ESPAÇO ABERTO
Não ao trabalho infantil
Carina Paccola
Entendo que a promotora da Vara da Infância e Juventude de Londrina, Édina Maria de Paula, enfrente em seu cotidiano situações que a levem a pensar numa solução rápida para os problemas da infância brasileira. Mas tenho que discordar de sua posição que defende que crianças a partir dos 12 anos não só possam como devam trabalhar (Deixe o adolescente trabalhar, Opinião, pág. 3, 3/7).
Parece-me que esse pensamento só vale para as crianças pobres, que deveriam ajudar no orçamento doméstico. Ou esse pensamento também vale para os filhos de classe média e classe alta?
Não é à toa que o trabalho infantil é mais intenso em países mais pobres e nas regiões também mais pobres no Brasil.
A Organização Internacional do Trabalho (OIT) e outros organismos nacionais e internacionais mostram que o trabalho infantil traz prejuízo ao rendimento escolar, à saúde e ao convívio familiar e social da criança.
Para a promotora, a legislação parte de uma situação ideal em que crianças teriam atendidos seus plenos direitos. Como não é este o caso do Brasil, a solução apontada por ela é que se mude a legislação e as crianças possam trabalhar - e assim ficar longe das ruas, das drogas, da violência.
Acredito que, em vez de a sociedade se mobilizar para mudar a legislação, por que então não mobilizar a sociedade para que sejam assegurados às todas as crianças os outros direitos - ensino de qualidade, esportes, lazer, cultura, alimentação adequada?
Discordo também da afirmação da promotora que associa a proibição do trabalho infantil ao aumento da violência no País. A pesquisa Mapa da Violência, coordenada pela Unesco, mostra que os jovens são as grandes vítimas da violência no País. Não se pode culpabilizá-los pelo crescimento da violência.
O Dieese (Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Sócio-Econômicos) também já divulgou que o desemprego entre os jovens é pelo menos duas vezes maior do que entre os adultos. Ou seja, se não há empregos dignos para os jovens, que tipo de trabalho será destinado a crianças a partir dos 12 anos?
O país deveria se mobilizar para garantir condições para o pleno desenvolvimento das crianças, sem que elas tenham que assumir responsabilidades de adultos numa fase em que elas ainda têm muito que brincar e aprender.
CARINA PACCOLA é jornalista em Londrina
Os muitos questionamentos
Walmor Macarini
Não costumo responder ao correio eletrônico e nem a outro tipo de correspondência (para evitar, no mais dos casos, polêmicas estéreis), mas agora recebo longa mensagem em que o remetente faz uma série de perguntas. Ele questiona Deus e faz indagações que muitos fazem, porque não encontram respostas nos locais que freqüentam. Certo é que a verdade está dentro de cada um e é preciso buscá-la aí. O mais freqüente questionamento é onde estava Deus quando tragédias e outros fatos muito dolorosos aconteceram, assim como diante das tantas atormentações que tangem as pessoas no dia-a-dia.
Primeiro, não se pode entender Deus (ou o nome que se queira dar) a partir de parâmetros humanos, mas sim compreendê-lo compondo nossa essência primordial e a realidade de cada ser e de cada coisa de todo o Cosmo. O homem move Deus, entendendo-se aí que o livre-arbítrio em cada indivíduo - uma outorga divina - permite que se faça todas as coisas. Porque a vontade de Deus, como se diz, é que o homem realize sua vontade individual (dele, homem). Então, quando o homem cometeu algo, Deus estava lá.
E o que é Deus? Deus é a Suprema Sabedoria que a tudo rege. Deus está pulverizado na forma de todas as coisas. Portanto, não se pode defini-lo como um ser individual; não se pode colocar coordenadas à mesa e a partir delas buscar uma equação que dê, como resultado, um Deus definido. O que estava fazendo Deus durante o tsunami, em Auschwitz, na guerra do Iraque? - pergunta quem me manda a mensagem. A resposta é que Deus estava nas mentes, nos corações, nos carmas de quem viveu a tempestade das águas, fez a guerra, torturou (e foi torturado) nos campos de martírio. O espírito de cada um sabia do que se passava e a razão disso, mas a individualidade carnal não. Para que se operasse o mérito do processo.
Deus estava ali, deixando o homem exercer o seu propósito e fazer os seus experimentos, que por conclusão eram também os experimentos de Deus. Portanto, não um Deus à parte, que desejasse interferir, porque se havia uma vontade do homem ali estava a vontade de Deus. (Deus e homem uma só substância). Vontade de Deus para a guerra e a destruição?! - é pergunta que logo surge. Imagine que seu pai carnal lhe dá uma vela acesa. Você pode dissipar a escuridão com ela ou atear fogo à casa. Assim o livre-arbítrio.
A Terra é um local de experienciação e purificação, e para aqui viemos por nossa própria vontade - uma decisão que tomamos antes de aqui aportar e já colocando nessa empreitada todos os registros cármicos. (Leia-se que carma não é apenas expurgo de erros cometidos em vidas anteriores, mas obra e compromisso). Porque cada um de nós não é de agora e não tem a idade da certidão de nascimento. Se as pessoas abandonassem o cativeiro em que as enfiaram por certos sistemas de crenças, saberia que tudo o que acontece neste mundo tem a sua razão de ser e que tudo (mesmo um tsunami) é obra do homem. A tempestade que agita as águas é reflexo da turbulência que abala a mente e os sentimentos humanos. (Voltaremos ao tema).
WALMOR MACARINI é jornalista na FOLHA DE LONDRINA
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