ESPAÇO ABERTO
O conceito de liderança
Cristina Bresser
Há pouco tempo li o livro Shacketon, Uma Lição de Coragem. Nele, as autoras comparam o desfecho favorável da experiência vivida pelo explorador, com suas habilidades de liderança. Ernest Shackleton é considerado o maior líder que já surgiu, pois conseguiu transformar uma malsucedida missão à Antártida numa saga heróica.
Em 1914, seu navio partiu da Inglaterra, ficou preso nas geleiras e pouco depois, foi esmagado pelo gelo. Sua tripulação sobreviveu em cabanas construídas com restos do navio. Shacketon, após dois anos de resistência, conseguiu buscar socorro e voltar para resgatar todos os 28 tripulantes vivos e em boas condições físicas e mentais.
Após a leitura, cheguei à conclusão que as competências de um líder são atemporais. Atualmente, as empresas buscam líderes sobreviventes. Ou seja, aqueles que sabem reunir grupos diversificados de profissionais em torno de um objetivo comum, lidam bem com os do contra, evitando que contagiem o grupo e, principalmente, trazem ordem e sucesso no caos, trabalhando com recursos cada vez mais limitados.
O verdadeiro líder possui valores que são trazidos de família, como caráter e integridade. Tem sensibilidade para formar times vencedores, combinando talento e perícia, preferindo contratar profissionais que pensam de maneira criativa. Valoriza a flexibilidade, o trabalho em equipe, mas também o êxito de cada um, levando em conta as habilidades individuais. Prefere contratar gente que sabe pôr a mão na massa, que não se esquiva de tarefas operacionais quando necessário.
Além disso, ao se instalar uma crise, um líder não perde tempo nem energia lamentando o que poderia ter sido. Ele assume o controle e propõe um plano de contingência, ouve opiniões e aceita as sugestões que considerar válidas, deixando claro sempre que a decisão final é dele, pois detém a responsabilidade pelo resultado. Ele sabe voltar-se para um novo foco assim que o antigo perdeu sua razão de ser.
Enfim, um líder tem um impacto maior na vida de seus colaboradores do que imagina. Caráter, temperamento e comprometimento são tão importantes quanto talento e conhecimento técnico. Sua liderança terá sido válida se deixar um legado positivo na vida dos integrantes de sua equipe.
CRISTINA BRESSER é consultora em RH em Curitiba
Gente como a gente
Alencar Burti
Com o objetivo de despertar a vontade das pessoas para protestar contra tantos desmandos, foi anunciado dias atrás o Movimento Cívico pelo Direito dos Brasileiros, o Cansei. Liderado pela OAB-SP e apoiado por diversas entidades, o primeiro ato programado será o encontro, no dia 17 de agosto, em frente ao antigo prédio da TAM Express, em São Paulo.
Nossa intenção é que a sociedade brasileira seja ouvida. A data para esta ação foi escolhida por marcar o primeiro mês do maior desastre aéreo do País. Não é um movimento contra este ou aquele governo, como insistem aqueles que em tudo vêem interesses e possíveis vantagens partidárias. Tanto é que não estão previstos discursos. E isso também foi decidido desde as primeiras reuniões.
Mas o que fazer para provar que não há interesses políticos num movimento como este? Isso, somente o tempo mostrará. Interesses político-partidários não conseguem permanecer ocultos por mais de quatro anos. A minha indignação, e tenho certeza que também a de milhares de outras pessoas, é contra a inércia na qual a sociedade se encontra. Onde nem a morte de 200 pessoas - gente como a gente, de carne e osso - sensibiliza mais. Mas começo a acreditar naquele ditado que diz para que ajudar, se podemos atrapalhar.
O que queremos é que o cidadão participe. Assuma a sua parcela de responsabilidade e pelo menos cobre seus representantes. Sabemos que o País está sensibilizado neste momento. Talvez por isso mesmo, seja agora a melhor hora para protestar; ainda que em silêncio num ato sem microfones, que não queremos mais ser vítimas do descaso ou da omissão de quem quer que seja.
Este é um momento de despertar. Essa é a razão do Cansei. Criticar é um direito dos cidadãos, que estão convidados a sugerir como podemos agir para não partidarizar o debate. E quem sabe corrigir algum desvio no rumo do que pode ser benéfico para o todo e não somente para esta ou aquela parte.
No dia 17 queremos nos solidarizar. O único pedido é para que as pessoas parem suas atividades por um único minuto, às 13 horas. Só queremos mostrar, e pra quem quiser ver, que grande parte da sociedade, de gente como a gente, está indignada.
Percebemos que há um desencanto geral na população. Tenho certeza que os brasileiros não agüentam mais ouvir críticas sobre a violência crescente, a corrupção e a falta de recursos para ações básicas como saúde e educação, apesar de o impostômetro mostrar que a cada dia o brasileiro paga mais impostos.
A sociedade parece estar anestesiada e sem noção da sua importância. Sabemos que esses sintomas, juntos do cansaço e da fadiga generalizada podem, a qualquer momento, transformar-se em revolta. A sociedade precisa organizar-se para fazer valer os seus direitos. Todos têm que entender, principalmente os ocupantes de cargos públicos, que antes de defender seus próprios interesses, devem prevalecer os interesses da maioria. Não temos que esperar mais um desastre para corrigirmos problemas que vêm por décadas. Precisamos aproveitar o tempo e nos unir para cobrar ações que solucionem este caos atual.
ALENCAR BURTI é presidente da Associação Comercial de São Paulo, da Federação das Associações Comerciais do Estado de São Paulo e da Confederação das Associações Comerciais do Brasil
- Os artigos devem ter, no máximo, 30 linhas. Os artigos publicados não refletem, necessariamente, a opinião do jornal. [email protected].





