ESPAÇO ABERTO
Um jeito brasileiro
Servio Borges da Silva
Não temos oposição na política brasileira. O que temos são poucos senadores e deputados discutindo contra um enorme exército de adesistas que procuram usufruir das vantagens do poder, sem observar um pouco de ética e de decência ao tratar dos negócios públicos.
Assistimos, estarrecidos, ao episódio envolvendo o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), e o grande esforço feito pelos que querem protegê-lo e evitar que os fatos sejam esclarecidos. Como diz o incansável senador Jefferson Peres (DEM-AM): A ética foi invertida e os investigadores vão consultar o investigado para depois julgá-lo.
Renan Calheiros ao ser entrevistado saiu-se com esta: Não é por acaso que eu fui eleito presidente do Senado. Nada mais vazio e sem fundamento, uma vez que já tivemos as mais grotescas figuras eleitas para os mais altos cargos da República. Collor de Mello, eleito presidente da República, depois foi defenestrado; Severino Cavalcanti, eleito para a presidência da Câmara, depois deletado; outro senador mandou violar o painel de votação do Senado, para saber quem votou em quem e no que; outro presidente interino encheu um avião de correligionários e foi para sua cidade, somente para mostrar o seu poder aos seus conterrâneos; um ministro de Estado voou para a Ilha de Fernando de Noronha, para passear com sua família; processado, acabou absolvido.
Pagamentos, se fazem na calada da noite, em quase todos os níveis de administrações. A morte de testemunhas, para que nada falem em processos criminais, se promove, para tudo acobertar. São tantos os desmandos e as falcatruas que o povo já está desanimado com as notícias escabrosas e sem motivação para continuar prestigiando pessoas sem compostura.
O Ministério Público, boa parte da Polícia Federal e parte considerável da grande imprensa têm prestado um serviço do mais alto nível para o País, porém sem o respaldo do andar de cima, que precisa mover o carro-chefe das investigações e punições aos criminosos. É profundamente lamentável assistir ao trabalho bem feito, honesto e até heróico dessas três instituições, ser torpedeado por um simples e equivocado despacho de um magistrado sem formação. Alguns desses magistrados se encontram até presos, de tantos abusos que cometeram em nome da Justiça.
Não é esse o jeito brasileiro de ser, pois converso com pessoas, das mais diversas atividades, nas ruas e compreendo que o nosso jeito de ser é outro bem diferente da imensa podridão, na qual estão chafurdando alguns dos nossos representantes. O nosso povo tem dignidade a preservar, tem decência, honradez e vergonha na cara, já os nossos políticos...
SERVIO BORGES DA SILVA é advogado em Londrina
Exaltando a divindade do homem
Walmor Macarini
Em sua pregação na Índia, Jesus já dissera coisas maravilhosas e fazia a exaltação do homem, como também viria mais tarde dizer na Palestina. Mas tanto essa sua extensa peregrinação por terras indianas (incluindo o Tibet e o Nepal), pelo Egito e pela Pérsia, assim como os aprendizados e ensinamentos que exerceu nesses lugares, foram totalmente ocultados por volta do terceiro século de nossa era. Tanto que não se encontra na Bíblia uma linha sequer sobre o que Jesus fez dos seus 13 aos 30 anos.
Também não há nenhum registro que o situe na Palestina nesse período e nem que era carpinteiro. Um mestre de tanta luz não desceria a este plano terreno para ser um profissional desse ramo, e não seria dentro de uma carpintaria que exerceria sua sublime e voluntária missão. Vim para mostrar as possibilidades humanas. O que foi criado por mim (entenda-se o Cristo em mim) todos os homens podem criar. E aquilo que sou, todos os homens serão. Palavras de Jesus, ditas na sua pregação por aqueles países. Nos derradeiros anos de seu ministério ele repetiria isto ao declarar: O que faço vós também o fareis, e ainda melhor. Disse que formávamos uma fraternidade e que ele era nosso irmão mais velho.
Havendo se reunido também com os essênios, por um curto tempo, ele conheceu a ciência da reencarnação com esses mestres, e nunca os contestou, embora tenha sido um crítico dos bramanes da Índia, para não falar dos sumo sacerdotes do Sinédrio. João Batista era essênio, Maria sua mãe era de família essênia, José de Arimatéia era essênio. Certa ocasião, referindo-se aos cantores habilidosos, Jesus admirou-se: De onde vêm seu talento e força? Porque em uma vida curta não poderiam acumular uma quantidade de voz e o conhecimento de harmonia e tom. São milagres? Não, porque todas as coisas acontecem como resultado de leis naturais. Milhares de anos atrás estas pessoas já moldavam suas harmonias e timbres. E vêm aprender novamente, e ainda mais, de manifestações diversas. Por milhares de anos atrás, leia-se muitas vidas passadas; por vêm aprender ainda mais, está implícito que já haviam acumulado conhecimentos de vivências anteriores.
E do sonho de Jacó, descrito nas Escrituras, revela-se a voz do Senhor que lhe diz: ...E te farei voltar a esta terra. As coisas que te anunciei, tu nem as ouviste, nem as conheceste (...), porque eu sabia que procederias mui perfidamente e eras chamado de transgressor desde o ventre materno. Como poderia ser transgressor alguém ainda no ventre da mãe? Porque já havia vivido vidas de transgressões. Em outras palavras, a preexistência do espírito vivenciando vidas físicas sucessivas, até o cumprimento do ciclo de cada um.
WALMOR MACARINI é jornalista na FOLHA DE LONDRINA
- Os artigos devem ter, no máximo, 30 linhas. Os artigos publicados não refletem, necessariamente, a opinião do jornal. [email protected].





