Lula: igual a Getúlio, sem Felinto Müller

Erasmo Garanhão
  Getúlio foi e Lula é o pai dos pobres. O governo Vargas durou 18,5 anos. Criou a Petrobras, a Siderúrgica Nacional, o Ministério do Trabalho, o salário mínimo e duplicou-o, caracterizando-se, com justiça, como o pai dos pobres. Porém, seus primeiros 15 anos foram conspurcados pelo miasma Felinto Müller, chefe da polícia política, que comandou, da forma mais suja e cruel, a tortura e o assassinato.
  Hoje, em plena liberdade, os pobres estão construindo e reformando suas casas, com juros subsidiados; seus filhos vão à escola com uniforme e livros novos: têm acesso à universidade pública ou privada, e o Fundef é uma realidade; quase todos os acordos salariais superam a inflação; é gigantesco o aumento do emprego e considerável a expansão da indústria nacional; dispõem de juros baixos para explorar suas propriedades agrícolas e o programa ‘‘luz para todos’’ está chegando em suas casas.
  A par disso, estão os avanços do Mercosul; a liderança na política internacional; o biodiesel, o etanol, etc. A transposição do São Francisco, o trem bala Rio-São Paulo e a preservação da Amazônia completarão este cenário desenvolvimentista. Ainda que nada disso estivesse sendo feito, um dado só é suficiente para sacramentar Lula, também, como o pai dos pobres: 20 milhões de irmãos nossos que não comiam, agora, conseguem se alimentar.
  Se o presidente Lula convencer a diretoria quinta coluna do Banco Central a reduzir a taxa de juros; se fiscalizar os bancos para evitar a exorbitante diferença entre as taxas pagas e cobradas; se acelerar a criação de cooperativas de crédito; se disseminar os assentamentos rurais, com conseqüentes cooperativas, não se descuidando do seguro agrícola e da irrigação; mais o PAC; o Brasil será uma das cinco ou seis maiores potências do mundo, dentro de uma década. Para isso, o Congresso precisa aprovar, pelo menos, as reformas política e tributária.
  Mas, a elite brasileira não suporta que um metalúrgico faça isso, quer cada vez mais para si, e se incomoda com o que o pobre tem. Não pode ver pobre comer. Estudar em boa escola, então, nem pensar. E a classe média faz de tudo para imitá-la. Não devemos avaliar o governo pelo que faz para nós, mas, para os pobres. É por isso que temos imenso orgulho de sermos governados pelo segundo pai dos pobres do Brasil.
ERASMO GARANHÃO é economista, ex-secretário da Fazenda do Paraná e auditor fiscal da Receita Federal aposentado em Balneário Camboriú (SC)


Sem medo de falar de Chico Xavier

Walmor Macarini
  A última revista ‘‘Istoɒ’ faz a sua chamada de capa para o 5º aniversário da morte de Francisco Cândido Xavier – o mundialmente conhecido Chico Xavier – e reporta-se a esse famoso médium em 6 páginas. O que ressalta do fato é que a imprensa brasileira, e destacadamente a TV Globo, em várias novelas, vieram focalizando temas místicos. Porque encontram receptividade no círculo de leitores e telespectadores, embora também os muitos contrários. Os veículos de comunicação estão abrindo espaços para os fenômenos transcendentes, e as livrarias lotam suas estantes de obras afins. Também supermercados estampam nas prateleiras livros do gênero.
  Isto acontece porque começa a haver uma maior abertura para o estudo dessas questões, pelo fato (inclusive) de que pessoas aflitas ou buscadoras não obtêm respostas satisfatórias em religiões onde se encontram. Este começo de milênio é a partida para revelações fantásticas, cujos acenos estão também na Bíblia e dependem de serem desvendados. Esse livro converteu-se em manual religioso de preces e de súplicas, quando deveria ser estudado à luz da mais vasta amplitude, sem a marca de ‘‘escritura sagrada’’ e nem, ipsis literis, de ‘‘palavra de Deus’’. É preciso atentar para o conteúdo e os significados mais profundos desse livro, sem convertê-lo em idolatria.
  Mas falemos de Chico Xavier, ele que desempenhou sua missão terrena como mensageiro de luz e que deixou como legado à humanidade 418 obras psicografadas. Um iluminado e humilde obreiro, que não guardou para si um tostão sequer, mas distribuiu inteiramente para obras assistenciais tudo o que rendeu e está rendendo a venda de seus livros. Naturalmente que também as livrarias ganham, mas isto é do livre comércio e não deixa de ser também um aspecto positivo, pela difusão que promovem. Da mesma forma que acontece com as publicações de qualquer doutrina.
  Hoje são 30 milhões de simpatizantes do espiritismo, no Brasil, e o número aumenta. Um fato curioso é que também segmentos do catolicismo promovem sessões de mediunidade, embora não o saibam e não o admitam, e ao menos uma igreja evangélica promove sessões idênticas na mata, à noite, embora dê a essa prática espírita o nome de ‘‘expulsão de demônios’’. Há casos de pessoas para ali levadas que padecem muito. (Participei de alguns desses trabalhos, como observador, e ouso afirmar que há um risco nessas práticas se falta conhecimento e domínio das forças que aí se manifestam).
  A comunicação com os vivos ‘‘do além’’ (porque mortos não existem) é uma ordem natural e remonta a milênios. No século 18, na França, Allan Kardec codificou essa doutrina, que a partir daí passou a ser mais conhecida e praticada. Quanto a Chico Xavier, ele não era apenas um médium (leia-se mediador) mas sempre moveu-se pelo coração em sua trajetória terrena. Sua obra espiritual e sua obra assistencial estão perpetuadas e têm continuidade.
WALMOR MACARINI é jornalista na FOLHA DE LONDRINA

- Os artigos devem ter, no máximo, 30 linhas. Os artigos publicados não refletem, necessariamente, a opinião do jornal. [email protected].

mockup