ESPAÇO ABERTO
Diabetes, passado e presente
Evander Botura
Conhecer a história de uma doença é importante em vários aspectos, inclusive para entender o seu presente e tentar vislumbrar o seu futuro. Atribui-se ao médico grego Areteu, no século II a.C., a origem do termo diabetes, que significa passar através, sifão, uma vez que Areteu imaginava que o diabetes resultava de um transtorno renal.
Thomas Willis, inglês que viveu entre 1621 e 1675, reconheceu o diabetes como doença do sangue, e não dos rins. No entanto, foi William Cullen, escocês que viveu entre 1709 e 1790, que cunhou o sobrenome de diabetes, tornando-o um hibridismo lingüístico - diabetes e mellitus do latim que significa de mel, doce.
Em 1889, os alemães Von Mering e Minkowski, retirando o pâncreas de cães sadios, perceberam que a urina dos mesmos atraía moscas, por ser adocicada. Com mais testes, concluíram que um pâncreas sadio deve secretar alguma substância capaz de controlar o metabolismo de açúcar no organismo.
Três décadas depois, em 1921, o médico canadense Frederick Banting e seu professor, John Macleod, estabeleceram que a misteriosa substância era, de fato, a insulina. Tal descoberta lhes valeu o prêmio Nobel de Medicina.
Atualmente, os conhecimentos sobre diabetes experimentaram uma grande evolução, não apenas quanto aos mecanismos de origem da doença, como também em relação às novas opções de tratamento. A notícia ruim é que, embora de caráter controlável, o diabetes vem despontando como uma pandemia de graves proporções, muito relacionada ao estilo de vida atual. Além disso, a doença está se manifestando em idades cada vez mais precoces, inclusive em crianças. Ademais, a doença não se deve a um único gene na grande maioria dos casos, frustrando o trabalho de muitos pesquisadores.
E as boas notícias? Hoje compreendemos melhor o motivo das glicemias elevadas e dispomos de aparelhos portáteis para aferição em qualquer momento, além dos mais recentes sistemas de monitorização da glicose ao longo do dia. Compreendemos também as causas da resistência à insulina, a qual precede o surgimento do diabetes por anos ou até décadas. Temos conhecimentos profundos do papel do pâncreas endócrino no diabetes e também do seu papel na perda progressiva da função das células responsáveis pela secreção de insulina, chamadas de beta.
Reconhecemos os efeitos de hormônios intestinais no controle do açúcar no sangue e conhecemos melhor os mecanismos do controle neurológico da fome e da saciedade e como aplicá-los na terapia do diabetes. Também contamos com novas drogas para o tratamento do diabetes e dispomos de novas vias para administração da insulina, como a forma inalada e a bomba subcutânea de infusão contínua. Se lembrarmos que foi somente em janeiro de 1922 que um menino canadense de 14 anos, chamado Leonard Thompson, recebeu insulina pela primeira vez para tratamento do diabetes e que o mesmo pesava apenas 29 kg e estavas prestes a morrer antes de ser tratado, podemos dizer que nestes 85 anos a qualidade de vida dos pacientes com diabetes melhorou sobremaneira. Certamente, o diligente trabalho de Von Mering, Minkowski, Banting e tantos outros foi altamente recompensador.
EVANDER BOTURA é cardiologista do Hospital do Coração de Londrina
Vender para viver
Abraham Shapiro
É preciso encarar a verdade: nada acontece até que alguém venda alguma coisa. Vender é a base da vida. Tudo o que fazemos todo o tempo é vender.
Há muita gente que não gosta da idéia de vender. Arquitetos, contadores, engenheiros, advogados, professores e muitos outros estão neste barco. No entanto, a cada dia mais, só sobrevive quem vende e tem consciência disso. Pessoas podem odiar vender, mas têm de vender.
Analisando de perto, vê-se que geralmente o problema não está na ação de vender em si, mas na percepção que estas pessoas têm do que significa vender.
Vender não é apenas necessário. É condição vital nos dias de hoje.
O mundo dos negócios está mudando muito. A velha competição nos negócios está sendo questionada e substituída por uma abordagem mais cooperativa. Todos estamos incluídos nisso para ganhar, e para eu ganhar é necessário que eu o ajude a ganhar.
Estas idéias estão refletidas na situação de mudança do mundo comercial.
Veja, por exemplo, o que está acontecendo com os Estados Unidos. Outras nações estão aumentando a sua produtividade a uma taxa mais rápida do que eles próprios. Hoje já existe um mercado mundial de verdade. E a nova ordem mundial requer cooperação entre as nações.
Kahlil Gibran, em seu livro O Profeta, disse algo de grande valor a respeito de vender: E um mercador disse: Fale-nos de vender e comprar. E ele respondeu: (...) É na troca das dádivas da terra que você achará abundância e será satisfeito. Entretanto, a não ser que a troca seja com amor e justiça bondosa, ela somente levará alguns para a ganância e outros para a fome.
Este conceito, seja novo ou não, é também parte do cambiante papel que as mulheres estão representando no mundo dos negócios.
O mundo está reconhecendo a valiosa contribuição que as mulheres podem trazer para os negócios. Embora seja verdade que provavelmente a vasta maioria dos proprietários de empresas e executivos seja composta de homens, isto está mudando. Já mudou muito até agora. Afinal, venda é algo que está ocorrendo desde que Eva persuadiu Adão a comer o fruto proibido. Desde aquele episódio, venda, em resumo, nada mais é do que a sabedoria de se demonstrar ao cliente os benefícios de uma mercadoria, idéia ou serviço.
ABRAHAM SHAPIRO é consultor e palestrante em Londrina
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