Poluição visual

Gabriel Bertin de Almeida
  A paisagem urbana da cidade de São Paulo sofreu profunda mudança em setembro de 2006. Até então, sem legislação adequada, a quantidade de anúncios, placas, outdoors, cartazes e equivalentes nas ruas, praças e prédios (públicos ou privados) era enorme. Naquela época, a poluição visual surtia dois efeitos evidentes: o péssimo aspecto da cidade e o conseqüente desconforto de quem vivia aquele excesso de comunicação visual.
  É claro que o problema não é a propaganda, instrumento indispensável para a maioria das atividades, mas sim seu excesso e falta de regulamentação, sobretudo quando o cidadão não pode evitá-la. Quem transita pelas ruas é simplesmente obrigado a ver aquilo tudo. Não há escolha. Por isso, é natural que haja limitação dessa atividade, mesmo em imóveis privados.
  Como ia dizendo, em São Paulo passou a viger a lei municipal 14.223/06, que ‘‘dispõe sobre a ordenação dos elementos que compõem a paisagem urbana do Município de São Paulo’’. Como houve proibição de boa parte da publicidade próxima das vias públicas, entre vários outros locais, a cidade sofreu uma limpeza. Resultado: está muito mais limpa e agradável. É verdade que a velhas fachadas estão à mostra. Casas e prédios antes cobertos por placas agora mostram a pintura castigada pelo tempo. Mas é só questão de tempo. Uma política de incentivo fiscal, com desconto no IPTU, e mesmo a necessidade, principalmente nos imóveis comerciais, farão com que as fachadas logo sejam reformadas.
  Aqui em Londrina, em alguns lugares, a situação já é preocupante. Somente para citar um exemplo, na Avenida Madre Leônia Milito, que liga a Avenida Higienópolis ao maior shopping center da cidade, a publicidade é excessiva, como acontecia em São Paulo. São outdoors sucessivos incomodando quem passa por lá. Nossa legislação municipal, salvo engano, é muito genérica, não permitindo a publicidade que ‘‘de alguma forma prejudique os aspectos paisagísticos da cidade, seus panoramas naturais, monumentos típicos, históricos e tradicionais e, ainda, em frente a praças, parques e jardins públicos’’. Mas o que prejudica de alguma forma aspectos paisagísticos da cidade? Difícil dizer.
  Já é necessário, portanto, que a Câmara Municipal preocupe-se, desde já, enquanto a situação ainda é fácil de ser contornada, com esse problema que a cada dia se agrava.
GABRIEL BERTIN DE ALMEIDA é advogado, mestre e doutorando pela USP e professor de Direito na PUC-PR, campus Londrina


Como é bom ter uma família

Osvaldo Cardoso Ribeiro
  Se a família vai bem a paz reinará. Só que a evolução trouxe problemas nos lares. As desarmonias são muitas e os relacionamentos familiares se fragilizaram. Há algumas décadas emergiram sinais desta mudança no núcleo familiar. Por isso, nos idos de 1922 surge a Semana Nacional da Família, evento anual que visa uma resposta à aflição, aos problemas, ao descontentamento e vontade de se fazer algo em auxílio e promoção da família, cujos valores morais vêm sendo agredidos sistematicamente.
  A espiritualidade familiar é de suma importância para que a harmonia volte aos lares. Todas as paróquias do Brasil estão unidas, dentre elas a comunidade da Paróquia Nossa Senhora Aparecida do Jardim Igapó que estará orando até o próximo domingo, apostando num mundo melhor. Devemos orar pelas famílias, esquecer as diferenças religiosas buscando as semelhanças. O objetivo é um só: orar ao Senhor todo-poderoso pedindo paz na família.
  De quem é a culpa de tantas coisas ruins nas famílias? De tantos roubos, lares destruídos pelo divórcio, jovens caídos pela desgraça das drogas? Quantos filhos colocados no mundo e vivendo sem pais em creches ou com pais adotivos? Será que o amor próprio do ser humano foi destruído? Parece que se vive o tempo de cada um por si. Estamos ligados eletronicamente ao globo inteiro e, infelizmente, nos sentimos sós. Somos bombardeados pela violência, pela divisão social e pela desintegração familiar.
  Como vai a harmonia familiar? Será que nos tempos de nossos avós havia menos violência? Se refletirmos bem veremos que os meios de comunicação de massa, principalmente a televisão, dominam e polarizam a atenção da família. É notório que a ideologia televisiva empobrece a inteligência da família que passa a maior parte do tempo hipnotizada diante do televisor, vendo filmes, programas e novelas que escancaram a imoralidade, o sexo, a droga, a violência, elementos com os fins claros de acabar com a família. É a permissividade explícita, parece que não há nada de errado num conformismo vergonhoso. Tudo isso provoca o afastamento da paz familiar e acaba com os princípios de moralidade advindo a violência. Temos na Constituição os três poderes Legislativo, Executivo e Judiciário. Firma-se o quarto poder: ‘‘a imprensa’’, comandada pela televisão, que faz e desfaz das religiões e dá as cartas em tudo. As imagens multicoloridas da telinha predominam ditando as regras sociais.
  É grande o fascínio que a televisão exerce: os pais chegam em casa ligam o aparelho e desligam-se dos seus familiares. Como ter paz, sem diálogo? Os pais já não conversam com os filhos, que não obedecem ninguém, mas obedientes à TV, como se fosse um altar onde se adora o deus da beleza física, do individualismo e do consumismo.
  A saída triunfal, porém difícil de ser seguida, é deixar o televisor desligado a maior parte do tempo e voltar ao passado em que não havia este instrumento escravizador. Lia-se mais, ouvia-se rádio, conversava-se e se entendia melhor. A família só encontrará a verdadeira paz através do diálogo. Afaste-se um pouco da TV e chegue mais perto dos seus entes queridos. Certamente, a paz reinará em sua família com a graça de Deus.
OSVALDO CARDOSO RIBEIRO é jornalista em Londrina

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