Língua inglesa como língua global

Telma Gimenez
  Na última década temos assistido à crescente ascensão da língua inglesa à categoria de língua de comunicação mundial. Seus usos na internet, na diplomacia, no mundo acadêmico e até mesmo na cultura pop a tornam sem precedentes na história da humanidade. Embora tenha havido no passado a hegemonia de outras línguas, o conjunto de forças que sustenta esse status jamais foi visto. Juntam-se o poder econômico e a tecnologia cada vez mais acessível para fazer do inglês uma ferramenta essencial para participação em escala global.
  Em recente publicação, David Graddol sustenta que o inglês global pode representar o fim do inglês como língua estrangeira. O termo assinala a vinculação inevitável entre globalização e a língua de Shakespeare, vinculação essa que é reforçada mutuamente. Em nosso país, contudo, as autoridades educacionais continuam tratando o inglês como língua estrangeira, apenas uma dentre as várias possíveis no currículo. No entanto, esse reconhecimento se torna mais visível no mercado privado de ensino de línguas, no qual os interesses econômicos parecem ser mais transparentes. Basta se observar a quantidade de cursos que proliferam nas mais remotas localidades. É bem verdade que o espanhol também vem disputando esse espaço, reforçando a idéia de que é principalmente o discurso econômico que dita as escolhas por qual língua estrangeira aprender.
  Algumas tendências podem ser identificadas em outras partes do mundo, refletindo as mudanças que vêm acontecendo no plano de políticas lingüísticas. Uma das conseqüências tem sido a introdução, cada vez mais cedo, do inglês na grade curricular das escolas primárias. Reportagem recente na revista Newsweek mostra que, mesmo na China, esse aprendizado começa agora na terceira série primária. Em Portugal, em 2005, o governo resolveu também iniciar esse aprendizado mais cedo (3º e 4º anos do ensino básico). A Colômbia segue no mesmo passo com seu objetivo de tornar o país bilíngüe. Embora se possa compreender que a meta não seja necessariamente ser bilíngüe, mas sim possuir níveis de proficiência mais elevados na língua inglesa, este tem sido um dos objetivos propostos por autoridades interessadas em colocar seus países no mapa da economia mundial.
  Escolas particulares já identificaram essa oportunidade e têm acrescentado aulas de inglês desde as séries iniciais. Alguns governos municipais também. Em Londrina, o interesse em tornar a cidade pólo tecnológico na área de informática e ‘‘outsourcing’’ traz naturalmente a demanda pelo aprendizado eficiente do inglês. Ainda que motivada por razões econômicas, a introdução do inglês nas séries iniciais tem o potencial de promover melhor consciência da língua materna, o desenvolvimento cognitivo dos estudantes e de permitir uma formação para cidadania em escala planetária. São motivos suficientes para justificar sua inclusão na agenda das autoridades responsáveis pela elaboração e implementação de políticas públicas voltadas para o desenvolvimento humano da região.
TELMA GIMENEZ é professora universitária em Londrina


Polícia e leis não educam para a vida

Marli Eleonora Braun
  É comum todos os dias encontrarmos nos jornais assuntos sobre violência, falta de policiamento ou insuficiência de policiais na maioria das cidades. O confronto da polícia com traficantes e a tão polêmica questão da proibição do trabalho do menor devido à introdução do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) também são temas recorrentes na mídia. Muitos são os questionamentos sobre o que os adolescentes podem ou devem fazer até alcançarem a idade de jovem-aprendiz aos 14 anos e 16 anos para poder trabalhar com registro em carteira.
  Hoje é grande o número de famílias em que pai e mãe trabalham fora de casa o dia todo, mas e os filhos? Crianças até certa faixa de idade ficam em creches ou escolas particulares em período integral, ou ainda em casa aos cuidados de babás ou avós. Mas e os adolescentes impedidos de trabalhar: onde ficam e o que fazem?
  Chegamos então ao ponto crítico da questão. Leis são criadas, mudadas e cada vez mais cresce o envolvimento dos jovens com drogas, prostituição, brigas, pequenos furtos, roubos e até mesmo participação em assaltos com uso da violência e mortes. É o que ocorre no do Rio de Janeiro. Nos confrontos entre traficantes e a polícia observa-se que quanto maior a busca pelo controle através do confronto maior é o número de mortes, na maioria das vezes de inocentes.
  A busca por soluções vem de toda parte, de pessoas, ONGs, autoridades civis e religiosas, mas ainda nada tem sido feito para acabar de vez com tantos problemas que a sociedade enfrenta. O que precisa mesmo ser mudado são as pessoas que criam leis que diferem da realidade. É preciso criar novas opções de renda que substituam o tráfico de armas e de drogas, diminuindo assim a guerra entre traficantes, policiais e população. É necessário ainda reduzir o número de políticos que regem o país porque muitos estão no poder e só dão mau exemplo à população. Se isso for feito, com certeza, muitos inocentes deixarão de morrer.
MARLI ELEONORA BRAUN é estudante de Administração na União de Ensino Superior do Paraná em Palotina.

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