ESPAÇO ABERTO
Falhar em planejar é planejar em falhar
Lair Ribeiro
É sempre a mesma história. Mais ou menos no meio do mês de novembro, começa a correria. É preciso finalizar trabalhos pendentes, redobrar a atenção aos filhos, planejar as férias da família, fazer a revisão do carro, fazer as compras de Natal, cuidar dos preparativos para a ceia e planejar o próximo ano. Mas você não precisa passar por isso. Basta traçar um detalhado plano de ação e colocá-lo em prática. Se você realmente almeja concretizar suas aspirações, é preciso ir além da ''listinha'' de intenções. Lembre-se de viver o presente, o aqui e agora. Você sabe o que é preocupação? Preocupação é manter a mente ocupada antes da hora, ou seja, previamente (pré-ocupação).
Se você acha que pensando nos problemas conseguirá solucioná-los, engana-se. Isso apenas pré-ocupa a sua mente e o impede de buscar soluções. A maioria de nós, quando adulto, adquire o péssimo hábito de complicar a vida. Esforce-se para enxergar as coisas como elas realmente são e veja que, assim, é muito mais fácil lidar com elas. Para tornar seus sonhos realidade, é fundamental estipular quando e como eles irão se realizar. A vida só tem sentido quando definimos metas positivas, seja para o campo pessoal, profissional, financeiro ou familiar. Mas, para sair da inércia, é preciso ter consciência de onde você está, aonde quer chegar e qual caminho seguir.
Se você almeja ser uma pessoa bem-sucedida e próspera em tudo o que faz, precisa também desenvolver outras habilidades, como a persistência e a perseverança. Velhos hábitos e crenças não mudam de uma hora para outra. Mas, com disciplina e insistência, você pode transformar a sua vida e obter o sucesso em suas ações. Antes de mais nada, defina seus valores. Descubra o que o leva a buscar por seus objetivos. Seja verdadeiro com você mesmo. Refletir sobre suas finanças, por exemplo, é um exercício fundamental, que deve ser frequentemente revisado. Para conquistar a felicidade, todas as áreas da vida têm de estar equilibradas. É preciso identificar que áreas estão sendo mais ou menos trabalhadas e, se detectado algum desequilíbrio, agir para reverter o processo.
Saber identificar o que é prioridade, separando o que é urgente do que é importante, também ajuda a manter o foco afinado com seus objetivos, pois o que é urgente nem sempre é importante e vice-versa. Avaliando suas tarefas diárias, é possível reorganizar seu tempo em função de suas metas. Deter-se em tarefas que não são urgente nem importantes é perda de tempo. O ideal é utilizar a maior parte do tempo em ações produtivas, que sejam importantes, mas não necessariamente urgentes. Uma vez definidos seus valores e prioridades, desenhe uma estratégia simples, objetiva e realista. Dê um passo de cada vez e você será capaz de superar cada batalha, juntando energia para vencer a guerra.
Baseie sua ação em uma ''Pirâmide da Produtividade'': na base, seus valores dominantes; logo acima, as metas de médio e de longo prazos; e no topo, as tarefas diárias. Cada pequena ação pode ser revertida em algo muito maior. É essa a energia que irá movê-lo em direção a seus objetivos. Acumular várias pequenas vitórias ao longo de um processo fortalece o espírito e alimenta o sistema de motivação interior. E sentindo o sabor das pequenas vitórias você vai construindo um caminho de sucesso e de prosperidade, impedindo que o estresse e a ansiedade tomem conta de sua vida.
LAIR RIBEIRO é médico cardiologista, palestrante internacional e autor de vários livros que se tornaram best-sellers no Brasil e em países da América Latina e da Europa
Meninos de rua e a crise social
Rosemeire da Conceição Pedro
Os problemas sociais existentes no começo do Brasil Colônia perpetuam até os dias de hoje como uma doença social. Será que o Brasil está infectado e o menino de rua, um cidadão com direitos e garantias constitucionais, seria o termômetro desta febre? Pelo que se presencia o Brasil está tão doente que tem uma democracia de papel.
O problema da infância abandonada, que parece ser uma coisa da sociedade atual, já existia e aquilo que deveria ter sido feito foi relegado para depois. A cidadania inscrita nas constituições avançou somente no papel. Na prática, não há nada de novo. No Brasil, a regra geral é a exclusão social que, aliada à incapacidade de oferecer um mínimo de igualdade de oportunidades às pessoas, acaba sendo o pano de fundo para o problema da violência que acontece por todos os lados e que faz a todos de reféns.
Um menino de rua é mais do que um ser descalço, imundo e mal trajado. É a prova da falta de interesse por parte dos governantes que, na maioria das vezes, preocupam-se apenas com eles próprios e com seus familiares. Eles esquecem que o crime do colarinho branco produz a outra classe de criminosos, e isto é um espelho galopante da História do Brasil. Futuramente os meninos de rua serão vistos da mesma forma que foram vistos os escravos e os massacres indígenas: uma coisa do passado, uma vergonha esquecida.
Para entender a infância marginalizada é preciso entender o porquê que o menino vai para a rua e não para a escola? Para tentar entender qual a diferença entre o menino que está dentro do automóvel de luxo em relação àquele que vende balas no sinaleiro, é preciso considerar a diferença social que assola este país. Basta analisar a história do País, marcada pela indiferença das elites em relação aos menos favorecidos. Tal desinteresse foi muito bem representado por uma frase que fez muito sucesso na política: ''Caso social é caso de polícia''.
O mesmo pensam os cidadãos hoje em relação à infância carente e os meninos de rua. Deixar de assistir essas crianças e renegar o futuro é matar o sonho de um amanhã melhor. Como bem retratou Tancredo Neves em seu discurso: ''Enquanto houver uma só criança sem pão sem teto e sem letras todo o progresso desta nação terá sido em vão''. Não há como falar em desenvolvimento se não houver uma sociedade constituída de princípios de igualdade fraternidade e liberdade.
ROSEMEIRE DA CONCEIÇÃO PEDRO é bacharel em Direito em Londrina





