, por exemplo, tem quatro Centros de Referência e não tem 4 milhões de habitantes em seu entorno. Talvez, em Londrina, não fosse necessário, mais um Centro se o HU conseguisse realizar as 100 cirurgias por ano.
  A Associação de Obesos de Londrina (Obesolon) está trabalhando para sensibilizar nossas autoridades municipais para credenciar o Hospital Evangélico como mais um Centro de Referência para obesidade na região. No próximo dia 30, a Obesolon vai realizar uma reunião, no auditório do HE, para discutir o assunto e terá como convidados a Promotoria Pública, Câmara de Vereadores e autoridades da área de saúde. Queremos que todas as autoridades que têm poder para intervir e buscar solução estejam sensibilizadas e encarem o problema da obesidade com a dimensão que ele merece. E olhem a questão da obesidade como uma doença que acomete todas as classes sociais. Porém, uma parcela grande da população não dispõe de recursos financeiros para arcar com os custos de uma cirurgia e passa anos na fila aguardando vaga nos hospitais públicos credenciados. Infelizmente, muitos desses pacientes acabam falecendo por problemas decorrentes da obesidade antes de chegar sua vez de ser operado.
ALBERTO TOSHIO OBA é médico gastroenterologista e cirurgião em Londrina


Tributo ao meu violão

Walmor Macarini
  Contemplo o meu violão e sei que aquela harmoniosa configuração de madeira e fios de metal encerra todas as melodias do mundo, conhecidas ou nunca tocadas, e as que estão além dos nossos sentidos. Ele repousa, silente, guardando sons que não conheço mas que pressinto. Meus dedos não sabem extrair dele tudo o que a sua natureza guarda. Meu violão ainda não foi plenamente revelado. Penso que cometo uma heresia ao deixá-lo assim sufocado, porque sei o quanto há dentro dele por dizer. Mãos mais hábeis ainda não o tangeram e temo que isso possa não acontecer. Poderia doá-lo a alguém com quem ele melhor se identificasse, mas penso que todos que tocam já têm o seu, tão bom quanto o meu. Fico então nessa agonia de querer conversar com meu violão. Mas como, se não falo a sua linguagem?! Ele é erudito demais e nem a minha mente e nem as minhas mãos o acompanhariam. Dói-me sentir a sua voz contida. Sinto-me responsável por aprisionar nele tantos sons e involuntariamente o contenho.
  Sei de quanto ele é capaz. Sinto-me frustrado, mas sei que ele também sente a minha frustração. Meu violão é solidário nas minhas alegrias e nas minhas dores. Eu acaricio meu violão e fico seduzido pelos seus delicados contornos. Deslizo com cuidado os dedos sobre as cordas, mas isso é pouco. Meu violão tem muito mais para dizer-me, mas por seus maus fados ele fez um casamento equivocado comigo. Eu deveria tê-lo deixado na loja para, quem sabe, mãos mais habilidosas haverem se apossado dele. Imagino-o empunhado por um Tárrega, um Segóvia, um Paco de Lucia, um Atahualpa Yupanqui, um Américo Jacomino, um Sebastião Tapajós, um Paulinho Nogueira e este menino brasileiro-gaúcho Yamandu Costa, que com tão pouca idade surpreende pela sua destreza e pelas improvisações. Todas as músicas já estão dentro do violão, concluídas, e todas as criações e recriações nada mais serão do que substratos de seu próprio manancial infinito. Ninguém extraiu dele a sua última palavra. Meu violão nunca dorme. Apenas aguarda. Em qualquer momento ele está pronto. Parece que se alegra quando liberto dele alguns sons.
  Tenho pedido que ele me ensine a garimpar dele as suas riquezas. Alguns acenos ele me dá e assim vou fazendo avanços. Minha alma toca com a alma do meu violão, e nisso nos entendemos. Ele me revelou que na nota Lá Maior há uma sincronia com todos os sons do universo. Então, brandi ao mesmo tempo e em compassada continuidade todas as cordas do Lá e elas emitiram o imaginário som de um sino. Assim ficamos eu e meu violão, durante longos períodos, soando esse carrilhão pela paz no mundo. Percebi que esse repetido e badalar foi assumindo uma vibração de mantra e que esse clamor do sino parece vir de um plano mais alto, ganhando dimensão e ecoando por toda a face da Terra. Violões me fascinam, sobretudo quando em poder de mãos exímias. O violão é uma continuidade de mim mesmo. Porque ele é perfeito em sua essência, assim como também nós o somos. Penso que Deus toca violão em suas tertúlias nas eternas noites enluaradas do Paraíso. Deve ser por isso que nas madrugadas frias de luar a voz do violão é cristalina. Eu abraço meu violão e o acarinho, como um corpo vivo que é, e sinto-lhe o sussurrar da alma. Agradeço por meu violão e peço licença ao tocá-lo. Penetrar na profundidade do conhecimento latente de meu violão é como mergulhar no insondável mistério do universo.
WALMOR MACARINI é jornalista na FOLHA DE LONDRINA


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