ESPAÇO ABERTO
Os 50 anos da Era Espacial
Miguel Fernando Moreno
Há exatos 50 anos, partia do Cosmódromo de Baikonur, no atual Cazaquistão, o Sputnik 1, o primeiro satélite artificial lançado pela humanidade. A pequena esfera de metal com algumas antenas tinha uma única função: enviar um sinal, um bip. Este feito dos soviéticos deixou toda a humanidade consternada. Afinal, nem o céu parecia ser mais o limite. Dava-se início então à Era Espacial.
Nos meses seguintes, novos e importantes passos foram dados pela ex-União Soviética, como o envio do primeiro ser vivo ao espaço, a cadela Laika e, posteriormente, o primeiro ser humano, o cosmonauta Yuri Gagárin. Em plena Guerra Fria, a Corrida Espacial travada entre as duas grandes potências - a União Soviética e Estados Unidos - tomava níveis cada vez maiores. Os esforços eram sempre no sentido de demonstrar a superioridade tecnológica de uma nação sobre a outra.
Após a viagem de Gagárin, a próxima grande conquista da humanidade foi a chegada à Lua, em 20 de julho de 1969, realizada pelos astronautas norte-americanos Neil Armstrong e Edwin Buzz Aldrin.
Seguiram-se mais alguns anos de competição desenfreada entre as potências dominantes, até que, em 5 de julho de 1975, Estados Unidos e União Soviética deram um importante passo com o início da cooperação mútua na exploração espacial. Foi a chamada missão Apolo-Soyuz, que consistiu no acoplamento das espaçonaves Apolo 18, norte-americana e com três astronautas, e a Soyuz 19, soviética e com dois tripulantes. Na ocasião, os viajantes espaciais trocaram bandeiras de seus países, conversaram em ambos os idiomas, além de fazerem refeições conjuntas.
Atualmente, o mais ambicioso programa espacial da humanidade, a Estação Espacial Internacional, é fruto da colaboração de 15 países (Estados Unidos, Rússia, Japão, Canadá e mais 11 nações européias), num investimento total orçado em cerca de 130 bilhões de dólares. O Brasil, num contrato com a Nasa, aceitou contribuir com o fornecimento de alguns equipamentos para a Estação. Porém, após quase dez anos sem ter dado qualquer contribuição, nosso país não mais figura entre os construtores da mesma.
Hoje, com a decadência do regime soviético e os constantes cortes nos orçamentos das agências espaciais, a atenção tem se voltado às missões de baixo custo. Neste caso, baixo custo representa alguns milhões de dólares, um volume muito inferior, por exemplo, ao programa Apollo que levou o homem à Lua e que consumiu cerca de U$ 20 bilhões.
Se à época das Grandes Navegações, há mais de 500 anos, a grande fronteira da humanidade era o oceano, permeado de perigos e mistérios, agora este limite foi transportado aos céus, muito mais misterioso que qualquer mar já navegado. E hoje, nos lembramos daquele primeiro vôo, porta-voz da humanidade em seu anseio de conquistar sempre o desconhecido.
MIGUEL FERNANDO MORENO é presidente do Grupo de Estudo e Divulgação de Astronomia de Londrina
Agradecer a médicos, a enfermeiras e à vida
Walmor Macarini
A misericórdia divina se manifesta de variadas formas, e algumas delas podem se dar por processos penosos de purificação. Que no mais dos casos temos solicitado, para nós próprios, antes de aportarmos neste planeta. Assim realiza-se o princípio do livre-arbítrio, de forma a permitir que se realize a nossa vontade e se resgatem nossos carmas terrenos.
Dez dias de intensivo tratamento cardíaco no Hospital Evangélico de Londrina, com cirurgias e algumas complicações de continuidade - por conta de gestos bruscos inconscientes meus, em instantes de agonia - foram uma lição de vida e uma oportunidade de rever conceitos sobre futilidades deste mundo.
Por mais que supomos alcançar a intensidade das angústias alheias, será preciso vivenciá-las pessoalmente para ter a exata dimensão do que são. E ter o coração expandido para sentir o quanto é valoroso o trabalho daqueles que as amenizam, seja pela atividade profissional, seja espontaneamente.
Hoje valho-me deste espaço que uso semanalmente e faço agradecimentos muito pessoais aos valorosos cirurgiões cardíacos Francisco Gregori Junior, Celso Otaviano Cordeiro, Alexandre Noboro Murakami e Thelma Eliza Ferreira Gregori e aos médicos residentes Rene Augusto Gonçalves e Silva, Rogério Toshio Teruya e Guilherme Andrade Krawczun.
Quando Thelma (esposa de Gregori) adentrava a ala do CTI onde eu me encontrava, via-a como uma figura resplandecente, pela sua delicadeza, e passei a chamá-la de anjo de branco. Preciso agradecer também a todo o corpo de enfermeiras e auxiliares de enfermagem que me atenderam. Estas, exercem ali o que é o seu trabalho, convenhamos que tal atividade se situa entre as fora do comum, porque não é fácil cuidar da higiene íntima de outras pessoas, adultos sobretudo, e no mais dos casos manhosas. Como eu.
Se os jornalistas criticam aqueles que se desviam dos caminhos e causam tanto mal à humanidade; se criticam os maus políticos pelas roubalheiras e pelos ganhos abusivos, podem também valer-se do honesto exercício de elogiar, sobretudo médicos de alta especialização que ganham ninharias com o que lhes pagam os planos de saúde e o SUS.
Algumas cirurgias dessas duram até 10 horas e sempre ocupam toda a equipe. Confronte-se a importância de profissionais desse naipe para a causa da saúde brasileira, e o pouco que ganham, e a quase inutilidade dos políticos e os abusivos salários e mordomias de que se beneficiam, e se verá o tamanho do descalabro.
Gregori e Thelma, quando elogiados pelo que fazem, apenas dizem: Nós somos instrumentos. Quem faz tudo é Ele. E apontam para o Céu.
WALMOR MACARINI é jornalista na FOLHA DE LONDRINA
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