Marx e o trabalho do adolescente

Nataly Nunes
  Muitas discussões foram levantadas na última semana que passou sobre a questão do trabalho adolescente, o que fomentou diferentes pontos de vista. Faz-se necessário elucidar alguns considerações de Karl Marx, que muito contribuiu para o entendimento das relações de trabalho e, conseqüentemente, das relações sociais do mundo capitalista.
  Marx critica o capitalismo, como sendo um modo de produção baseado na exploração da força de trabalho, onde há um processo de subordinação do processo de trabalho ao capital. No entanto, considera o trabalho uma categoria fundamental, que dá origem à vida social, sendo que é através dele que satisfazemos nossas necessidades. Diante disto defende que ‘‘qualquer criança (...) deve ser um trabalhador produtivo, assim como nenhum adulto, de posse de todas as suas faculdades, pode-se isentar desta lei geral da natureza. Se quisermos comer, é preciso trabalhar, e não somente com o nosso cérebro, mas também com as mãos’’.
  Marx não defende o trabalho adolescente por si só, deve haver uma união entre o ensino técnico e o ensino intelectual. Assim, será possível adquirir mais clareza do mundo de produção ao mesmo tempo em que o trabalhador passa a desenvolver suas diversas faculdades, que foram prejudicadas pela divisão do trabalho intelectual e manual. Mas deixa claro que qualquer trabalho noturno, ou qualquer ramo industrial que possa acarretar efeitos nocivos para a saúde, deve ser severamente proibido por lei. Se assim for, combinando-se o trabalho produtivo com a instrução, tem-se um poderoso meio de transformação da sociedade atual.
  Ainda de acordo com Marx, ‘‘por um lado, é preciso uma mudança das condições sociais para criar um novo sistema educacional. Por outro, é preciso um novo sistema educacional para que se possa mudar as condições sociais. Por conseguinte, é necessário partir da situação atual’’.
  Qual é a situação? Um país desigual e violento, principalmente para estes adolescentes. Caso seja permitido que eles trabalhem, não basta apenas modificar a lei. Devem ser criadas condições para que estas questões sociais não se agravem.
NATALY NUNES é cientista social e faz especialização em Ensino de Sociologia na Universidade Estadual de Londrina


‘Fazei de vós mesmos uma luz’

Walmor Macarini
  A mesma pessoa de quem falei no artigo anterior e que me faz algumas indagações pela internet, referindo-se aos escritos sobre a passagem de Jesus pela Índia, pelo Egito e pela Pérsia, pergunta quais são as comprovações disso e porque tal foi omitido durante dois mil anos. A resposta é que nada foi ocultado pelo registro histórico, a não ser pelos que eliminaram das Escrituras Completas grande quantidade de textos, e assim nada deixaram constar na Bíblia sobre a vida do Mestre dos seus 13 aos 30 anos, quando ele aprendeu e pregou naqueles países.
  Por que essa omissão? Óbvio que não interessava à nova igreja que despontava - a partir do terceiro século - dizer que Jesus fora à Índia conhecer a sabedoria dos Budas. O budismo é 600 anos anterior à era cristã, e os ensinamentos do Gautama, o primeiro Buda (palavra que quer dizer ‘‘o desperto’’), são em muitas coisas idênticos aos da pregação posterior de Jesus. O mestre nazareno era divinal, mas não veio contrariar nenhuma lei e aqui teve de aprender muitas coisas, inclusive a ler e a escrever e aperfeiçoar-se nos elevados estudos do transcendente.
  Buda e Jesus, entre tantos notáveis ensinamentos, falavam da perfeição suprema do homem. ‘‘Não mancheis vosso coração, porque Deus vive ali eternamente’’ - dizia Jesus. Buda já havia dito: ‘‘Fazeis de vós mesmos uma luz’’, isto significando que havia uma divindade essencial no homem. Chegou-se a supor que ambos, em diferentes épocas, eram o mesmo espírito. Mas sabe-se que hoje eles compõem as grandes hierarquias e operam juntos nas elevadas esferas. As religiões ‘‘aqui embaixo’’ se desentendem e os dois mestres juntos buscam unir a todos num só entendimento.
  É preciso distinguir a igreja cristã primitiva dos primeiros dois séculos (que era mística e conhecia os mistérios) e a igreja cristã que viria depois e que passou a ter poderes de Estado. Esta foi esquecendo os verdadeiros ensinamentos crísticos (amai-vos uns aos outros, perdoai os vossos inimigos, o Reino está dentro de vós), eliminou livros hoje denominados apócrifos e criou seus próprios dogmas. Não poderia ser considerada cristã (no sentido de seguidora dos ensinamentos de Cristo) uma corporação religiosa e estatal que, a partir de mil anos depois e durante mais de cinco séculos, viria a exterminar pela brutalidade 9 milhões de ‘‘herejes’’, a grande maioria mulheres (e inclusive crianças). As monarquias de inúmeros países davam apoio a esse genocídio, e algumas aproveitaram-se disso também para eliminar desafetos políticos e minorias segregadas.
  Quanto à comprovação da passagem de Jesus sobretudo pela Índia (onde aprendeu e ensinou), esta é encontrável em pelo menos seis dezenas de manuscritos em poder do Vaticano. Estão escritos em pali, língua que Jesus também falava. Esses documentos foram trazidos da Índia por missionários católicos. Os demais encontram-se em Lassa, à disposição de quem chegar aos seus mosteiros. Vários pesquisadores tiveram acesso a eles, e existem inúmeras obras publicadas a respeito.
  Jesus, no seu retorno, havia pedido a Tomé que também fosse pregar na Índia. Nisso, Tomé foi seguido por Bartolomeu e Matias (os três, posteriormente santos da igreja cristã) e outros tantos missionários, como o conhecido jesuíta Grueber e o frade Horace de La Penna, este chefe de uma missão de capuchinhos. Eles davam continuidade à obra de Jesus, iniciada ali e concluída na Palestina.
WALMOR MACARINI é jornalista na FOLHA DE LONDRINA


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