Recuperar o passado e construir o futuro

Francisco Eugênio Alves de Souza
  Trinta e seis anos. São quase quatro décadas de dedicação e trabalho na área da saúde, pesquisa e ensino que o Hospital Universitário vem desenvolvendo com muito carinho à cidade de Londrina e região. Respeito e dignidade chegam à população mais carente e que mais precisa de um bom atendimento de saúde. E é baseado nisso, que acreditamos que avanços tecnológicos de nada adiantariam se não nos aprimorássemos no que é o alicerce da medicina: a admiração pelo ser humano.
  Quando falamos em um passado com mais de 30 anos de história, não podemos deixar de visualizar um futuro promissor. Com a inauguração do Centro de Tratamento de Queimados, um dos melhores do país em estrutura física e equipamento, e a nova Unidade de Internação Feminina, o Hospital Universitário amplia a sua excelência de atendimento ao prover para a população, não só de Londrina, como de todos os outros estados, os melhores recursos da medicina aliados a uma condição diferenciada de trabalho. Muito mais que um centro de tratamento, não pouparemos esforços também para que a nova unidade de queimados do HU seja muito mais atuante na área preventiva, oferecendo informação à população que mais sofre com ocorrências resultantes de acidentes de trabalho e trânsito, manuseio de produtos químicos, violências e tantos outros infortúnios ameaçadores, especialmente, para as crianças.
  Investir em saúde, para o governo do Estado e para a diretoria do HU, é muito mais do que criar medidas simplesmente assistencialistas. Investir em saúde é acreditar na decência e respeito que cada cidadão merece, para que a saúde não seja um privilégio para poucos e, sim, uma condição básica que garanta uma melhor qualidade de vida. Como disse o Papa Paulo VI, ‘‘não podemos diminuir o número de convidados para o banquete da vida’’.
  Para construir o futuro, então, não podemos parar por aí. Já no próximo ano, nosso trabalho ainda trará muitos frutos para a comunidade, como a reforma e a ampliação do Pronto-Socorro, a implantação da Unidade de Transplante de Medula Óssea, a modernização de equipamentos de diversos serviços e a expansão dos leitos de Terapia Intensiva (Neonatal e Adulto), entre tantas outras melhorias que ainda estarão por vir. Apesar do clima de comemoração, temos ciência de que há ainda muito para se lutar. Nossa busca incansável por melhores condições de trabalho dos servidores, bem como a ampliação do quadro de funcionários, continuam entre nossas principais metas, pois são a garantia de que o HU, baseado em um passado de história, seja sempre uma referência em assistência à saúde, pesquisa e tecnologia em um futuro promissor.
FRANCISCO EUGÊNIO ALVES DE SOUZA é diretor-superintendente do Hospital Universitário em Londrina


A grande conspiração

Gaudêncio Torquato
  Só a cólera explica a tremenda injustiça que Lula comete contra empresários e banqueiros que estariam por trás das vaias que rondam seu palanque. Ao dizer que não conhece nenhum deles com ‘‘biografia que lhe permita sequer falar em democracia nesse país’’, atinge frontalmente figuras como Antônio Ermírio de Moraes, Jorge Gerdau e Lázaro Brandão, comandantes, respectivamente, dos impérios Votorantim (50 mil funcionários), Gerdau (32 mil) e Bradesco (80 mil). Tem razão quando diz que banqueiros e empresários ‘‘foram os que ganharam muito dinheiro’’ no ciclo que comanda. Ao insinuar, porém, que eles brincam com a democracia e tramam contra o êxito de seu governo, o orador beira à insensatez ou, para usar uma expressão de Elias Canetti, ‘‘sua verdade radicaliza no exagero’’. Se Deus fez o homem perfeito, com duas orelhas, uma para ouvir vaias e outra para ouvir aplausos, como lembrou no discurso de Mato Grosso, deu-lhe também uma boca para dizer coisas sensatas.
  As manifestações que se expandem, cujo foco clama por menos promessas e mais resultados, nascem no seio das classes médias, grupamento mais sensível aos impactos decorrentes do déficit de governança, dentro do qual se inserem a inação do Poder Executivo, o vazio do Poder Legislativo e a lerdeza do Poder Judiciário. É inegável que o ciclo Lula melhorou substancialmente o ganho de renda dos setores mais carentes - algo em torno de 32% em termos reais, mais que os 20,8% da era FHC. Pesquisa recente mostra ter havido redução de 21% no coeficiente de Gini brasileiro, que mede a desigualdade de distribuição de renda. É inquestionável o empobrecimento da classe média, cuja renda cresceu, nos últimos anos, entre 7,3% (para quem ganha mais de 20 salários mínimos) e 14,7% (para quem ganha entre um e dois salários mínimos). No cômputo geral, contabiliza-se uma média de 10% de perda no poder de compra desta classe. Ora, os mais sacrificados são os que mais vocalizam indignação. Manifestações e vaias estão entre armas escolhidas para a defesa.
  Aos incautos ou difusores da má-fé vai o alerta: não venham com a desculpa de que as elites tramam contra o governo Lula. Há, no País, 15 mil famílias que respondem por 80% dos títulos públicos federais. São elas que ganham com a política monetária, os juros altos, a especulação. É exagero dizer que freqüentam passeatas. Se há empresários identificados com movimentos que clamam por eficiência governamental, é bobagem imaginar que tenham força para mobilizar milhares de pessoas. Ninguém é dono da expressão das ruas. Por isso, o PT comete mais um grave erro de avaliação ao acusar a direita e a imprensa de fazerem ataques ao governo na tentativa de antecipar o debate eleitoral de 2008. Só mesmo ingênuos e tapados por viseira ideológica são capazes de dizer que a imprensa fez a ‘‘construção fantasmagórica’’ do mensalão, inventou o apagão aéreo e monta um cenário de ‘‘golpe de Estado’’.
GAUDÊNCIO TORQUATO é jornalista, professor da USP e consultor político em São Paulo


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