ESPAÇO ABERTO
Semana da Vida e Dia do Nascituro
Dom Orlando Brandes
A CNBB propõe a celebração da Semana da Vida entre 1 e 7 de outubro, já que no dia 8 é o Dia do Nascituro. O enfoque é a vida humana desde seu início na fecundação até seu fim natural. Os dois estágios mais frágeis da vida são os mais atacados: a vida do embrião no útero materno e a vida do idoso, especialmente, do idoso doente.
O Papa João Paulo II escreveu uma carta chamada Evangelho da Vida e agora o Vaticano publicou o Dicionário (Lexicon) sobre a família, a vida e questões éticas. Estes escritos, fundamentados na Bíblia, são um grito a favor da vida. A pastoral da criança, do menor, da juventude são opções em favor da vida digna. A V Conferência realizada em Aparecida no mês de maio foi uma clara opção pela vida e a Campanha da Fraternidade de 2008 tem como lema Escolhe a vida.
Os caminhos de morte são muitos, mas nós escolhemos a vida. Daí a luta pela ecologia, pelos pobres, pela inclusão social, pelos mandamentos do motorista, o mutirão de combate à fome, tudo é uma sinfonia em favor da vida. Como não defender a dignidade, a humanidade, a originalidade do embrião, do feto, do nascituro? Neste mutirão pela vida está o cuidado e atenção para com as gestantes e a educação para o amor convocando namorados, noivos e casais a serem promotores da vida. Que os lares sejam ninhos da vida (Bento XVI) e que a vida seja acolhida, amada e respeitada nas famílias, na sociedade.
Cristo faz a vida livre, bela e grande e o reino de Deus é reino de vida. Somos chamados a ser profetas da vida, porque o projeto salvífico de Deus é um projeto de vida. O mandamento não matarás (Ex 20,13) é revelação da vontade divina e expressão da lei inscrita na natureza humana. O direito à vida precede quaisquer outros direitos. Todas as culturas reconhecem o valor inviolável da vida.
Muitas são as violações da vida como o uso de células embrionárias para pesquisa, o abortamento, a pílula do dia seguinte, métodos anticoncepcionais abortivos, a prática da eutanásia. Não podemos resolver problemas e às vezes até desordens morais praticando uma injustiça maior.
Vida sim, violência não. A prática do aborto é uma violência que desrespeita o instinto materno, os direitos do embrião, o direito à vida, o direito de nascer, nós que lutamos a favor até dos animais e da ecologia. Enfim, nossa Constituição Federal considera a vida como o valor mais importante a ser protegido pelo Estado.
A misericórdia divina de que tanto necessitamos deve fazer-nos misericordiosos com a vida intra-uterina e com a criação de institutos de defesa, apoio, proteção e assistência às gestantes. A crise ética de nossos tempos se expressa hoje na violência contra a vida e na exploração do embrião humano. Nada justifica a supressão deliberada de um ser inocente. Escolhamos a vida, os caminhos da vida, a cultura da vida e a civilização do amor.
DOM ORLANDO BRANDES é arcebispo de Londrina e presidente da Comissão Episcopal para a Vida e a Família
Sobre Wilson Moreira
Moises de Godoy
O autor do livro Wilson Moreira e a Política da Eficiência, o jornalista José Antonio Pedriali, é de extrema coragem, considerando o que advertia Clarice Lispector, escritora ucraniana radicada há muito no País, quando, dirigindo-se ao confrade José Castello, falou por telefone, com sua pronúncia gutural: Com medo ninguém consegue escrever.
Na verdade, escrever não é tarefa que encoraje muito, porque a produção se torna pública e passa a ser objeto das mais diversas críticas. Mas, no caso desse livro, o autor foi extremamente feliz ao dar, em seu estilo claro e atraente, a atual e necessária radiografia da atuação político-administrativa do grande prefeito que foi Wilson Moreira, que, à época, teve oportunidade de tornar conhecidas suas qualidades de prudência, de correção e de qualificado senso de inteligência e de direção dos negócios municipais.
O dr. Wilson se iniciou na vida pública, já com renome na atividade privada, como secretário de Obras na Gestão Municipal de José Richa, tendo levado a cabo obras pioneiras e arrojadas como, entre outras, a duplicação da Av. JK, a Santos Dumont, o Terminal Rodoviário que desobstruiu o Centro e, em especial, a recuperação das finanças e de crédito da Prefeitura, que haviam sofrido toda sorte de flagelo e de castigo advindos de direções anteriores.
Como bom mineiro, da terra natal de Abilon de Souza Naves - que seria o sucessor de Lupion nas eleições de 1960, se a morte inesperada não o tivesse ceifado - era dotado de equilíbrio e de prudência e, em seu conceito de administrador, face à atuação dos auxiliares em geral, os classificava em três categorias: os inoperantes, os de capacidade mediana e os de tutano. Repelindo todo e qualquer comportamento que afrontasse os princípios da dignidade na função, sabia extrair-lhes o melhor proveito, levando em consideração os respectivos requisitos e condições, e obtinha resultados.
Sua presença motivava o trabalho e dava pessoal exemplo de dedicação e de larga eficiência. Do brilhante relato que o jornalista apresenta em torno de sua carreira, pode-se concluir que Wilson Moreira serve de exemplo a todos quantos elejam a vida pública como opção para sua atividade pessoal.
As histórias contidas no livro são exemplares e empolgantes, pelo que sua leitura se recomenda. Embora se tenha em mente, nas palavras de Monteiro Lobato, que se lê pouco e mal neste País, a pena do jornalista serve para gravar na memória local o perfil severo desse asceta do trabalho e, no bom sentido, déspota esclarecido e criativo.
Wilson Moreira pode ser considerado, em síntese, como um ponto fixo, uma luz, uma afirmação categórica no movediço frágil das cousas políticas. Sua presença na administração teve sentido vertical jamais oscilado ou que tenha sofrido qualquer momento de desaprumo e, ao lado de outros mineiros como Milton Menezes e Hosken de Novaes, forjou um tripé da melhor qualidade, mas cada um a seu modo, com sua individualidade expressiva, que tanto marcaram a passagem no itinerário pelo qual optaram.
MOISES DE GODOY é advogado em Londrina
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