Vestibular: obstáculo ou etapa?

Lair Ribeiro

O vestibular é uma etapa muito importante na vida de milhares de jovens, marcando, em muitos casos, o início da idade adulta. Não há como não sucumbir ao nervosismo, à insegurança e à ansiedade que, no período pré-vestibular, se potencializam e somam-se ao cansaço, culminando no estresse. Mas é possível driblar os efeitos negativos do estresse e sair-se fortalecido desse processo.

Muita coisa pode influenciar no desempenho do vestibulando, comprometendo seus resultados. Portanto, uma das medidas mais importantes é reduzir a ''margem de erro'' reduzindo o estresse. Todo estudo e dedicação podem ser perdidos por causa de uma noite mal-dormida, principalmente se for a de véspera da prova. Quando dormimos mal, acordamos cansados ficamos menos produtivos. Erros banais podem ser cometidos por falta de atenção a detalhes, e as chances de ocorrer lapsos de memória são muito maiores.

O vestibulando precisa ter uma regularidade de sono durante todo o período de preparação para o vestibular. A carência de sono afeta a capacidade cognitiva, pode levar à perda de memória de fatos recentes, prejudica a concentração, diminui a capacidade de raciocínio e aumenta a irritabilidade. Para ingressar em uma faculdade conceituada você terá de investir em um plano de estudo de longo prazo. Lembre-se de que é melhor dedicar-se a um ou, no máximo, três vestibulares, do que se desgastar em uma maratona de provas.

Evite prestar vestibulares diferentes que ocorrem no mesmo dia ou fazer provas em diferentes cidades sem um intervalo de descanso entre as viagens. Nos dias de folga entre as provas, descanse. Se sentir-se sobrecarregado, faça uma análise dos vestibulares que irá prestar e descarte alguns. Em véspera de vestibular, nada de pensar em provas. Uma boa dica é ir ao cinema ou caminhar em um parque e ficar longe de programas noturnos e de bebidas alcoólicas. Evite, também, discutir com pais, irmãos, namorado ou namorada. Evitar os excessos, principalmente na alimentação, é outra recomendação importante, pois o nervosismo pode provocar irritação gastrointestinal, dor de estômago e, até mesmo, ânsia de vômito. Faça refeições leves e balanceadas, tanto na véspera quanto no dia da prova.

A prática de exercícios físicos é uma excelente alternativa para controlar o estresse e a ansiedade, pois auxilia na oxigenação cerebral, intensifica a formação de sinapses (conexões entre os neurônios) e estimula a atividade mental, além de provocar sensações imediatas de bem-estar e de relaxamento, melhorando a qualidade do sono. Na véspera da prova, pode até dar uma olhada nos livros e apostilas, mas só nas matérias que domina, para evitar a sensação de ''não sei nada''. Certamente, você se deparará com questões que não saberá responder. Quando estiver diante desta situação, pare, respire, beba água, mude de matéria (espere pelo menos dois minutos antes de começar um novo assunto) e continue a prova.

Ver o seu nome na lista dos aprovados é a recompensa máxima que um vestibulando pode ter ao fim da jornada, mas se isso não acontecer, não se desespere. Encare como mais um desafio para o próximo ano e empenhe-se em ganhar mais conhecimento.

LAIR RIBEIRO é médico palestrante internacional e autor de vários livros que se tornaram best sellers no Brasil, América Latina e Europa




Irlandeses sofrem do 'mal dos desesperados'

Ian Hill

Não é de hoje que a Irlanda faz campanha contra a carne brasileira. Dona de 15% das exportações de carne bovina dentro da Comunidade Européia, o país não mede esforços e usa as mais diferentes estratégias para atacar nossa pecuária. Até o momento, no entanto, apesar do arsenal pesado, os tiros têm saído pela culatra: o Brasil não pára de aumentar suas exportações, inclusive para a Europa.

Nos últimos meses, dois novos ingredientes desse embate ajudaram a mostrar o crescente desespero dos pecuaristas irlandeses que devem perder os subsídios que recebem do governo daquele país, em breve.

O primeiro novo condimento envolve a Associação dos Pecuaristas da Irlanda (IFA) que, em junho, esteve no Brasil com o objetivo de ''investigar'' a pecuária brasileira e atacar o nosso avanço sobre o mercado europeu.

A conclusão do jornalista Justin McCarthy, que acompanhou a equipe e elaborou artigos para a imprensa européia, é contundente: a pecuária brasileira trabalha sem rastreabilidade, a remoção de brincos de bovinos é corriqueira, assim como o trânsito animal é ilegal e irresponsável. Além disso, usamos hormônios proibidos, há riscos iminentes de aftosa e por aqui não se sabe o significado de biosseguridade.

A segunda novidade envolve a EBLEX, entidade inglesa com 2.500 associados que define os padrões de qualidade da carne bovina e de ovinos. A última decisão da associação crava uma espada na pecuária brasileira: para ela, carne com gene de ''bos indicus'' não tem padrão de qualidade. A EBLEX se apóia em ''pesquisas'' que apontam que carne de qualidade é de ''bos taurus'' (raças de origem européia) e ponto final.

Sabemos bem dos desafios da nossa pecuária, mas convenhamos os pecuaristas irlandeses estão indo longe demais. A pecuária brasileira é uma atividade jovem e em crescimento. Uma prova irrefutável dos avanços é o espetacular aumento das exportações.

Salta aos olhos a estratégia obscura dos pecuaristas da Irlanda. Assim como o peixe percebe que precisa se debater para não sucumbir à falta de oxigênio da água, a classe pecuária daquela região movimenta-se como pode para atingir nossa imagem no cenário internacional.

Mas que os problemas identificados pelos irlandeses em nossa terra e a discutível decisão da EBLEX não sejam apenas instrumentos de guerra comercial. Que eles sirvam de alerta para toda a pecuária brasileira e os seus agentes: é preciso fazer a nossa parte e de maneira transparente.

Espero sinceramente que mais esses alertas, de um concorrente que usa alternativas poucos profissionais, sejam entendidos por autoridades, pecuaristas, técnicos, indústrias e demais elos da cadeia produtiva. Essas reportagens na imprensa internacional estão ficando repetitivas. Mas, é exatamente por isso que podem começar a fazer sentido. E precisamos fazer pouco para evitar esse constrangimento.

IAN HILL é diretor de empresa agropecuária em São Paulo

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