ESPAÇO ABERTO
A palhaçada no Brasil
Gourasundar Dasa
Bem sabemos que o Brasil foi construído em situações embaraçosas e complexas. Somente em 1530, Portugal de fato deu alguma atenção para essas terras, D. Pedro I cometeu muitos equívocos, a burguesia sempre esteve preocupada consigo mesma, a escravatura aqui foi a última a ser abolida no mundo, a Igreja revelou-se muito politiqueira, a educação nunca foi prioridade e por aí vai.
Mas até quando essa situação de coitadinho será característica deste País?
Gilberto Freire tem um importante trabalho sociológico que trata desse tema. Ele conclui basicamente que o brasileiro não tem natureza de revolução, logo tudo continuará igual, que brasileiro gosta de sofrer e sofre calado.
No entanto, sabemos bem também que a história pode tomar rumos inesperados muitas vezes, e na era atual, de comunicações e informações rápidas, muita coisa pode acontecer.
No caso mais recente de nosso Brasil varonil, vemos esse absurdo da política e justiça na absolvição do senador Renan Calheiros e as desculpas e escondidas dos parlamentares.
Então, o que nos vem imediatamente à mente é: será que não está na hora de os brasileiros saírem às ruas em protestos e manifestações, de forma pacífica e positiva, é claro, contra esses absurdos? Será que não é hora de esquecer o passado de coitadinhos, de povo amistoso e calado para lutar por uma nova história?
As respostas para essas perguntas estão na consciência e atitude diária de cada londrinense, de cada paranaense, de cada brasileiro.
Ao menos vamos nos lembrar dos nomes destes políticos para nunca mais votar em tais pessoas, e começar assim a nova história longe dessas épocas de palhaçadas no Brasil que já duram mais de 500 anos.
GOURASUNDAR DASA é palestrante, membro da Sociedade Internacional para a Consciência de Krishna e estudante de Ciências Sociais em Londrina
Mais governo, menos Estado
Auro Henrique de Andrade Ramos Pontes
A discussão política no Brasil é, em geral, de uma pobreza ímpar. Porém, às vezes, algumas excrescências ideológicas tomam a dimensão de um colosso de bobagens formadas de idéias recém-resgatadas da ala geriátrica do socialismo romântico.
A campanha pela reestatização da Cia. Vale do Rio Doce é uma dessas excrescências, uma idéia sem nexo, ultrapassada, sem nenhum respaldo jurídico. Seria risível não fosse essa campanha bancada, em parte, com dinheiro público, dos repasses aos sindicatos, e se não fosse encampada pelo partido do governo.
A proposta é absurda e completamente inviável, ao menos enquanto esse for um Estado de Direito. Porém, espanta ver algumas pessoas hasteando a bandeira do atraso: a bandeira de um Estado ainda maior.
Qual o objetivo, afinal, de aconchegarmos em nossas mãos e braços cansados de sustentar um já paquidérmico Estado, outra estatal? Quanto tempo levaria para que a Vale fosse sucateada e aparelhada?
Gostaria de ver sim, mais governo. Mais governo não significa mais Estado, significa um governo atuando de maneira a viabilizar o empreendedorismo, com uma reforma fiscal que desonere a economia e traga para o mercado formal os 70% que atuam na informalidade. Porém, para isso, seria necessário cortar gastos, reduzir despesas, e dado o aumento desenfreado de cargos comissionados, não acredito que esse governo vá ou queira fazer isso.
Gostaria de ver o governo atuando pela viabilização de uma reforma política verdadeira, com a fidelização partidária, e o fim dos currais eleitorais.
Onde os estados sejam representados de maneira justa, por partidos fortes e representativos, e não por figuras popularescas e legendas de aluguel. Porém, dado o mensalão (negado peremptoriamente), e mais recentemente, a inércia (e às vezes, o apoio explícito) ao suspeitíssimo presidente do Senado, Renan Calheiros - absolvido do processo de cassação em sessão secreta -, não acho que a reforma política esteja na pauta desse
governo.
Talvez seja pedir demais uma reforma no Judiciário, para que um homicida não saia livre após dois anos, quando muito; ou um processo não demore vinte anos para ser julgado. Não, não acredito que seja de interesse do governo que teve toda a sua cúpula afastada por escândalos.
Essas bandeiras, infelizmente, não serão levantadas tão cedo. Não vejo nossos profissionais da greve e do inconformismo recolhendo assinaturas nas ruas por essas causas, pois devem ser secundárias. Brilhante mesmo é reestatizar a Vale.
AURO HENRIQUE DE ANDRADE RAMOS PONTES é empresário do setor de tecnologia em Londrina
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