ESPAÇO ABERTO
Quer ser padre?
Marcio Fernando França
O último dia 4 foi consagrado à memória de São João Maria Vianney, patrono dos padres diocesanos. Para a Igreja Católica, agosto é o mês dedicado às vocações. Em agosto de 2005, um padre e um grupo de seminaristas tiveram a idéia de espalhar por Londrina vários outdoors com a seguinte frase: quer ser padre?
Diante da pergunta, percebe-se que os jovens colocam muitas dificuldades à questão vocacional, a ponto de torná-la um bicho-de-sete-cabeças. O que não é verdade. Percebo na juventude uma grande vontade de viver, uma capacidade de sonhar com um mundo melhor e um desejo de viver com autenticidade a sua fé.
Muitos caminham sem rumo, sem objetivo, mas a proposta evangélica possui garra suficiente para encher de ânimo, esperança e alegria o coração humano. O sentido mais profundo da vida consiste em dar sentido à vida dos outros.
Você não gostaria de se juntar aos que assumiram radicalmente esse compromisso? Quem vive a aventura do Evangelho contribui decisivamente para a plena libertação dos homens. Você não se anima a ser um desses?
É claro que não é fácil decidir-se pela vida consagrada. Deve-se primeiramente discernir os atrativos e os medos inerentes a toda tomada de posição séria. Pode estar certo de que ninguém é chamado a determinada vocação se não sentir uma certa atração por ela. Jesus não obriga ninguém. Somente quem experimentou dentro de si o forte gosto do chamado poderá e será capaz de trilhar com alegria esse caminho.
Hoje, vejo centenas de jovens por toda Londrina: no Calçadão, nos terminais, nas praças, nos shoppings, nas universidades, esperando que alguém os chamem e enviem: Ide também vós para a minha vinha (Mt 20, 4). A resposta generosa ao chamado de Deus não tira ninguém do mundo, mas o coloca de uma nova maneira.
Uma forte vontade de viver é condição indispensável para que um jovem saia pelo mundo vestindo a camisa de Jesus e levando a sua bandeira. A vida sacerdotal é uma resposta importantíssima àquele belo convite que Jesus faz: Vem e segue-me.
Chegou a sua vez de pensar, questionar e decidir. O que fará você da sua vida? Que resposta dará aos anseios do seu coração? Eu já dei a minha resposta. E você, o que está esperando? Quer ser padre?
MARCIO FERNANDO FRANÇA é seminarista da Arquidiocese de Londrina e estudante do curso de bacharelado em Teologia da Pontifícia Universidade Católica do Paraná - campus Londrina
Bons sentimentos e boas palavras
Walmor Macarini
Desde menino ouço esta prece: Senhor, não sou digno de que entreis em minha casa... (agora diz-se morada). Se o suplicante afirma que não é digno, está fazendo um decreto, pela força da palavra, e assim afasta essa graça. Por outro lado, a mesma doutrina diz que é preciso ter Deus no coração. Uma contradição à prece anterior. Tudo o que se pensa, sente e profere, tende a se tornar realidade. Por isso, no caso citado, será preciso reforçar o segundo apelo, para vencer o outro. Não pensem os que proclamam que não são dignos, que isto seja um gesto de humildade e que comoverá os céus.
Se a pessoa se declara pecadora, o poder da manifestação verbal seguida do sentimento correspondente atrairá as coisas que ela qualifica de pecado. Se fala muito de doença, atrai doença; se a menciona no outro (Fulano é muito doente) mais consolidará a doença nele, pela impulsão do verbo. Quando os pais apontam falhas e algumas formas de fraqueza nos filhos, mais robustecem essas deficiências neles. A pessoa cresce pela exaltação de suas virtudes e se atrofia pela citação de seus pontos frágeis e mesmo que não se diga mas apenas se pense.
No mais das vezes as coisas são ditas sem maldade, mas os pensamentos, sentimentos e palavras voam e atingem o alvo para o qual são dirigidos. Viver afirmando que a vida é dura, é fazer a vida dura. Pronunciar que o dinheiro é difícil de ganhar e fácil de gastar, cristaliza essa afirmação e a torna realidade. É preciso achar-se bom, útil, eficiente. Se uma mulher recebe o elogio de que é bonita, não deve retrucar com frases como são seus olhos, mas admitir que é. Isto não é vaidade mas auto-estima e positivismo. E o mundo maravilhoso se nutre do positivismo. A vida nos dá o que esperamos dela e o Universo faz a exata leitura dos pensamentos individuais (ou coletivos) e do que é sentido e é falado, e devolve acontecimentos conforme os decretos que fazemos.
Esses ensinamentos são milenares e agora ganham mais força, por mérito da intensa difusão atual das informações, que vão tirando as pessoas do obscurantismo e libertando-as. O que eu penso e digo, isto me acontece. Se os seguidores da Bíblia procuram isto lá, encontrarão. As coisas boas não são dadas por um suposto Deus anotador de pedidos, mas cada um é que as concede a si próprio. É preciso saber-se merecedor de todas as boas coisas (e todos os são, mas a maioria o nega), e buscá-las, com a mente positiva e indo ao encontro delas. Todas as coisas estão dispostas. Basta pegá-las. Com a forte convicção de que isto é possível, sem um milionésimo de dúvida.
WALMOR MACARINI é jornalista na FOLHA DE LONDRINA
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