Os 19 anos da Constituição

Adiloar Franco Zemuner
  A Constituição Federal dista de 5 de outubro de 1988, quando o presidente do Congresso Nacional, deputado Ulysses Guimarães, de forma apoteótica promulga-a e entrega-a ao povo brasileiro, nominando-a de a ‘‘Constituição Cidad㒒. Assim, a Constituição da República Federativa do Brasil em uma concepção contemporânea de cidadania elegeu o valor da dignidade humana como princípio fundamental do Estado Democrático de Direito.
  Por isso, é ela sem dúvida uma das mais avançadas do mundo. Contudo, apesar dos inúmeros esforços evidenciados, especialmente na última década, ainda vive-se tempos de expressivas diferenças sociais, onde o rico cada vez fica mais rico e, o pobre cada vez mais pobre.
  É uma Constituição Cidadã, pois a partir dela, as pessoas passaram a ter diretos iguais, sem diferença de ser homem, mulher, homossexual, heterossexual, branco, negro, índio, quilombola, ou de qualquer outra hipótese, ou seja, respeitadas todas as diferenças do povo brasileiro.
  A Constituição Federal de 1988 é um documento que comprova com toda a contundência que os ‘‘direitos’’ não são concessões graciosas do poder, mas o resultado de uma dura luta contra a tirania política. Entretanto, é mister que se registre, também, que nem todos os direitos encontram-se conquistados.
  Por outro lado, não se deve deslembrar que a Constituição Federal, com dezenove anos completos, ainda é uma jovem legislação e, a compará-la com o ser jovem, forçoso pensar em algumas certezas e incertezas, apesar da maturidade. Certezas: da sua jovialidade; de sua coragem, de seu destemor, de sua criatividade; e, ainda, de seu crescimento. Incertezas: de sua firmeza; de seu compromisso; de sua responsabilidade.
  Portanto, sob todos os ângulos que se possa admirar vê-se o avanço legislativo ante a promulgação há dezenove anos da Constituição Federal. Nesse sentido, cumpre a todos - cidadãs e cidadãos brasileiros - registrar os efusivos ‘‘Parabéns a você!’’, na esperança de que muito ainda há para ser conquistado.
ADILOAR FRANCO ZEMUNER é advogada e professora de Direito na Universidade Estadual de Londrina


Uma lição de vida

Amauri Escudero Martins
  Na última sexta-feira estive com o meu filho Leonardo, de 13 anos, para assistir à homenagem a um homem público que dignifica e valoriza a ação política correta. Era o lançamento do livro ‘‘Wilson Moreira e a política da eficiência’’, de autoria do jornalista José Antonio Pedriali. Entre os centenas de participantes estavam jovens que pouco sabiam da importância do homenageado e de sua equipe para a ação política administrativa de uma cidade como Londrina, a capital política do Paraná, como ensinaram muitas vezes em comícios e reuniões partidárias os líderes da terra vermelha.
  Queria que meu filho testemunhasse a importância de pessoas que dedicam suas vidas ao bem comum e possuem caráter e firmeza de propósitos. Vivi a época da administração de Wilson Moreira como militante do movimento estudantil da UEL e, mesmo não comungando em diversas vezes das mesmas posições políticas, o respeitava.
  Fui testemunha daquele momento histórico onde Londrina tinha participação no governo do Paraná com José Richa sendo governador, Alvaro Dias senador e presidente do PMDB, vários deputados federais e estaduais, além de postos-chave na administração do Estado, não poderia ausentar-me. Foi um momento importante após as eleições diretas para governador em 1982, sucedendo-se ao fim do regime militar e a constituição da Nova República em 1985.
  Nos embates internos do novo MDB havia maturidade suficiente para discernir as ações dos militantes. A discussão ocorria com serenidade e profundidade. Nesta época dirigia a Juventude do partido e muitas vezes fui testemunha de quanto a família deles, os líderes, reclamavam (com razão!) da ausência deles de seu convívio. Todos os que falaram na solenidade reafirmaram a importância dos exemplos como o de Wilson Moreira.
  Por isso, no momento em que a filha do dr. Wilson solicitou a palavra, para em nome da família agradecer ao pai e à sua mãe dona Guiomar pelo exemplo de vida, chorei ao lado de meu filho. Ele assistia a tudo ao meu lado e fiz questão de abraçá-lo, como quem pedisse silenciosamente o seu perdão, por não estar compartilhando todo o tempo de sua infância e exatamente estar sacrificando-o.
  Ao final, quando me fiz fotografar com ele ao lado do homenageado, disse: ‘‘Dr. Wilson, trouxe meu filho para aprender com o senhor. Pois tudo que fizemos valeu a pena’’. E a resposta dirigida ao menino antes da pose: ‘‘E você é o próximo prefeito?’’. Era o líder estimulando os jovens a fazerem o seu dever de casa: dediquem-se ao bem comum. Valeu a lição de vida. Obrigado dr. Wilson.
AMAURI ESCUDERO MARTINS é biólogo, filiado ao PSDB do Paraná e assessor parlamentar em Brasília

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