China, dólar e incompetência

João Maria Rocha
  A fantástica economia chinesa, graças à cruel exploração dos operários com salários irrisórios, está fechando empresas e aniquilando empregos no Brasil. No Vale do Sino (Rio Grande do Sul) e em Franca (São Paulo) são mais de 50 fábricas de calçados encerrando atividades, além de centenas de outros segmentos deixando de produzir, sufocados pela perversa concorrência da China.
  Desnorteados e desprotegidos pelo governo, só lhes resta parar e desempregar. Felizes, os tigres asiáticos agradecem. Muito breve eles estarão invadindo nosso mercado de veículos com preços muito competitivos. Para nossa economia capenga e desorganizada será um caos. O dólar enfraquecido e em queda livre deixa contente turistas, importadores e privilegiados consumidores e faz a desgraça do agronegócio, deixando desesperançados agricultores e pecuaristas afundados em dívidas.
  Os preços das produções do campo estão sempre caindo, os custos subindo e o lucro desaparecendo. Dólar baixo e o governo que finge nada ver estão sepultando este precioso e indispensável negócio. O agronegócio é o maior gerador de riquezas deste país e o grande exportador de divisas. Não existem políticas sérias e competentes que orientem estes valorosos heróis do campo. O governo age como sempre: com improviso e incompetência. Triste realidade.
  O governo do PT alardeia que governa para os excluídos lhes dando uma cesta básica alimentar. Pura demagogia. Inclusão social é muito mais que isto, pois para os esquecidos do governo ainda faltam moradia, saneamento básico, emprego, saúde e educação, obrigações indispensáveis para lhes conceder cidadania. O resto é papo furado para render votos.
  Em compensação os ‘‘pobres banqueiros’’ continuam acumulando lucros absurdos nunca vistos antes. Estes poucos felizardos devem muita gratidão ao PT. Corrupção, impunidade e incompetência se alastram como ervas daninhas. A descrença do povo é geral, o inconformismo brutal e a desesperança total. A colisão é o banquete de partidos, políticos, ministérios, altos empregos, parentes, amigos, acomodação de empreiteiras e demais regalias fazem a explosão de alegria de milhares de contempladores para manter o acordo.
  Moralidade e competência muitas vezes são desconsideradas. Esta coalizão poderia chamar-se ‘‘Pacotaço de Ajuda aos Coligados’’ ou PAC dos políticos. Porém, aos mais atentos muitas vezes causa nojo a divulgação da grande mídia mostrando um Brasil próspero, economia pujante, gerador de riquezas, empregos e um povo feliz, uma verdadeira ilha de fantasia. É proibido divulgar todas as verdades, pois generosas verbas governamentais são concedidas a este pequeno segmento que fica alienado e comprometido como sempre tem ocorrido neste país. Nos acertos se fala, nos erros se cala. Infeliz daquele que por medo, conveniência, comodismo ou ignorância nada questiona. Deixa o barco correr.
JOÃO MARIA ROCHA é notário público em Ivaiporã


Reforma política: necessária e perigosa

Marcos Rogerio Lobo Colli
  Dentre as crises que permeiam pelo Brasil, não há dúvida que a maior é a da política. Generalizadamente, a política no país vem padecendo por quase total falta de credibilidade junto à população. Justificadamente, pois, há muito que os brasileiros não experimentam uma semana sequer sem que estoure uma notícia, uma denúncia, uma CPI envolvendo políticos em corrupção de todos os níveis.
  As articulações, cada vez mais descaradas, para abafar escândalos, como por exemplo as que estão emudecendo a imprensa em torno do envolvimento do irmão do presidente da República em tráfico de influência, parecem desprezar a inteligência das pessoas ou, pior, apostam, despreocupadamente, no próprio descrédito do brasileiro na política.
  Num quadro como o de hoje, não se pode esperar que a reforma política seja uma panacéia para todos os males, mas, sem dúvida, é a única forma correta de começar um processo que possa fazer, ao longo do tempo, um reencontro entre o que espera a população e o que se pode fazer através da política.
  O perigo de se fazer uma reforma tão importante, durante um período de descrédito tão acentuado, está na aprovação de propostas sem nenhuma discussão com a sociedade. Por exemplo: apresentar propostas para que nas futuras eleições os eleitores votem em listas (quaisquer tipos de listas) é, no mínimo, uma traição a toda a história de busca pela democracia no Brasil. As primeiras colocações em tais listas, terão preços ‘‘tabelados’’! Alguém tem dúvida disso?
  Os partidos políticos precisam assumir a responsabilidade de operar a conscientização política junto à população. Para que isso aconteça, porém, é preciso que os políticos atuais, que vêm tentando perpetuar-se no poder, tenham coragem de aprovar alterações que realmente tenham a credibilidade na política como foco, tais como: o voto facultativo e a fidelidade partidária.
  Se não houver clareza de objetivos, o Brasil poderá sofrer um novo golpe, chamado de ‘‘reforma política’’.
MARCOS ROGERIO LOBO COLLI é advogado e presidente do PV em Londrina

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