Carta aos catequistas

Dom Orlando Brandes
  O quarto domingo do mês de agosto é o Dia dos Catequistas. Elas e eles merecem esta comemoração e reconhecimento da Igreja. A vocês, catequistas, as felicitações e a gratidão. Sem a catequese, Jesus seria esquecido, a Igreja passaria a ser uma instituição em decadência, a humanidade decairia a níveis infra-humanos. A catequese é o sangue do corpo de Cristo que é a Igreja. É o sucesso de Jesus e de seu reino, é um bem para a família e a humanidade, é como o ar que faz a Igreja viver e sobreviver.
  Graças à catequese, adultos, jovens e crianças conhecem, amam e seguem a Jesus e seu Evangelho. Catequizar é humanizar, libertar, evangelizar, salvar, santificar. É fazer ressoar a mensagem do Evangelho. Você, catequista, é pai e mãe espiritual de seus catequizandos. A sala de catequese é um novo útero que gera os cristãos de hoje, graças à ação do Espírito Santo. Seus catequizandos são seus filhos, sua nova família.
  Os pais, os párocos, as lideranças da Igreja têm a obrigação de apoiar, incentivar e zelar pela catequese porque está em jogo a glória de Deus, a salvação das pessoas, o futuro da Igreja, o crescimento da humanidade.
  Para a catequista dar conta da missão que lhe foi confiada, deve rezar pessoalmente meia hora por dia, fazer a leitura orante da Bíblia, preparar bem os temas dos encontros, participar da vida da comunidade. Assim fará uma experiência religiosa fascinante e transmitirá este fascínio por Jesus e pela Igreja na catequese. Jesus deve ser a fascinação dos catequizandos. Deste modo eles não abandonarão a Igreja, nem Jesus e o mundo será melhor.
  Catequizar é um ato de fé, de amor, de humanismo. Há artistas que fazem as pessoas chorarem, porque dizem mentiras como se fossem verdades. Você, catequista, não pode falar verdades como se fossem mentiras. Quem ouve o catequista, escuta o próprio Jesus e sua mensagem. Esta missão é tão alta que Jesus garante aos catequistas: ‘‘Vosso nome está escrito no céu’’. Quem ensina a fé, brilhará no céu como uma estrela.
  No Dia do Catequista é bom lembrar que os primeiros catequistas são os pais e isso desde o útero materno. Outra catequista famosa é a comunidade, com sua liturgia, suas pastorais, seu dinamismo apostólico. A responsabilidade da catequese é de todos. Adultos, jovens e crianças quando bem catequizados, transformam-se em cidadãos forjadores da nova sociedade, em discípulos de Jesus e em candidatos ao reino dos céus.
  Você, que está lendo estas linhas, não pode vir a ser catequista? Jesus merece ser conhecido, amado, seguido. O catequista gera personalidades humanas, discípulos de Jesus, cidadãos conscientes e, principalmente, santos e santas para a glória de Deus e a felicidade da humanidade.
DOM ORLANDO BRANDES é arcebispo de Londrina


O poder da linguagem

Rafael Thomazini
  Ouvi, recentemente, duas entrevistas que me chamaram bastante atenção. A primeira com o ex-prefeito de São Paulo Paulo Maluff e a segunda com o ex-prefeito de Londrina Antonio Casemiro Belinati. Tive a nítida impressão de que os dois haviam combinado o discurso, pois em essência foi o mesmo: aquela velha e vasta verborréia de sempre, desprovida de qualquer compromisso em responder às perguntas elaboradas pelos entrevistadores, sempre saindo pelas tangentes. O que já era esperado dessas duas personalidades. Porém, o mais impressionante é observar como a linguagem utilizada por ambos consegue manipular e atrair com tanta afinidade a ‘‘grande massa’’. Isso é de fato um fenômeno.
  Pierre Bourdieu nos ajuda entender esse fenômeno quando aponta uma característica funcional e sutil que a linguagem possui para marcar poder. Ela veicula conceitos, representações e identidades, ou seja, os detentores do discurso precisam identificar seu discurso com seu público-alvo, e isso os dois políticos supracitados fazem com maestria.
  Segundo Bourdieu, a linguagem possui o poder de significar, adiar a presença de um evento, recriá-lo ou mesmo de manipular situações e pessoas. Em se tratando de linguagem, no afã de manipulação o ponto fulcral do discurso é sempre marcado por eventos pretéritos que de alguma maneira enaltecem o condutor do discurso, conferindo-lhe apoio, confiabilidade e respeito.
  Destarte, é bem verdade que todo aquele que domina o poder simbólico da linguagem através do discurso é capaz de produzir sujeitos alienados, que aceitam passivamente a ideologia dominante. Esse fenômeno - alienação - tem como exercício anterior, a ação de generalização do particular, onde o agente da ação alienante, generaliza algo particular, que alimenta seus interesses, como sendo um benfazejo comunitário, criando no imaginário coletivo do povo, que ser governado/liderado por aquela pessoa é bom, uma vez que seus projetos visam um bem para toda a comunidade.
  O efeito dessa generalização é a criação de sujeitos incapazes de decidir seu destino, de refletir e formular questões sobre o mundo a sua volta. São aqueles sujeitos que se privam do direito e dever de pensar, que aceitam tudo embalado, pronto, sem nenhum tipo de refutação ou inquirição e são facilmente amoldados pela ideologia dominante e inteiramente dependente das ações dos dominadores. Por isso ainda hoje, ouvimos frases como: ‘‘Roubou, mas fez!’’.
RAFAEL THOMAZINI é estudante de Psicologia na Metropolitana/Iesb em Londrina

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