ESPAÇO ABERTO
Como seria o mundo sem a religião?
Marcos José dos Santos
A pergunta acima toca profundamente o ser e o existir do ser humano no mundo, pois a dimensão religiosa é intrínseca nele e orienta todo o seu agir. O ser humano, aberto à transcendência, tem sede do sagrado e só se realiza plenamente voltando-se para ele. Hoje, mais do que nunca, a religião ocupa um lugar primordial na nossa vida e orienta nossas opções e ações. Assim, não podemos pensar um ser humano sem religião, pois ela o torna mais humano, aberto aos valores morais e espirituais que o faz experimentar o Divino e viver em sintonia com Ele.
Vivemos hoje uma inflação religiosa que requer critérios e orientações para se fazer uma verdadeira experiência religiosa, mas em vista disso, não podemos negar a função primordial da religião para o homem e para o mundo.
A religião humaniza e dignifica o homem, tornando-o pacífico, solidário, acolhedor, sensível e aberto aos valores morais e espirituais que contribuem para uma sadia convivência humana e para a transformação do mundo. O que precisamos hoje é redescobrir a verdadeira função da religião que é de religar, unir, estabelecer pontes, onde o humano e o divino se encontram num projeto pleno realizador de vida.
Diante disso, torna-se insustentável conceber o mundo sem a religião. Este seria caótico, autodestrutivo, sem perspectivas de futuro e fadado ao fracasso e à morte e, com ele, também o ser humano. A religião possibilita a abertura ao transcendente, aos sonhos e projetos realizados no mundo e dá ao ser humano a capacidade de viver, de esperar, de lutar, de sonhar, com um desejo de infinitude e de realização plena.
A religião faz também o ser humano tomar consciência que o mundo, o habitat é a sua casa e ele é o responsável, o gerenciador deixado pelo Criador, tendo no mundo a sua garantia de subsistência e de sobrevivência.
O futuro do mundo e da humanidade, depende então, de uma verdadeira experiência religiosa capaz de contribuir para a edificação do mundo e para a plena realização do ser humano, aberto aos valores morais e transcendentes, que o possibilita fazer um profundo encontro com o Divino.
MARCOS JOSÉ DOS SANTOS é padre da Arquidiocese de Londrina
Cuidados com o assédio moral
Daniela Santino
Os pedidos de indenização por assédio moral viraram os novos fenômenos na Justiça do Trabalho. Os tribunais passaram a receber, nos últimos anos, uma enxurrada de processos sobre o tema. A reparação do dano neste caso é recente e está sendo cada vez mais estudada pelos profissionais do Direito. O assédio moral pode ser definido como todo comportamento negativo que contribua para a degradação do ambiente de trabalho, que fira a dignidade da vítima, seja vindo dos superiores hierárquicos ou colegas de empresa. O assédio é uma situação prolongada no tempo, repetitiva, com a finalidade de excluir a vítima do local de trabalho.
Normalmente incute na vítima sentimentos de constrangimento, humilhação, medo, desprezo, incapacidade, inferioridade, entre outros. Pode evoluir para doenças de fundo psico-emocionais. Geralmente, a vítima começa a se abster do local de trabalho. O assédio moral é difícil de ser identificado porque, na maioria das vezes, se mostra de forma sutil e dissimulada. Por se tratar de nova fonte de condenações, muitas decisões da Justiça trabalhista ainda conferem quantias elevadas para a indenização. Por isso, a empresa deve se resguardar o máximo possível, procurando documentar todas as situações que gerarem algum tipo de conflito e buscar com atitudes efetivas harmonizar o ambiente de trabalho.
Na prática, o empregador é responsável objetivamente ou pela culpa na escolha do empregado ou pela falta de fiscalização do ambiente e das relações de trabalho. Por esse motivo, cabe à empresa utilizar de todas as suas forças para coibir comportamentos que possam ter indícios de um assédio. O empregador pode e deve evitar qualquer comportamento que possa ser caracterizado como assédio moral, principalmente quando o fato lhe for comunicado.
Quando alertado, o empregador deve identificar, reconhecer o problema e, acima de tudo, saná-lo. As empresas devem manter abertos os canais de comunicação para que esse tipo de informação chegue aos administradores da empresa. Mais do que isso: esses canais devem funcionar de maneira que sejam tomadas todas as providências cabíveis. Para tanto, é necessário que o empregador tenha um contato muito mais direto com seus empregados, além de instruí-los a evitar qualquer comportamento que possa ferir a dignidade alheia. A principal atitude do empregador deve ser a orientação, por meio de informativos ou palestras a todos os funcionários, informando constantemente seus empregados a reconhecer e sanar o problema.
É recomendável tomar os seguintes cuidados no ambiente de trabalho: evitar críticas públicas ao trabalho alheio; evitar boatos e fofocas; evitar ampla divulgação de fatos vexatórios; orientar e instruir os funcionários com clareza e precisão acerca de suas funções e hierarquia dentro da empresa; organizar e estruturar a empresa; definir responsabilidades; elaborar e adotar um código de ética; evitar situações discriminatórias ou de exclusão; evitar humilhações ou brincadeiras que possam ter duplo sentido ou ser mal entendidas; abrir espaço para que os funcionários relatem suas queixas com sigilo e tomar providências para verificação da procedência ou não da queixa, adotando as medidas cabíveis.
DANIELA SANTINO é advogada de Direito do Trabalho em São Paulo
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