Somos todos ‘especiais’

Cinthia Gonzaga Aguillera
  A Educação Especial, segundo Robbin (1978), é oferecer algo que difere do programa comum, pois tenta levar em conta as diferenças intra-individuais. A natureza da Educação Especial é oferecer serviços especiais, não disponíveis nos programas comuns, para pessoas especiais. Agora surgem perguntas que não querem se calar:
  O que significa de fato ser ‘‘especial’’?
  Seríamos, nós, mestres-educadores, responsáveis por uma educação integral, desde a ética/cidadania aos conceitos cognitivos exigidos pela sociedade, capazes de enxergarmos essa ‘‘necessidade especial’’ tão absurdamente clara?
  Estaríamos preparados de corpo e alma para lidarmos com isso?
  A necessidade especial hoje se enquadra somente em ‘‘deficiências’’ ou podemos acrescentar a ‘‘deficiência’’ do afeto, da atenção e a dificuldade como um todo?
  Somos indivíduos ‘‘quadradinhos’’ ou temos nossas próprias diferenças ‘‘intra-individuais’’? Pois é, eis a questão!
  Ainda creio que um atendimento especial baseia-se acima de tudo em trabalhar conteúdos emocionais como amor, respeito, admiração e crença em cada indivíduo e suas potencialidades de desenvolvimento nas áreas educacional, esportiva, sem discriminação de problema, deficiência ou idade. Assim podem participar desse atendimento diferenciado qualquer pessoa ‘‘especial’’ ou não - existe ser humano que não seja especial? - que necessite desta proposta para a melhoria da sua qualidade de vida.
  Só assim poderemos oferecer para nosso aluno ‘‘especial’’ condições para diversificar seu espaço, dando oportunidade ao desenvolvimento, como um todo, com criatividade, integração, desempenho, lazer, tornando esses sujeitos ‘‘possíveis’’ perante a sociedade.
  É preciso conscientizar mais pessoas quanto à necessidade de trabalhos e espaços para todos os alunos ‘‘especiais’’ da escola, fazendo da instituição de ensino um modelo quanto ao trabalho com profissionais atuantes, conscientes e críticos.
CINTHIA GONZAGA AGUILLERA é coordenadora pedagógica da rede particular de ensino em Londrina


Controvérsias do clareamento dental

Georges Garcia
  O clareamento dental é um dos procedimentos odontológicos mais procurados com o intuito de melhorar a estética dos dentes. Devido ao fato de possibilitar dentes mais brancos sem que necessite desgaste dental, o clareamento pode ser considerado um tratamento bastante conservador dentro da odontologia.
  Muitos mitos são formados em relação ao branqueamento de dentes. Uma das dúvidas mais freqüentes nos consultórios é o questionamento pelos pacientes quanto ao clareamento enfraquecer os dentes. Os trabalhos científicos realizados até hoje mostram que se o mesmo for realizado com a correta indicação do caso e dentro de uma técnica segura não irá enfraquecer os dentes e nem trará prejuízos ao paciente. Isso ocorre caso seja realizado por um odontólogo. Por esta razão, é perigoso acreditar nos anúncios de TV que ‘‘vendem’’ clareamento. Os produtos podem ter qualidade duvidosa, não se usa uma placa que se adapte perfeitamente aos dentes e ainda pior, não há acompanhamento profissional. As pessoas devem evitar essas armadilhas, sem garantia de um resultado satisfatório e ainda com riscos à saúde.
  Existe, ainda, uma controvérsia em relação à melhor técnica a ser utilizada para deixar os dentes mais brancos: a domiciliar supervisionada ou a realizada no consultório. Na domiciliar (também chamada caseira), que é feita com acompanhamento do cirurgião-dentista, é preparada uma placa que se encaixa nos dentes evitando deglutição do produto. O paciente faz uso do clareador em casa e esta técnica é considerada, segundo os trabalhos científicos, a mais segura, a mais eficaz e a que possibilita os resultados mais duradouros. Há trabalhos que mostram que os dentes se mantiveram claros em 82% dos casos após quatro anos e de até 43% após 10 anos com a técnica caseira supervisionada. Ou seja, o resultado é bastante duradouro.
  Outra questão muito evidente atualmente na mídia e na publicidade é o chamado ‘‘clareamento a laser’’ que promete resultado imediato. Em primeiro lugar é necessário que o leitor compreenda que é o produto colocado nos dentes que clareia e não o uso de fontes de energia. No máximo o laser ou outra luz pode acelerar um pouco a reação, mas às vezes nem isso, segundo a maioria dos estudos científicos. A técnica feita no consultório pode sim ser utilizada, mas ela não é a mais eficaz, e o paciente deve estar ciente que está optando pela rapidez do clareamento e não pela eficiência e durabilidade da técnica com placas. Além disso, podem ser necessárias várias sessões para se obter o mesmo resultado do clareamento caseiro.
  Enfim, não pretendo ser crítico em demasia, mas apenas alertar que existem caminhos que nem sempre são os melhores para os pacientes. O clareamento é um tratamento e como tal deve ser realizado por um profissional competente, com a indicação e técnicas corretas, e é de grande valor para se obter uma boa estética do sorriso.
GEORGES GARCIA é cirurgião-dentista em Londrina


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