ESPAÇO ABERTO
Perspectiva para a inovação na construção
Junker de Assis Grassiotto
A expressão romana Genius loci refere-se ao espírito do lugar. Construir é fazer um sítio se transformar em lugar, dando a ele uma identidade com escala humana. Hoje, vive-se uma guerra contra a própria vida e a única solução possível é caminhar na direção da sustentabilidade, que do ponto de vista do edificar tem os objetivos de: desenvolver tipologias arquitetônicas eficientes e amigáveis; adotar estratégias de flexibilidade; executar construções evolutivas; aplicar tecnologia e procedimentos pós-modernos; desenvolver a gestão global da qualidade; e conservar o patrimônio.
O pré-fabrismo é uma idéia utópica, onde se produz a fusão entre técnica e arte. Por comparação se tem como os processos construtivos se aproximam dele, de acordo com a seguinte seqüência: construção tradicional; procedimentos racionalizados; pré-moldagem; pré-fabricação; e construção à base de elementos de origem industrial.
Hoje, a pré-fabricação é a avenida da arquitetura, não sendo mais admissível a frivolidade das plantas atuais. Para muitos ela parece controle, censura. Entretanto, estimula a criação. O projeto tem que se libertar das soluções velhas e cômodas.
Aqui no Brasil acredita-se que o status quo da construção civil tenha que ser mantido a qualquer custo, por ser grande empregador de mão-de-obra não qualificada, porém, é essa situação a responsável pela sua baixa qualidade, pelos desperdícios de materiais e pelos elevados custos.
Os métodos tradicionais exigem equipes de trabalhadores especializados, sendo que a mão-de-obra não qualificada só atua como colaboradora. Formar mão-de-obra especializada exige tempo e custa muito dinheiro. O que gera economia é a mecanização. O papel da inovação tecnológica no desenvolvimento não pode ser julgado só pelo seu efeito sobre o emprego, devendo ser julgado também pelo seu efeito sobre a acumulação de capital, motor de transformação da economia, que cria empregos posteriormente, na própria indústria de materiais.
As idéias aqui expostas, em visão caleidoscópica (ou seja, numa exposição múltipla das idéias), estarão sendo discutidas no 1º Congresso Nacional do Ambiente Construído, que inicia hoje em Londrina e se estende até a próxima sexta-feira, no Centro de Eventos do Catuaí. Promovido pelo Sinduscon Norte do Paraná e Universidade Estadual de Londrina - Centro de Tecnologia e Urbanismo da UEL, é dirigido não apenas a profissionais e acadêmicos das áreas de engenharia, arquitetura e do mercado imobiliário, mas também a todas as pessoas que se interessam pelo desenvolvimento urbano, pela qualidade do morar, habitar. Por isso leitor, você também é nosso convidado.
JUNKER DE ASSIS GRASSIOTTO é engenheiro civil, doutor em arquitetura e presidente do Sinduscon Norte do Paraná em Londrina
Universidades e o bem-estar coletivo
Aylton Paulus Júnior
A universidade é uma instituição de origem medieval que sobrevive ao tempo por ser importante equipamento social. No Brasil, surgiu para que os filhos da burguesia pudessem ter acesso ao ensino superior. Felizmente, se modernizou, acumulou conhecimentos e formou pessoas que contribuem para o avanço tecnológico, permitindo o aumento do bem-estar coletivo.
O esforço do governo para o crescimento da economia envolve a esperança de que a geração da riqueza adicional resulte em conforto e bem-estar. De fato, o investimento em capital é determinante do produto e da renda. Investir significa mobilizar recursos na esperança de se obter no futuro um fluxo de benefícios maior do que a aplicação realizada. O dinheiro destinado às universidades tem esta característica. Pensando no crescimento da economia e na geração de renda, o governo orienta seus investimentos em bens de infra-estrutura que viabilizam novas empresas, empregos e produção. Isso é necessário, mas não é suficiente. Outro investimento a ser intensificado de forma prioritária é aquele que resulta no aumento do estoque de conhecimento. Esta é a única forma de contrapor o rendimento decrescente do capital. Não há progresso sem crescimento tecnológico, cuja fonte natural está nas universidades, que preparam pessoas e alicerçam a tecnologia com pesquisas.
Falamos do óbvio: precisamos de educação de qualidade sem a qual o investimento em capital é corroído e não se sustenta, diminuindo o produto e o bem-estar das pessoas. Observe-se que não basta abrir escolas e universidades. Estas devem reunir condições para o fomento das inovações com laboratórios, professores e recursos suficientes para uma produção potencializada.
O crescimento tecnológico ocorre em ondas, mas tende a ser contínuo porque os mercados são competitivos. Uma tecnologia lançada hoje é provocação para a concorrência intensificar pesquisas semelhantes. Assim evolui o aperfeiçoamento das idéias e das ciências, que são sistematicamente revisadas e incorporadas pela academia abrigada nas universidades.
Em Londrina, somente a Universidade Estadual, a UEL, conta com 14.096 alunos de graduação e mais de 2.700 formandos por ano. Conta também com 5.361 alunos de pós-graduação e com 921 projetos de pesquisa em andamento. Muitos dos formandos constituem-se no capital humano de empresas que investem em pesquisas e em inovações tecnológicas e melhoram, mais cedo ou mais tarde, o bem-estar coletivo. O retorno social dos recursos aplicados nas universidades apresenta dimensões fantásticas e efeitos com duração equivalente à expectativa de vida adulta de cada turma formada. Assim, considerando as pessoas nas universidades como fontes primárias do crescimento tecnológico, justificam-se a atenção e a necessidade de investimentos nestas instituições, especialmente nas universidades públicas, onde o benefício coletivo é mais evidente.
AYLTON PAULUS JÚNIOR é economista em Londrina
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