ESPAÇO ABERTO
Homem e a internet: amizade ou submissão?
Carlos Eduardo Bobroff da Rocha
A internet possibilitou um ambiente em que o próprio usuário pudesse ser livre. No entanto, se no mundo virtual o ser humano goza de liberdade, no mundo real se aplicaria o mesmo nível de liberdade? A rede virtual permite que as pessoas comprem os produtos que de fato almejam, diferente da ação maciça na televisão, nos cartazes de propaganda, no rádio. Os usuários da internet podem conferir o trabalho de artistas desconhecidos. Bem como podem ser eles próprios os artistas. Já é possível assistir aos programas que desejam, ouvir as músicas de que são fãs. E até conversar com amigos cuja afinidade por algum tema seja compartilhada pelos membros. Isso, de fato, é uma mudança para a vida do ser humano, mas dizer que trouxe uma revolução que alterasse seu estilo de vida é difícil de afirmar. Isso porque tal mudança deu-se fora do mundo real. Houve repercussões sim, mas basta ver que em nossa realidade ainda há o monopólio de alguns grupos que insistem no lema da indústria cultural ou da lavagem cerebral.
Monopólio este que começa também a atuar no mundo virtual. Tanto países que não respeitam as liberdades individuais, quanto empresas que se fortalecem no mundo virtual e passam a comprar outras empresas virtuais, são exemplos que mostram que a liberdade virtual não é plena. E isso reforça a afirmação de que não houve uma revolução, pois seria adequado que esta se desse a partir da mudança de comportamento do homem, a qual ainda é marcada pela conquista ideológica e comercial.
Apesar disso, ainda é possível realizar uma transformação na sociedade por meio do mundo virtual. A comunicação eficiente é um dos alicerces da internet. E também fundamental para se articular campanhas sociais pelo mundo, bem como discussões de temas globais, trocas de experiências com pessoas de outros países. Estamos mais próximos uns dos outros, o que falta é consolidar esta aproximação, a qual se dará no plano real. Basta que o usuário faça sua mudança pessoal: deixar de encarar a rede como desprovida da realidade, e ter uma atitude em que a criação é importante. Criar campanhas, escrever sobre algo, divulgar documentários em alguma página de vídeos. Enfim, a realidade virtual dá os instrumentos, basta mostrar algo novo que possa interessar à maioria dos usuários e, principalmente, possa incentivá-los a criar algo que possa ser benéfico para o mundo real.
Uma corrente de compromisso pode-se assim dizer. Como exemplo dessa corrente, poderia citar-se o lema da internet livre, a qual ainda gera polêmica (por defender a quebra do monopólio virtual das empresas, bem como o uso de programas de computador disponíveis gratuitamente e que podem ser modificados pelos usuários), mas é atualmente uma forma de protesto contra a transfiguração da rede por parte de alguns grupos. E esse fato já é responsável por ações que defendem o acesso das comunidades carentes à informática. Como se vê, não basta ser livre virtualmente, mas também que a liberdade esteja, de fato, presente entre os usuários. Explorar o mundo virtual é o objetivo da internet. No entanto, ela ajudou o homem, de certa forma, a se conhecer. Basta agora cada um determinar seu papel: protagonista real ou um mero figurante de um mundo irreal.
CARLOS EDUARDO BOBROFF DA ROCHA é estudante de Medicina da Universidade Estadual de Londrina
A independência e a força do empresariado
Rodrigo Rocha Loures
Nós empresários temos pela frente um grande desafio: conquistar a sustentabilidade de nossas indústrias e, ao mesmo tempo, ajudar o país a romper com as amarras do subdesenvolvimento.
Empresa sustentável é aquela que dá lucro. No entanto, não adianta a indústria apenas exercer a sua responsabilidade econômica (pagando impostos, criando empregos, produzindo bens e serviços e dinamizando a economia), a sua responsabilidade ambiental (respeitando os recursos naturais) e a sua responsabilidade social (melhorando a vida das pessoas e criando ambientes favoráveis ao seu desenvolvimento). Isso tudo é necessário, mas insuficiente. Precisamos exercer também a nossa responsabilidade política.
Para assumir a sua responsabilidade política o setor empresarial não pode mais se limitar ao seu comportamento tradicional de: 1) financiar candidaturas; 2) articular bancadas parlamentares para defender os interesses do seu setor; e 3) encomendar estudos para encaminhar às autoridades. Sabidamente, estas medidas não são suficientes.
O empresariado tem toda a legitimidade para influir na pauta política nacional, regional e local. Partindo sempre do fortalecimento de seus sindicatos e associações, ele pode e deve dar a sua contribuição para que a sociedade brasileira se articule em torno de uma agenda de crescimento sustentável, defendendo propostas concretas para a reforma fiscal, trabalhista, segurança jurídica e pública, infra-estrutura, e especialmente mudanças substantivas na governança pública.
Esta ação só tem efetividade se exercida por meio de entidades que representem livremente os empresários e que atuem com independência da interferência estatal de qualquer nível. No caso dos sindicatos e federações empresariais esta responsabilidade se avulta, porque estes têm o monopólio constitucional do estabelecimento das relações entre o capital e o trabalho. As suas atividades também devem incluir a busca de influência junto às autoridades para defesa dos interesses de seus representados, de modo transparente, ético e responsável. Certamente, por uma questão de princípio democrático estes interesses devem se harmonizar com os interesses da sociedade em geral.
É com este espírito que a Federação das Indústrias do Estado do Paraná tem atuado, inclusive em sua vertente política, em prol do bem das indústrias e dos seus sindicatos. Assumindo a responsabilidade corporativa na sua totalidade, ou seja nos campos econômico, ambiental, social e político.
É preciso avançar e consolidar este processo. Transformar nossas entidades em organizações completas, preparadas e genuínas, para o exercício pleno da representação institucional. E preservá-las da ação de oportunistas, arrivistas e aproveitadores que procuram utilizá-las para satisfação de suas ambições pessoais ou como serviçais de interesses político-partidários. Por estas razões, estou convicto de que só através da união e de uma postura autêntica e independente podemos reafirmar a força do empresariado.
RODRIGO ROCHA LOURES é presidente da Chapa Afirmação Empresarial, candidata à Federação das Indústrias do Estado do Paraná
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