ESPAÇO ABERTO
Hora de ajudar o LEC
Jurandir Barrozo
É muito difícil, desgastante e oneroso manter um time de futebol profissional em qualquer cidade do Brasil e, principalmente, em Londrina onde a cobrança e as exigências são grandes e a ajuda é pequena. Muito se tem falado sobre a importância de se ter um time de expressão em nossa cidade e raras são as oportunidades de contarmos com um time competitivo e disputando as principais competições nacionais e se equiparando às outras equipes da capital.
As receitas com rendas são inexpressivas e mal cobrem as despesas do dia do jogo, pois é necessário média de público superior a oito mil pagantes para poder custear parte das despesas do dia-a-dia do Londrina Esporte Clube (LEC). Para completar o orçamento é necessário contar com patrocinadores para as camisas, placas, promoções, etc.
Hoje temos essa oportunidade, principalmente, após a conquista do primeiro turno da Copa Paraná, que possibilitará ao campeão participar da Série C (2008) e Copa do Brasil (2009), oportunizando um calendário de jogos e motivação para a manutenção de um bom time com reais perspectivas de voltarmos à Série B e fazermos uma boa campanha na Copa do Brasil.
Temos um esportista-empresário que está investindo e acreditando na resposta do torcedor londrinense. Por isso, é importante que os aficionados do LEC dêem sua colaboração, indo aos jogos, participando das promoções, comprando camisas e prestigiando os patrocinadores.
A imprensa também precisa fazer sua parte, deixando de se preocupar com aspectos extracampo e procurando explorar e divulgar os aspectos positivos, ajudando a criar um clima de otimismo, pois o embalo no futebol é muito importante. Devem deixar de esconder os nomes dos patrocinadores nas reportagens televisivas, mas, ao contrário, procurar divulgá-los ao máximo. Só assim o clube terá argumentos para trazer outros patrocinadores e a imprensa automaticamente estará sendo beneficiada com uma boa campanha do time.
O comércio e a indústria já estão exauridos com a alta tributação, encargos trabalhistas, ajudas a entidades beneficentes, entretanto, sempre é possível fazer alguma coisa, quer adquirindo ingressos para seus funcionários, expondo o nome de sua empresa em um painel publicitário no estádio, etc. Os conselheiros e ex-presidentes - membros vitalícios do conselho - devem procurar participar das reuniões e ajudar os diretores atuais nas campanhas promocionais.
Os políticos devem procurar os dirigentes do clube com o intuito de oferecer-lhes apoio no que for possível, e não apenas aparecer nas fotos e entrevistas quando o time está bem ou por ocasião da conquista de algum título, ou mesmo nas campanhas políticas prometer que irá ajudar o time da cidade. Os esportistas e lideranças de nossa cidade já tiveram outras oportunidades de ajudar a fortalecer o LEC e não o fizeram. Portanto, a hora é agora. Vamos nos unir e apoiar o Tubarão. Quem ganhará é a cidade.
JURANDIR BARROZO é ex-vice-presidente do Londrina Esporte Clube e empresário em Londrina
O nefasto modelo do pedágio
Fábio Chagas Theohilo
O pedágio é taxa, espécie tributária. E enquanto taxa não pode ser cobrado pelo particular, leia-se concessionárias, nos exatos termos do artigo 7º do Código Tributário Nacional, que diz que a competência tributária é indelegável. Assim acaba de decidir o próprio Superior Tribunal de Justiça (STJ) no Recurso Especial 617.002 que entendeu que o pedágio tem natureza de taxa, sendo, portanto, espécie tributária, tese também de muitos juristas brasileiros como Kiyoshi Harada.
O inciso V do artigo 150 da Constituição traz que (...) é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios (...) estabelecer limitações ao tráfego de pessoas ou bens (...) ressalvada a cobrança de pedágio pela utilização de vias conservadas pelo Poder Público.
Veja que a Constituição ratifica esse posicionamento dizendo que pedágio somente poderia ser cobrado pelo Estado quando fala em vias conservadas pelo, repito, Poder Público. Outras questões poderiam ser levantadas como o direito de ir e vir. Ainda o fato das estradas pertencerem ao povo pois são de uso comum do povo (artigo 99, I do Código Civil). O Estado não pode dar, conceder, o que não tem.
Esse expediente de atacar o Estado e de taxar-lhe de incompetente já é muito antigo e já não é de hoje que os empreiteiros adotam o sofisma de que ou tem pedágio ou não tem estrada pensando que são o último biscoito do pacote quando não são, definitivamente. Mesmo sofisma publicado neste jornal na entrevista Quem usa deve pagar - Pedágio é inevitável (Opinião, pág. 3, 06/09), tese que já não cola mais.
Sem pedágio o Brasil é o que é e assim foi por mais de 500 anos. Não só construiu estradas, mas cidades inteiras como Brasília, usinas hidrelétricas (Itaipu e outras), usinas atômicas (Angra 1 e 2), refinarias, ginásios, estádios (quase todas as grandes praças esportivas do país) e tudo o que mais existe, tudo através de vontade política e sem a quantidade absurda de tributos que temos hoje.
Com as estradas acontece o mesmo. Basta que tenhamos governos com vontade política de resolver, de construir e reformar estradas e o direcionamento adequado dos mais de 40 bilhões de reais arrecadados por ano em tributos pelo setor rodoviário. Essa é a fórmula e assim acontece em países de primeiro mundo.
O Estado, bom ou ruim, é insubstituível. O pedágio privado divide o país em capitanias hereditárias criando monopólios rodoviários, é desvirtuado, injusto, nefasto, concentra renda na mão de poucos, atrasa a economia, a agricultura e o país, modelo que não serve e não interessa ao Brasil. Defensores do pedágio são justamente aqueles que dele se beneficiam e aqueles que se locupletam em detrimento de uma grande maioria desamparada nesse país de miseráveis.
FÁBIO CHAGAS THEOHILO é advogado em Londrina
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