ESPAÇO ABERTO
Mapa do tesouro: você já encontrou o seu?
Lair Ribeiro
Crianças ficam fascinadas com brincadeiras de caça ao tesouro. Mas elas crescem e passam a acreditar que, no mundo real, não há tesouro escondido e que as riquezas do mundo estão reservadas para os sortudos, esquecendo-se de que o maior tesouro está dentro delas mesmas. Para encontrá-lo, porém, é preciso ter um mapa. A idéia é simples: quando você tem de visitar um cliente pela primeira vez, você pega o guia de ruas, localiza a endereço e, depois, a partir do ponto em que se encontra, traça uma rota para chegar ao destino.
Na vida, para ser bem-sucedido, também é preciso ter um endereço (destino final) e, depois, sabendo onde você se encontra naquele momento, traçar um plano de ação que o leve aonde você quer ir. Simples, não é? Mas muita gente pula essas etapas e embarca em uma viagem sem fim que conduz a lugar nenhum. Para conquistar objetivos é preciso defini-los claramente, tendo metas como alavancas para vencer a inércia. Mas é importante que as metas sejam positivas e coerentes com nossos valores. Quando realizamos algo alinhado aos nossos valores, sentimo-nos plenos e felizes. É crucial identificar e fortalecer nossos valores para que, ao traçar nossas metas, tenhamos condições de executá-las com sucesso.
Caso você tenha uma meta bem definida, faça o caminho inverso e busque identificar, a partir da meta, que valores estão por trás dela. Depois de definir metas e identificar valores, está na hora de traçar o mapa. Se você deseja comprar uma casa, por exemplo, estipule uma data para a compra. Depois, examine sua situação e desenhe uma estratégia. O que o impede de comprar a casa hoje? Falta de dinheiro? Como você pretende comprar a casa: à vista ou financiada? E o que você precisa para juntar a quantia faltante? Anote tudo o que lhe vier à mente numa folha de papel, de forma ordenada e coerente. Você está esboçando o seu mapa do tesouro.
Mas há metas intangíveis, como querer comunicar-se melhor, por exemplo, que também requerem um plano de ação. Então, pesquise sobre o assunto, procure ajuda profissional, busque desvendar seus bloqueios, encontrar a origem do problema e aja, interferindo no processo. Como estratégia, inclua exercícios de visualização: imagine-se comandando uma palestra na sua empresa, veja a roupa que usará, escute o discurso que fará, observe seus modos, sinta a reação das pessoas... Assim, quando estiver numa situação real, terá como avaliar e reconhecer sua vitória!
Imagine que sua trajetória até a realização de um objetivo é uma linha de trem: entre o ''embarque'' e o ''destino final'' existem várias ''paradas'', e é preciso passar por todas antes de chegar ao ''destino''. Na vida, o ''destino final'' do trem pode ser chamado ''metas de resultado'' e as ''estações'', de ''metas de processo''. Vencer cada meta de processo fornece combustível extra para você se manter na linha e conquistar sua meta de resultado. Por isso, quando for desenhar seu mapa, dê muita atenção às ''estações'', às paradas durante o caminho, para não ficar com a sensação de seu tesouro é inatingível. E com o mapa traçado, só lhe resta dar o primeiro passo em busca do seu tesouro. Só depende de você! Boa sorte!
LAIR RIBEIRO é médico cardiologista e palestrante internacional
www.lairribeiro.com.br
CPMF e segurança jurídica
Fábio Chagas Theophilo
A CPMF foi criada através da emenda constitucional (EC 12/96) com alíquota não excedente a 0,25% por prazo não superior a dois anos e destinação integral ao Fundo Nacional de Saúde. A Lei 9.311/96 estabeleceu prazo de 13 meses e a Lei 9.539/97 aumentou esse prazo para 24 meses contado a partir de 23 de janeiro de 1997. Em 1999 foi promulgada a EC 21 que prorrogou a CPMF por mais 36 meses com alíquota majorada para 0,38% nos 12 primeiros meses e 0,30% nos 24 restantes.
A EC 31/2000 aumentou a alíquota para 0,38% e prorrogou novamente a cobrança até 17 de junho de 2002. A EC 37/02 alterou novamente o prazo, até 31 de dezembro de 2004. Por fim, a EC 42/2003 prorrogou a exação para 31 de dezembro de 2007. A CPMF - cujo ''p'' representa ''provisório'' na lei, mas é ''permanente'' na prática - foi reiteradamente prorrogada em atos atentatórios ao sobreprincípio da segurança jurídica - princípio maior do Direito.
A segurança jurídica é a inexistência de qualquer tipo de risco ao Direito no sentido lato da palavra, ao direito das pessoas, às instituições, às leis e à própria segurança das relações entre pessoas e entre pessoas e o Estado. A pergunta que caberia ao cidadão comum para sabermos se temos ou não segurança jurídica é: você confia nas leis? Nas instituições - Senado, Câmara, etc.? No presidente? No seu país?
Desconsiderando a anulabilidade da votação pelo Congresso de nova emenda tendente a prorrogar pela enésima vez a contribuição, tendo em vista o vício no consentimento através da pressão política e cooptação explícita pelo Poder Executivo via emendas no orçamento a deputados e senadores, temos que se a resposta é negativa às indagações acima a situação se mostrará extremamente preocupante e o governo mais uma vez ratificará os erros do passado através da prática irresponsável de desrespeito ao seu povo e à própria lei.
O ato de prorrogação da CPMF é fator de elevação do risco Brasil, pois aumenta a desconfiança dos investidores, inibe novos investimentos e desestabiliza o País e a economia como um todo. O motivo é a política instável onde o próprio governo não respeita as leis que edita sempre mudando ''as regras no meio do jogo'' com interesses meramente arrecadatórios quando não escusos. Ignora, assim, o prejuízo e a grave lesão ao Estado Democrático de Direito e acaba com o maior patrimônio que um país pode ter: a confiança dos seus cidadãos nas instituições e nos poderes constituídos.
FÁBIO CHAGAS THEOPHILO é advogado em Londrina





