Rio Tibagi: desafio e promessa

Paulo Henrique Martinez
  O conflito aberto entre Estado e sociedade civil reapareceu no noticiário sobre a construção da usina hidrelétrica de Mauá, no rio Tibagi. A ditadura militar foi pródiga em agredir a sociedade e os cidadãos brasileiros. É surpreendente a ressurreição dessa conduta política no século XXI. O passado assombra o presente e o futuro das gerações nascidas na era do aquecimento global. Uma triste realidade. E um desafio: exorcizar esse passado.
  A necessidade futura de energia é um fato que deve ser encarado pelos governantes e os cidadãos. Obras faraônicas, caras, com baixo retorno econômico e custo social e ambiental elevado distinguiram a política energética da ditadura militar na década de 1970. Hoje, governantes civis críticos dos militares recriam os seus projetos e argumentos. Pena.
  O Ministério Público tem cobrado o atendimento dos requisitos legais burlados e ignorados, até o presente, pelas empresas e pelos gestores de órgãos públicos interessados naquele empreendimento. O desperdício e os lucros elevados na produção e no fornecimento de energia alimentam a escassez e a degradação social e ambiental que os adeptos da nova usina alegam poder solucionar com a repetição de erros do passado.
  O uso e a apropriação dos recursos naturais do Tibagi não podem resultar no sacrifício da existência e de outras necessidades da nossa sociedade. Há várias opções para o abastecimento energético, mais baratas e eficientes do que a construção de barragens em grandes rios. Não há opções aos danos na singular diversidade social e ambiental do médio Tibagi. Um patrimônio único no Paraná. Seriedade e visão de futuro devem fazer desse patrimônio uma referência estratégica em gestão ambiental e justiça social no Brasil.
  As cidades e a população da região de Londrina também serão muito prejudicadas. O preço pela perda da qualidade de vida, da degradação ambiental, da falta de água, do uso inadequado de dinheiro público, vai ser pago pelas atuais e as futuras gerações. A sociedade deve propor alternativas consistentes a esse projeto de ganância empresarial e de irresponsabilidade social e ambiental de governantes e de gestores públicos.
  O desafio está em promover a geração de emprego e renda, assegurando qualidade de vida e cidadania, sem destruir o Rio Tibagi. A promessa está no desejo e na aptidão da sociedade em legar aos seus filhos e netos um desenvolvimento qualitativamente novo. A combinação da preservação e do adequado aproveitamento do capital natural e social que essa bacia comporta e proporciona aos homens de boa vontade. Então, haverá paz na terra.
PAULO HENRIQUE MARTINEZ é professor e coordenador do Laboratório de História e Meio Ambiente do Departamento de História da Unesp/Assis


Dia do Avicultor

Valter Bampi
  Desde o início da produção de frangos de corte no Brasil, a cadeia de produção e o produto final - alimento - modernizaram-se em razão da necessidade de redução de custos e ganho de produtividade. Tudo isso para atender os exigentes consumidores nacionais e internacionais preocupados com sua segurança alimentar.
  Para garantir esta competitividade, a avicultura brasileira é uma das mais organizadas do mundo. Ela destaca-se das demais pelos resultados alcançados não somente em produtividade e volume de abate, como no desempenho econômico. Ela também contribui com a agricultura, fomentando a produção do milho, do sorgo e da soja, dentre outros, que são os principais insumos vegetais na alimentação e/ou arraçoamento das aves.
  No Brasil a avicultura destaca-se no complexo carne por ser considerada a mais dinâmica e tecnificada. O desenvolvimento dessa atividade se deu no final da década de 50 nos estados da região Sudeste, principalmente em São Paulo. Na década de 70, período em que houve profunda transformação no complexo carne no território nacional, a atividade se deslocou para a região Sul.
  A produção nacional em 2007 deverá atingir 10 milhões de toneladas de carne. Deste montante, aproximadamente 30% serão exportados para mais de 150 países. O mercado consumidor interno - maior demanda da nossa produção - tem mudado o hábito de consumo de carnes, passando de um país preponderantemente consumidor de carne bovina para consumidor de frango, chegando ao consumo de quase 40 quilos de carne de frango por habitante/ano.
  A pesquisa, a qualidade, a técnica e a competência de gestão de nossas organizações fazem o diferencial do Brasil. A Embrapa e instituições de ensino têm contribuído em pesquisas e as empresas fazem a sua parte na instrução dos produtores e parceiros na cadeia produtiva.
  O mundo aprecia nosso frango e temos ainda muitas áreas para serem exploradas no território nacional para criação e industrialização avícola, fato que não ocorre em outros países e continentes por falta de espaço, mão-de-obra, insumos e condições climáticas favoráveis.
  Somos o maior exportador mundial de carne de frango e um dos maiores produtores, contando com grandes marcas para sustentar essas posições. Por tudo isso, é importante lembrarmos que hoje, 28 de agosto, é o Dia do Avicultor.
VALTER BAMPI é médico veterinário em Rolândia

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