De pai para filho

Carlos Alberto Ribaldo
  O caso do pai que se recusou a pagar a fiança para a liberação de seu filho da cadeia gerou uma grande discussão ao abordar a responsabilidade dos pais em relação às atitudes dos filhos. O rapaz de 21 anos foi preso por dirigir embriagado. Por ser um crime afiançável, bastava o pai pagar R$ 500 para que o filho fosse liberado. Porém, Juraci Martins se negou a pagar, alegando que o filho tem que assumir a responsabilidade pelo ato que cometeu.
  Não foi a primeira vez que Rodolfo, o filho, causou problemas à família. Usuário de drogas, Rodolfo já havia tido problemas com a Justiça, quando foi detido por roubo, posse de drogas e porte ilegal de armas. Quando o pai percebeu que o filho tinha pegado as chaves do seu carro sem autorização, tratou de fazer uma denúncia à polícia. Quando os policiais acharam o rapaz com a caminhonete, perceberam que ele estava embriagado e o encaminharam para a delegacia, onde ficou detido.
  A atitude do senhor Juraci Martins dividiu opiniões e gerou polêmica entre pais e filhos de todo o País, que tomaram conhecimento do caso. Muitos não concordam com a posição do pai de denunciar o próprio filho e não pagar para que ele seja liberado. Outros, acreditam que o que ele fez foi por querer buscar uma solução para os problemas do filho e apóiam essa decisão. Essas são questões com as quais lidamos diariamente nos grupos de Amor-Exigente espalhados por todo o Brasil e em mais três países da América Latina. Muitos pais chegam até nós para buscar orientações de como devem agir diante da má conduta de seus filhos. Será que puni-los de forma rígida é um modo de não demonstrar amor? Ou os comportamentos do meu filho são reflexo de alguma falha na maneira de educá-lo?
  Como pais e educadores, nos é dado o dever de sermos orientadores e guias para nossas crianças e jovens. Por isso, ordem e disciplina são sempre importantes para que eles aprendam o valor do respeito e dos limites. É preciso ensiná-los que a família é o núcleo principal dos valores como respeito e amor a si mesmo e ao próximo. Quando as regras não são bem aplicadas, temos jovens com comportamentos iguais aos de Rodolfo.
  O problema está na ausência de valores éticos, de funcionalidade familiar e da falta de limites que também influem para explicar que atitudes assim aconteçam. O Amor-Exigente acredita que uma crise bem administrada pode reverter em mudanças positivas, principalmente quando se trata do comportamento de crianças e jovens, que estão sendo educados para serem os cidadãos do futuro. Para isso, cabe aos pais disciplinar os filhos. Nossa experiência comprova que os pais só podem resgatar e trazer de volta seus filhos quando tomam atitudes mais severas, norteados pelos valores da família.
  Muitas vezes, as medidas extremas, como a tomada por Juraci, são a única saída para reverter o comportamento de um filho. Amar é também punir, colocar limites, não acatar atitudes moralmente inaceitáveis. Educar bem os filhos é tirar deles o melhor que têm a oferecer. É fazê-los entender deveres e responsabilidades, levando em conta que eles aprendem facilmente a obter direitos e vantagens. Os pais devem estar atentos e serem capazes de amar seus filhos de modo a fazer por eles o que precisa ser feito, sem pena deles ou de si mesmo.
CARLOS ALBERTO RIBALDO é membro da diretoria da Federação Brasileira de Amor-Exigente (Febrae) em Campinas (SP)


Desrespeito ao Hino Nacional

Reinaldo Mathias Ferreira
  O anúncio da morte de Tancredo Neves a 21 de abril de 1985 foi notícia extraordinária. Dado o anúncio, a cantora Fafá de Belém apareceu na tela de uma emissora cantando emocionada o Hino Nacional brasileiro numa interpretação personalizada que aumentou ainda mais a emoção do povo frustrado com a perda do presidente eleito pelo Colégio Eleitoral, mas não empossado por motivos de saúde.
  No último dia 13, na abertura dos Jogos Pan-americanos no Rio de Janeiro, a cantora Elza Soares apresentou-se cantando o Hino Nacional a seu modo. E uma emissora de televisão passou, daí em diante, a ilustrar os feitos brasileiros com o Hino Nacional alternando com o Tema da Vitória, tão conhecido dos tempos de Ayrton Senna.
  São três casos de desrespeito à legislação referente ao Hino, principalmente quando passa a ser usado como fundo musical. A Lei nº. 5.700, de 1º de setembro de 1971, assinada pelo presidente Emílio Garrastazu Médici e seus ministros, no artigo 24, prevê que ‘‘a execução do Hino Nacional brasileiro obedecerá a certas prescrições: andamento metronômico de uma semínima igual a 120 (marcha batida); é obrigatória a tonalidade de si bemol para a execução instrumental simples; far-se-á o canto sempre em uníssono na tonalidade de fá; nos casos de simples execução instrumental, tocar-se-á a música integralmente, mas sem repetição; nos casos de execução vocal, serão sempre cantadas as duas partes do poema’’.
  O artigo 34 deixa claro que é vedada a execução de quaisquer arranjos vocais do Hino Nacional, a não ser o de Alberto Nepomuceno; igualmente não será permitida a execução de arranjos artísticos instrumentais que não sejam autorizados pelo presidente da República, ouvido o Ministério da Educação e Cultura. Já o artigo 35 prevê penalidades para a violação da lei, que sujeita o infrator à multa de 1 a 4 vezes o maior salário mínimo em vigor e, em caso de reincidência, à multa em dobro. A Lei nº 8.421, de 11 de maio de 1992, assinada pelo presidente Fernando Collor, altera a Lei nº 5.700, mas em nada muda os artigos referentes ao Hino Nacional.
  É preciso que respeitemos os símbolos nacionais quer nas tristezas, quer nas alegrias.
REINALDO MATHIAS FERREIRA escritor e professor em Londrina


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