ESPAÇO ABERTO
Consultoria vai acabar?
Abraham Shapiro
Todos os negócios estão passando por uma redefinição. A consultoria empresarial não poderia ficar de fora. Quando realizei meu primeiro trabalho em consultoria, meu conselheiro disse: Você fez um trabalho que ajudou muito a empresa, mas não foi poderoso. O que significavam aquelas palavras? Eu estava agregando valor, mas não estava fazendo realmente a diferença. É verdade que a maioria dos consultores tem intenção de fazer a diferença. No entanto, poucos conseguem ser mais do que úteis. Resolvem problemas e fazem pequenos acertos para o cliente. Mas quase nunca sabem que o processo em que estão engajados altera pouco a própria dinâmica que criou os problemas.
Nos últimos 20 anos, o consultor foi visto como um salvador e solucionador de crises. Essa perspectiva está errada. Ninguém pode ocupar esta posição - nem na vida e nem na empresa. Um consultor precisa ser alguém que forma uma parceria forte com as pessoas que fazem a empresa existir. Imagine de um lado um consultor que segue o modelo convencional de solução de problemas. Compare este com um consultor que se engaja na organização cliente, em um processo de investigação que resulta em um conjunto de idéias esclarecedoras que, com o tempo, alteram a própria maneira como a organização pensa. O primeiro consultor é útil. Mas o segundo é extraordinário. Seu trabalho catalisa idéias novas, conscientiza e faz mudanças reais. Esse tipo de consultoria chacoalha o mundo do cliente.
Um consultor tem o poder de causar impactos na empresa. Às vezes, ele ignora isso. O resultado é quase sempre estragos. Conheço o caso de um jovem que após fracassar na Europa como vendedor, retornou ao Brasil e foi aproveitado como consultor por um tio que era dono de uma rica concessionária de veículos. Concedendo ao recém-empossado consultor poderes para realizar as mudanças que achasse conveniente na empresa, o trabalho começou a tomar forma a partir de uma revolução no time de vendedores. Veio uma seleção de novos profissionais - todos inexperientes - e, depois, o investimento de um grande montante em treinamento.
Os antigos membros da equipe foram desprezados e rebaixados. No afã da mudança pela mudança, o salvador messiânico conseguiu levar a empresa de um estado confortável no mercado regional a um clima de total desorientação, seguido por uma queda inesperada no faturamento e, é claro, a quase falência do negócio que, pouco tempo antes, era próspero e alicerçado. Este modelo de consultoria chegou ao fim. Talvez seja por isso que a demanda por consultorias, em geral, esteja caindo vertiginosamente em todo o mundo. O puxão-de-orelha que recebi de meu orientador, no meu início de carreira, ficou gravado na minha lembrança e tornou-se minha bússola. Hoje, esta ainda é uma preocupação que mantenho em cada contrato que executo, do princípio ao fim. Creio que a lição que aprendi sobre o meu trabalho é que, em se tratando de consultoria, bastante bom nunca é bom o bastante.
ABRAHAM SHAPIRO é consultor em Londrina
Manter um desejo por 17 segundos
Walmor Macarini
Os mestres nos ensinam que, para obter as coisas que queremos, precisamos decidir com clareza o que desejamos. A idéia, o sentimento e a palavra precisam ser harmônicos entre si, sem incoerências. Devemos manter a vibração de um desejo por, pelo menos, 17 segundos, sem contradições. Porque 17 segundos é um tempo de combustão. Não importa se for uma pequena vontade. Porque, decorrido esse tempo de vibração pura, outra força igual se unirá ao que se deseja, duplicando-a, e assim sucessivamente.
Com a prática se chegará à multiplicação de 17 por 4, totalizando 68 segundos, e quanto mais esse exercício for praticado mais se alcançará a pureza vibracional. Esta é a denominada lei da atração, sobre a qual se fala há muitos séculos mas ultimamente ela popularizou-se no mundo com o DVD The Secret, mais o livro. Não são portanto revelações novas, mas que ganham nestes tempos grande popularidade. O livro figura entre os mais vendidos em todo o planeta.
Nos dizem ainda os mestres, por via de mensagens canalizadas, que 17 segundos de pensamento puro equivalem a 2 mil horas de ação. Da mesma que a água tem um tempo para chegar à fervura, o pensamento também tem um ponto de combustão, que são esses 17 segundos. Cada ser vibra num grande campo de força, que é a energia não-física - a que move o Universo e mantém a vida. Se essa energia não é utilizada - porque as pessoas, na maioria, não crêem nela - o ser passa a existir qual um morto. Se o homem não focar seu interesse nas coisas - as físicas e as suprafísicas - a força vital que enche todo o Cosmos e o faz mover-se não fluirá no campo individual. Assim as pessoas se tornam fracas e doentes e vivem sem vibração.
Como o Universo é uma fonte viva de energia e todos estamos dentro dele e o compomos, não podemos ficar de fora, porque isto é quase impossível. Mas se preferimos viver inertes e não vibrarmos nesse mesmo campo de força, obviamente que vamos ficando fragilizados e à margem desse processo. As pessoas, na maioria, ficam buscando em vão um milagre que caia do céu espontaneamente, mas é preciso primeiro mover-se, acionar a força vital individual e aí o Universo inteiro responderá na mesma consonância.
O pulsar da vida reside na vibração. É preciso, portanto, manter uma vibração firme e serena nos desejos por, no mínimo, esses 17 segundos. Esta é uma das inúmeras formas de sintonização. A mente, o sentimento, a palavra, é que conduzem o espetáculo da vida. Todo o poder está ao nosso alcance, da mesma forma que estendemos a mão e colhemos do pé uma laranja.
WALMOR MACARINI é jornalista na FOLHA DE LONDRINA
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