ESPAÇO ABERTO
Repensar Londrina
André Eduardo Pullin Lazzarini
Mais uma eleição à vista, dentro de pouco mais de doze meses, e os cidadãos se perguntam na rua, ironicamente: quem será o próximo prefeito? Ouvem-se nas esquinas comentários sobre a completa ausência de lideranças sólidas comprometidas com a cidade e isenta de interesses ocultos e particulares. A olhos vistos, a cidade carece de um projeto de longo prazo, para um futuro próspero e seguro.
Há anos a cidade vem sendo administrada sem qualquer plano de longo prazo por administradores que não arriscam se debruçar sobre um projeto de prazo maior do que seu mandato. Tomam decisões imediatas para problemas complexos, com soluções de curto prazo que atendem situações emergenciais e, conseqüentemente, agradam de imediato seu eleitorado visando às próximas eleições. E assim a cidade padece. Doenças alastram-se e tumores vão crescendo até tornarem-se impossíveis de serem extirpados.
É preciso parar com esse ciclo, em que a cada eleição a cidade vive um leilão, e os vencedores são sempre aqueles sem comprometimento real com o futuro da cidade. Que cidade construiremos para nossos filhos? Que futuro queremos para nossa cidade?
É preciso repensar Londrina. É preciso um planejamento suprapartidário, com objetivos acima dos anseios político-partidários. É preciso um projeto de futuro, pensado para os próximos dez ou vinte anos, feito por londrinenses que tenham o pé-vermelho e o coração manchado com o barro roxo. Um projeto técnico, feito por pessoas com gabarito técnico. Quem é capaz de lançar-se num projeto tão simples, mas tão importante e comprometedor como esse?
Acredito que a responsabilidade de um projeto como esse passe pelas entidades classistas. Um projeto desse cacife precisa aglutinar formadores de opiniões, comprometidas com a cidade, influentes na sociedade, mas puros de coração, isentos de comprometimento político-partidário.
E os eleitores deverão escolher o candidato que siga esta cartilha que promoverá o futuro da cidade. Aquele que for mais fiel a esse planejamento, certamente será o escolhido. Nas eleições seguintes, os londrinenses deverão manter a mesma linha, exigindo que os candidatos sigam a cartilha à risca, demonstrem um comprometimento fiel ao projeto, elegendo aquele que for mais capaz, honesto e comprometido com o projeto.
Só então poderemos ver a cidade crescer e florescer. Sentiremos orgulho do nosso chão e da nossa comunidade. No futuro, quando olharmos para trás, nos orgulharemos dos sacrifícios e esforços feitos para construir uma Londrina forte e comprometida com seus cidadãos.
ANDRÉ EDUARDO PULLIN LAZZARINI é médico veterinário em Londrina
Minha insegurança e nosso atraso
Carlos Eduardo Bobroff da Rocha
O brasileiro é insegura. Antigamente não era assim, ele era mais conhecido pela cordialidade, alegria, irreverência e pelo espírito pacifista. O que o fez se tornar assim? Possivelmente, ele próprio. O Brasil é um país dotado de inúmeras riquezas minerais e vegetais. Além disso, a cultura nacional é variada entre suas regiões. Algumas empresas verde-amarelas exportam produtos e tecnologia, e isso gera divisas para o PIB. O país procura estar em sintonia com os avanços das tecnologias de informática e de telecomunicações. A nação brasileira tem capacidade para ser, algum dia, uma potência.
No entanto, um discurso ufanista como este é uma mentira, pois os fatos recentes (mensalão, Renan Calheiros, golpistas que se passam como membros de órgãos públicos, juízes que vêem julgamentos importantes como meras negociatas para seus prestígios) fazem o país, na essência, permanecer pobre. Não são somente os cidadãos que a cada dia mergulham no abismo da pobreza devido aos incansáveis desvios financeiros que são cometidos, mas acaba prevalecendo uma pobreza de caráter em nível nacional. Sem perspectivas de mudança, o brasileiro fica inseguro e acredita menos no potencial do país. Quanto aos criminosos, poucas vezes punidos, o estímulo para novos atos ilícitos é garantido. E, mais uma vez, o Brasil perde em investimentos em áreas básicas (educação, saúde, transportes, moradia) e, com o tempo, a riqueza insistentemente anunciada pelo patriotismo idealista pode deixar de existir.
Os criminosos de hoje foram, na verdade, cidadãos comuns que conseguiram ascender ao poder e à esfera da influência nacional. Então o cidadão de agora, que sofre com toda a tormenta da crise moral, pode ser um criminoso futuramente? Há boas chances, visto que a falta de perspectivas aliada à ausência de ética por parte daqueles ligados aos órgãos governamentais contribuíram para que, ao longo da história, se formasse um código de regras na sociedade baseado na sobrevivência a todo custo.
O brasileiro é inseguro pois não sabe como pode mudar o que está ocorrendo ao seu redor, e acaba inerte sendo facilmente influenciado pelo código da sobrevivência. Quem está em algum cargo de poder e de destaque, também está inseguro, visto que seus companheiros podem, repentinamente, levá-lo à decadência. Mas para evitar isso e sobreviver, precisa realizar alianças, pagar propinas, beneficiar alguém, sempre correndo o risco de se expor. É o preço que ele teve que assumir. E quando é flagrado, não sabe mentir. Apenas nega ou evita dar entrevistas.
O ciclo da insegurança, aparentemente, é algo abstrato. No entanto, quando se fala que a crença em um país é o que o move, isso mostra o impacto da forma como todos os brasileiros vêem sua nação. Dessa forma, percebe-se que o caos atual pode ser, em parte, explicado pelo ponto de vista que prevalece na sociedade. Ponto de vista que poucas vezes é contestado, o que contribui para que seja adotado indiretamente, no caso brasileiro.
CARLOS EDUARDO BOBROFF DA ROCHA é estudante de Medicina na Universidade Estadual de Londrina
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